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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O seriado chinês da Netflix que todo mundo deveria ver: The Rise of Phoenixes


Já faz um bom tempo que eu não posto nada aqui no blog, simplesmente por não ter tido tempo, mas toda vez que fico obcecada por algo eu resolvo fazer um novo post. Talvez existam outras pessoas igualmente obcecadas pelo mesmo assunto que eu - ou não, já que as minhas obsessões são geralmente um tanto aleatórias.

Vamos então falar sobre um novo seriado que assisti na Netflix e que é diferente de tudo que já vi e me introduziu a um novo mundo de entretenimento: The Rise of Phoenixes (O Avanço da Fênix), um seriado chinês disponível internacionalmente na Netflix, porém, apenas legendado.


Primeiramente, quero declarar aqui oficialmente o meu amor pela Netflix. Acho que a Netflix é uma revolução muito necessária para o mundo cinemático que está mudando muita coisa para o melhor.
Antes, Hollywood - ou seja, uma pequena elite americana - ditava praticamente TUDO à respeito de filmes internacionais. Claro, existiam as produções nacionais, algumas até bem respeitadas como o cinema francês, mas nada se comparava ao monopólio de Hollywood, que influenciou gerações com os temas que passavam nos seus filmes.
As histórias que eram mostradas eram, porém, sob a percepção americana, e em 99% dos casos, masculina e branca. Portanto, sabemos tantas coisas sobre o estilo de vida americano (principalmente dos brancos) em comparação com outras culturas. Sabemos também muito sobre a história dos EUA e da Europa, por exemplo, pois sempre vimos muitos filmes e seriados que se baseavam no ponto de vista de personagens de origem americana ou europeia.
A Netflix começou a mudar isso. Não sei se vocês já perceberam ou leram sobre, mas a Netflix tem investido muito em produções de conteúdo nacional, comprando vários filmes e seriados de diversos países e oferecendo esse conteúdo para todos os seus assinantes do mundo inteiro (ou melhor, nos países onde tem Netflix). Isso significa que agora podemos assistir seriados e filmes espanhóis, mexicanos, alemães, indianos, e por aí vai, por um preço super acessível. Antes, era raro assistir um filme de um país assim - só o pessoal que realmente curte cinema ia atrás de um local que exibisse um filme estrangeiro (não-americano). Agora, com a Netflix, abrimos os nossos horizontes para várias histórias incríveis de diversas culturas diferentes e conseguimos aprender tanta coisa -  principalmente, que não importa de onde uma pessoa vem, todos nós temos algo em comum.

OK, então, deu pra perceber, eu realmente amo a Netflix.

Mas esse post é na verdade sobre o seriado The Rise of Phoenixes.
Então, vamos lá.

A Netflix co-produziu esse seriado em conjunto com produtoras chinesas, porém, como a Netflix não é disponível na China (devido às restrições que o governo chinês impõe à importações estrangeiras, inclusive conteúdo como o da Netflix tem que ter somente 30% de conteúdo estrangeiro, que a Netflix obviamente não tem como garantir), o seriado foi lançado na China por um canal de TV e depois na Netflix globalmente.
Seriados chinêses são chamados de "dramas" ou "c-dramas" e geralmente tem um formato diferente de seriados que estamos acostumados: eles têm muitos episódios, a maioria entre 50 e 70. The Rise of the Phoenixes tem 70, apesar de que originalmente havia 100 episódios e acabaram cortando para ficar mais curto.

A trama de The Rise of Phoenixes (TRoP) é o seguinte:
Num Império Chinês fictício, os filhos do imperador lutam secretamente para garantir o título de herdeiro e se tornar o futuro imperador. Ning Yi, o protagonista, ficou anos preso e a história começa com ele voltando à côrte do seu pai, o imperador. Paralelamente, temos a moça Zhiwei, que passa por uma série de dificuldades e precisa esconder a própria identidade, se vestindo como rapaz e fingindo ser do sexo masculino.



Como já mencionei acima, TRoP é diferente de tudo que já assisti até hoje. E é por isso que eu amei o seriado! Começando pelo fato de que em histórias ocidentais de época - ou seja, européias - o herdeiro de um rei era sempre automáticamente o filho mais velho, e isso não abria muito espaço para disputas (claro que tem também exceções). Já no Império Chinês o imperador escolhia o herdeiro, que geralmente era o filho mais velho, porém, não tinha que ser ele, poderia também ser outro - isso óbviamente significa que a concorrência entre os príncipes era grande e a luta pelo poder era bem mais agressiva, porém, tudo em secreto. Isso acaba sendo bem mais divertido para assistir - adoro intrigas!

A história não subestima a sua inteligência


O seriado quer fazer você pensar. Eles não te dão todas as informações desde o início, e você fica um bom tempo sem realmente saber se entendeu certo, você fica especulando, até que depois de vários episódios você finalemente recebe a resposta.
Sério, nada vem mastigado. Você precisa prestar atenção e analisar e algumas coisas eu tive que rever pra entender. Os personagens são extremamente inteligentes, e todos são intrigueiros. E as intrigas são de outro nível. Tem até gente se auto-envenenando para ninguém desconfiar que foi ele quem envenenou os outros!

O ritmo é lento, mas acabou me capturando 


Diferente de seriados "ocidentais", o ritmo desses c-dramas é bem mais lento, e em grande parte do seriado TRoP (até mais ou menos o episódio 50) as coisas acontecem com bastante calma. Temos várias cenas com diálogos super calmos (e é bem legal como tá todo mundo sorrindo e falando em tom educado, mas tudo que é dito é uma farsa e todos os envolvidos sabem e desconfiam um do outro). Tem aquelas típicas sabedorias chinesas, rifas que o imperador gosta de propor, tem um enganando o outro, um mudando de lado para apoiar outro príncipe, e tudo isso acontece em um ritmo tranquilo, que faz você realmente entrar na história. Acho que por causa da forma como a trama é contada - deixando muitas coisas para o público descobrir sozinho - o ritmo mais lento ficou perfeito.

O espetáculo feminino


Uma coisa tem que ser dita: O mundo ocidental vive criticando a Àsia, principalmente a China, por terem uma imagem anti-feminista das mulheres, tratarem mulheres como bonecas, e botarem os homens como os que as controlam, etc. mas depois de ver esse seriado eu fiquei de boca aberta, chocada, com a mensagem empoderadora feminina que o seriado traz. É difícil achar um seriado ocidental com uma trama que tanto respeita as personagens femininas como TRoP.
Primeiro que a protagonista Zhiwei chega a ter sucesso e importância política SOMENTE através da sua própria inteligência, mostrando ser mais esperta do que quase todos os outros personagens. Zhiwei não precisa seduzir ninguém, não precisa usar o seu charme feminino, não precisa ser amante, nada disso. Tudo que ela consegue é pela sua própria esperteza.


Segundo que as mulheres na trama são todas tratadas com respeito pelos homens, e todas elas têm as suas próprias personalidades e independência. Não há nenhuma cena de violência contra mulher, seja estupro, agressão física, verbal ou humilhação. Se você for ver os seriados e filmes ocidentais, é impressionante como os diretores ADORAM humilhar as personagens femininas, usando cenas explícitas de estupro sem nenhuma necessidade (eu sou contra mostrar cenas de estupro, a não ser que tenha realmente relevância para a trama - mas isso é assunto para outro dia). Em TRoP não há nada disso - também porque parece que a censura chinesa não é muito chegada a deixar mostrar cenas com nudez ou violência exagerada (apesar de que eu assisti um filme chinês com Christian Bale chamado Flowers of War que tinha muita violência e uma cena de sexo, então não sei direito como funciona essa censura chinesa - talvez seja diferente para seriados que são mostrados na TV).

As mulheres no seriado tem as mais diversas posições sociais - têm a Zhiwei que é uma menina mais ou menos comum, a mãe dela que é uma revolucionária, tem concubinas, que são tipo esposas, tem a dona de um bordel que é tipo uma prostituta chique, tem uma princesa, tem outras moças que são jovens revolucionárias, tem as esposas oficiais do imperador. Nenhuma delas é mostrada como "boneca" ou só como enfeite. Elas são ativas na trama, muitas são inclusive em posição de poder e comandam homens e elaboram intrigas, e todas têm o seu papel importante para a história. Até mesmo a prostituta recebeu uma cena para contar o seu passado e explicar porque ela é politicamente ativa, humanizando essa personagem.


As amizades femininas são outra parte muito bem feita do seriado. Vocês já devem ter ouvido falar do Teste Bechdel - em muitos filmes as mulheres não falam, ou só falam com um homem, e quando falam com outra mulher é para falar de um homem. Em TRoP você tem inúmeras cenas das personagens femininas conversando sobre várias coisas que não tem nada a ver com o mocinho - mostrando os seus destinos, as suas histórias, as suas personalidades. Até mesmo uma das moças que poderia ser vista como vilã recebeu uma cena em que ela explica porque faz tudo aquilo, e o público consegue entender o lado dela e sentir empatia com ela - algo que ainda é raro acontecer com vilãs em produções de Hollywood (Humanizar mulheres vilãs e permitir uma linha de história de redenção para personagens femininos malvados? Infelizmente, é raro).


Também fiquei impressionada com a cena em que um dos príncipes recebe a tarefa de escolher o futuro marido da princesa. A primeira reação dele foi perguntar para a princesa quem ela queria casar e respeitar a decisão dela, e inclusive convidar os três candidatos para um jantar e pedir para a princesa observá-los em secreto para ver se ela realmente está escolhendo o homem certo. Ele também fala abertamente para o seu pai, o imperador, que a decisão final deve ser da princesa. Lembrando que a história se passa no passado, tipo na época da Idade Média na Europa, e sabemos muito bem como as mulheres são tratadas em seriados ocidentais que se passam nessa mesma época (Game of Thrones é um show de estupro atrás do outro). Em TRoP eles fizeram questão de enfatizar o ponto da liberdade de escolha da moça, mesmo ela sendo uma princesa. Outra cena interessante foi quando uma mulher estava grávida e falou com o marido "E se o bêbe for uma menina?" e ele reage super carinhoso, dizendo que ele será um pai muito feliz. Isso achei super legal, já que se escuta sempre umas histórias tristes de chineses não querendo ter filhas pois só podem ter 1 filho e a preferência é por meninos (inclusive eu li que por causa disso agora tem mais homens do que mulheres na China e 15% dos homens ficam sobrando, sem acharem esposa).

Por fim, também fiquei impressionada com a maneira que os homens aceitaram o fato de que Zhiwei é uma mulher (isso é um spoiler, mas de outro lado, é óbvio que mais cedo ou mais tarde essas coisas sempre são descobertas nas histórias). Os homens que ela comandava quando ainda era oficialmente um homem, continuaram sendo comandandos por ela e continuaram a respeitando do mesmo jeito, independente dela ser mulher.
Os homens que se interessam por Zhiwei também a tratam com respeito quando ela os rejeita. Ela tem várias amizades com homens e o carinho completamente platônico que eles tinham por ela era lindo de se ver.


Enfim, as mulheres são mostradas não como objeto sexual mas como pessoas. E isso numa produção chinesa! Não posso dizer nada sobre a realidade que as mulheres vivem na China, já que eu não sei nada sobre isso, mas pelo menos a mídia mostra algo bem positivo.



O foco não é sexo


A ideia "sex sells" ou "sexo vende" que existe há décadas nas campanhas publicitárias e nos filmes que conhecemos, é algo que existe pouco nas produções chinesas devido à censura e à cultura. Então a maneira como a história de amor é contada em TRoP é completamente diferente do que eu estava acostumada. Enquanto em seriados ocidentais os apaixonados rapidamente se beijam e mais cedo ou mais tarde rola uma cena sensual com pouca roupa, nos seriados chineses que vi até agora, as histórias de amor são transmitidas realmente por olhares, gestos e diálogo (e só por poucos beijinhos). Para mim, isso mostrou o talento excepcional dos atores - de conseguiram botar tanta emoção em um sorriso ou um gesto. Além disso, o relacionamento parece muito mais profundo e real.


Acho que esse foco em cenas quentes que existe na nossa parte do planeta acaba puxando o foco sempre para o sexo, como se a vida sexual de um casal fosse a parte mais importante de um relacionamento (em muitos filmes e seriados, uma cena de sexo é mostrada como "solução" para brigas e desentendimentos entre o casal, como se depois tudo tivesse mágicamente resolvido). Claro, sexo faz parte de um relacionamente, mas o foco deveria estar no respeito mútuo, no carinho, no companheirismo, enfim no amor do casal. E em TRoP temos um casal que traz tudo isso, porém, com uma pitada de amor-ódio, já que os dois estão de lados opostos durante quase toda a história. E eu AMO ships com foco em amor-ódio :)

A estética é de outro nível



Acho que filmes e seriados asiáticos são bem famosos pela estética de tirar o fôlego, como as cenas coloridas de Bollywood e as roupas maravilhosas de filmes de época da China. Em TRoP temos esse mesmo nível de amor aos detalhes, com roupas lindas, visuais deslumbrantes e uma simetria perfeita.


Conhecendo mais sobre uma cultura diferente


Sinceramente, eu nunca tive muito conhecimento sobre a China e sua história e tudo que eu via era sempre  mostrado através da percepção de diretores gringos (nao-chineses). Da mesma forma que um filme sobre brasileiros escrito e filmado por um gringo não será uma representação autêntica da nossa cultura, filmes sobre a China que são feitos por estrangeiros também não são realmente representativos. Por isso mesmo que eu sou tão fã dessas produções nacionais nas quais a Netflix está investindo. Além de produzir conteúdo nacional, a Netflix também libera vários filmes estrangeiros na plataforma, o que enriquece o nosso conhecimento cultural.

Atores maravilhosos



Já mencionei acima, mas vale repetir: todos os atores desse seriado são extremamente talentosos. Claro que os dois protagonistas roubam a cena - tanto o ator que interpreta Ning Yi como a atriz que fez a Zhiwei são incríveis e eu me apaixonei por eles. Você sente todas as emoções deles. Mas também o resto do elenco é forte e me impressionou muito. Acho que a forma como eles atuam é diferente também - sei lá, tenho a impressão que os atores americanos são um pouco mais "show" ao invés de serem naturais. Acho que os americanos têm bastante carisma e usam o seu carisma na atuação. Já esse elenco chinês me deu a impressão de terem uma atuação mais discreta, e como já falei acima, conseguem transmitir muita coisa com apenas um olhar, não se botam tanto em cena como atores americanos. Não sei se isso faz sentido, mas eu notei uma grande diferença em termos de qualidade na atuação, principalmente se levar em consideração que The Rise of Phoenixes é uma série de TV e não uma produção de cinema.



Toda paleta de emoções


Mesmo que o seriado pareça no primeiro momento bem sério, a história é cheia de humor, além de praticamente todas as emoções possíveis: suspense, intrigas inteligentes, cenas emocionantes. Várias cenas me fizeram rir pra caramba - rapazes tendo que se vestir como mulher, meninas que fazem de tudo pra ficar feia só pra irritar um pretendente, amigos que resolvem dar um show de dança pra ver se a amiga depressiva finalmente sorri denovo. Tantos momentos especiais que me fizeram sentir todas as emoções possíveis - principalmente por causa dos relacionamentos entre os personagens.


***

Bom, é isso - eu realmente recomendo esse seriado, mesmo que inicialmente você estranhe um pouco por causa do idioma.
O único ponto fraco do seriado é o final. Como já mencionei no início, o seriado tinha 100 episódios e eles acabaram cortando para apenas 70. À partir do episódio 55 dá para notar que o ritmo acelerou e acontece MUITA coisa em pouco tempo. Os últimos 5 episódios são tão cheios de acontecimentos importantes, um seguido do outro, que ficou com gosto de novela mexicana. Tenho certeza que se tivessem deixado no tamanho original, o resultado final teria ficado perfeito. Assim infelizmente o fim do seriado é uma decepção.

A história é baseada num livro que só existe em chinês e eu descobri que no livro o final é completamente diferente do seriado, então eu fiquei feliz em saber que em um universo paralelo os personagens que eu tanto amei tiveram um final feliz.

***
Após essa experiência boa com um seriado chinês eu resolvi assistir mais filmes e seriados chineses e gostei de tudo que vi até agora :) Posso recomendar mais alguns no futuro!

E vocês? Já viram esse seriado? O que acharam? Tem mais algum para me recomendar?

EDIT (2020): Obrigada pelos comentários nessa postagem :) Fico feliz que várias pessoas também gostaram do seriado e da minha resenha. Algumas pessoas me perguntaram sobre o livro no qual esse seriado foi basedo. O livro nunca foi completamente traduzido e só existem alguns capítulos em ingles online - aqui. Uma outra pessoa traduziu o livro para o ingles em um blog, mas nao foi muito bem feito. Existem somente 9 capítulos. Mais uma pessoa postou partes do livro traduzido em ingles para mostrar como o conteúdo original foi diferente do seriado. Espero que esses links ajudam!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O sonho de um mundo melhor: O que podemos fazer AGORA?


Há quase três semana atrás, no dia 21 de janeiro de 2017, participei aqui em Frankfurt da Marcha das Mulheres - Women's March Frankfurt - uma das marchas organizadas em soliedaridade com a marcha de Washington e em protesto ao machismo, racismo e homofobia do novo presidente dos EUA, Donald Trump. Essa marcha das mulheres ocorreu em cidades como Sydney (Austrália) com aprox. 5000 pessoas, Cidade do Cabo (Africa do Sul), Nairobi (Quenia), Paris (França), Cidade do México, Londres com 100 mil pessoas! - além de protestos também na Grécia, República Tcheca e Espanha, entre outros.
Em Frankfurt tivemos a participação de 2100 pessoas na marcha. Pessoas de todas as idades participaram - mulheres jovens e idosas, adolescentes, crianças com os seus pais e irmãos, homens jovens e mais velhos. Mulheres muçulmanas como pessoas da comunidade LGBTQ participaram, e inclusive particparam de palestras depois. O clima foi muito amigável e positivo, gritávamos várias frases como "Meu corpo, minha escolha", "Igualdade já", "Black Lives Matter", "Sim significa sim, e não significa NÃO!". A polícia acompanhou todo o trajeto e organizou os espaços, inclusive alertando pelo auto-falante para onde deveríamos ir a fim de que todos coubessem nas ruas ou na praça no final. Ficou bem claro que fazíamos parte de um grupo privilegiado de manifestantes - pois a polícia pode ser pacífica na Alemanha, mas se um grupo de 2000 pessoas de negros ou árabes tivessem protestando, tenho certeza que o policiamento seria bem diferente.



Foi para isso que duas palestrantes de um grupo universitário chamado People of Color alertaram: a nova antiga política racista está surgindo novamente na Europa, e o racismo está se tornando comum novamente. Comentários que há alguns anos atrás causariam horror na sociedade alemã, já estão sendo tratados com normalidade hoje em dia. Donald Trump tornou-se presidente dos EUA e infelizmente deu força a vários políticos com discursos parecidos a dele: medo, ódio e preconceito conseguiram ganhar força não só nos EUA, mas também na Europa e no Brasil. Os fãs do Bolsonaro, por exemplo, aparecem em todas as publicações nas redes sociais na seção dos comentários, espalhando discursos de ódio, o que causa uma grande preocupação aos observadores. Será que Trump foi só o início? Será que outros como ele estão prestes a tomar o poder dos nossos países?



Aqui na Alemanha a preocupação começa a ficar maior. Não se vota diretamente em um presidente como acontece no Brasil. Aqui votamos no partido, esse escolhe o seu representante e dependendo da porcentagem de votos o partido ganha mais poder e participação no Bundestag, onde as leis são definidas. Um partido da extrema direita, o Afd, está crescendo rapidamente. As pessoas estão cansadas dos "velhos partidos", os partidos mais convencionais como o CSU (partido da Angela Merkel) e o SPD (partido democrático, leve esquerda), e aos poucos estão se aproximando de um partido que fala o que muitos pensam: Alemanha para alemães, fora refugiados! O que dá poder ao partido não são boas propostas políticas, mas o medo que muitos alemães têm. O medo do estranho, o medo do novo.

"O lugar de uma mulher é na resistência." Amei essa frase!
Tudo isso, todos esses acontecimentos, causam muita preocupação em nós que sonhamos com um mundo mais inclusivo, diverso, livre. Um mundo onde todos, independente da cor, religião ou orientação sexual, possam ter as mesmas oportunidades e os mesmos direitos. Eu estou preocupada e é por isso que quis participar da Marcha das Mulheres, para fazer a minha parte e mostrar ao mundo que não vamos nos calar. Que vamos continuar lutando por aquilo que acreditamos: liberdade, igualdade e respeito.

Mas depois que a animação e euforia da marcha passou, eu me peguei pensando: e agora? O que fazemos depois do protesto? Qual será o próximo passo?

2016 foi um ano difícil, mas para que 2017 seja diferente, nós precisamos ser diferentes, e agir de modo diferente. Não adianta só ficar preocupada, e não adianta só participar de um protesto. Se queremos um mundo melhor, temos que fazer algo também.

O que podemos fazer agora:

- Support your local girl gang: 


Pesquise pelo Facebook ou Google por grupos de mulheres, grupos feministas, ou grupos políticos que te interessam. Talvez exista algum grupo de debate, de uma universidade ou somente pessoas que querem se reunir e fazer a sua parte. E quem sabe, talvez você mesma queira criar um grupo próprio e juntar-se com amigas que também queiram se tornar mais ativas. Grupos também podem ser apenas virtuais - podem focar em livros, em eventos, ou podem ser bem informais só para termos um espaço para compartilhar assuntos - isso também é importante, termos espaços para dialogar e combater os pensamentos antigos que não deveriam mais estarem presentes nas mentes das pessoas. Enfim, sejamos mais criativas, abertas e corajosas - e quem sabe você não encontra várias pessoas legais e faça novas amizades!


- Vamos nos apoiar - seja no dia-a-dia ou nas redes sociais!


 Silêncio também é uma resposta. Virar as costas é o mesmo do que apoiar alguma injustiça. "Se você for neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor."- Desmond Tutu.
Claro, isso exige coragem. Dizer algo, levantar a voz e apontar para uma injustiça, protestar contra algo errado - tudo isso exige coragem de nós. Mas precisamos ser corajosos. Chegamos ao ano de 2017, e o mundo já conquistou tantos progressos. Ainda não chegamos aonde precisamos chegar. Racismo não é algo raro - quantas vezes ficamos diante de cenas e pessoas racistas? Precisamos sim protestar! Isso nem sempre significa que você terá de levantar a voz em frente a uma multidão - um pequeno protesto em família, com colegas de trabalho ou amigos também é um sinal. Piadas racistas, homofóbicas e machistas transmitem uma mensagem errada sobre temas que são sérios. E dessa forma ridicularizam as pessoas que sofrem com discriminação todos os dias. Você não quer ser chata? Não quer que dizem que você está de mimimi? OK, então escolha o caminho mais fácil, seja uma cúmplice do racismo, do machismo. Não levante a voz, não fale que é errado. Assim como os alemães não fizeram quando os nazistas estavam ganhando poder. Quem sabe se mais pessoas naquela época tivessem dito algo, a história poderia ter sido outra.
Então: vamos apoiar uma a outra. Vamos ser pessoas corajosas. Vamos abrir a nossa mente e respeitar as diferenças - e exigir respeito. Não vamos ser covardes e mostrar as costas para quem precisa de ajuda. Vamos ser tão corajosas como as pessoas que lutaram pelos direitos que temos hoje.


- Eduque-se!


Leia livros feministas, livros de história, informe-se sobre os seus direitos. Entenda o passado e o que nos levou até aqui. Eu li um livro sobre sete mulheres que viveram durante a Revolução Francesa, um livro que aborda todos os lados da revolução: mulheres pobres, da classe média, mulheres influentes e ricas. O papel da mulher na Revolução. Aprendi tanto com aquele livro - não fazia ideia de várias coisas. Naquela época, século XVIII, mulheres eram vistas como seres misteriosos - basicamente não eram vistas como pessoas. Elas também não contavam como cidadão, eram cidadãos passivos. Uma coisa que me espantou muito foi quando li um livro sobre a vida de uma jovem menina na França antes da revolução. Após a morte do pai dela, o irmão dela tinha a guarda sob ela. Ele organizou o casamento dela com um homem rico, que claro, era bem mais velho. O casamento foi infeliz e o marido morreu após pouco tempo. Como ele não se importava com ela, ele não deixou nada para ela de herança - só se ela tivesse tido um filho homem ela teria recebido algo (que seria na verdade do filho). Ela então inventou que estava de fato grávida, para não ficar na rua, pois a casa onde morava passou a pertencer ao primo do marido falecido. Ela acabou tendo que voltar para o irmão, que queria que ela se tornasse freira. Ela então fugiu para Paris e procurou um emprego, porém, como ela era de uma boa família, ninguém queria a contratar pois seria contra a vontade do irmão dela, e não queriam se meter com o irmão. Ela não encontrava um trabalho como lojista pois não tinha experiência com isso, além da humilhação (uma mulher de boa família que trabalhava era mal visto, pois todas normalmente casavam). A última opção seria a prostituição, que no caso seria ter um homem que a bancava, e em torno ela se tornava a "mistress" dele e pertencia a ele. No momento que ele enjoasse dela, ela estaria na rua. Legalmente a mulher não tinha nenhuma proteção. Então, se o seu marido por algum motivo não se importasse contigo e morria, você como mulher estava 100% na mão. Eu fiquei muito chocada - não sabia disso, mas de outra forma eu comecei a entender melhor o machismo de hoje. Ele existe há milhares de anos e por isso é tão difícil de re-educar as pessoas.
Por isso é importante ler muito e aprender sobre o passado, assim como entender os direitos que temos e os que ainda não temos.

- E depois que você tiver lido e aprendido mais, compartilhe esse novo conhecimentos com as suas amigas, a sua mãe, irmãs, primas - talvez você possa introduzí-las a essas novas leituras.

- Abra os seus horizontes! 


Infelizmente, existem várias formas de discriminação. Mulheres negras, mulheres lésbicas ou bisexuais, mulheres trans*, mulheres pobres, mulheres indígenas, mulheres com deficiência - todas elas enfrentam discriminações diferentes e têm experiências diferentes em relação ao sexismo e machismo. O termo "white feminism" já é utilizado para mulheres brancas e socialmente privilegiadas, que apesar de estarem na luta contra o machismo, essa luta só envolve os problemas que elas enfrentam - ao invés de abrirem os seus horizontes e pensarem de forma mais globalizada. Eu como mulher branca não faço ideia das discriminações que uma mulher negra ou uma mulher homosexual passa - mas isso não quer dizer que devo ignorar essas dificuldades e lutar só por aquilo que é importante para mim. Exemplos de feminismo branco seriam:
- O seriado "Girls" foi aplaudido como feminista, porém, não tinha uma única atriz negra no elenco. Lena Dunham foi criticada por isso e disse que queria "escrever a partir de um ponto preciso e paixão e compreensão" e não tinha conhecimento suficiente sobre mulheres negras. Isso é motivo suficiente para completamente ignorá-las e escluí-las da trama? Será que ela não teria alguma maneira de incluir alguém no seu time de esritores que pudesse ajudá-la com isso? Aparentemente, não houve interesse. Ela quis criar um conteúdo feminista, mas de um feminiso que exclui ao invés de incluir.

Essa foto exemplifica "feminismo branco":

Desperdiçar absorventes para escrever mensagens como "Sem vagina, sem poder" ou "Sangre com orgulho" - e dessa forma excluindo mulheres trans* - em vez de doar os absorventes para mulheres que realmente poderiam estar precisando disso (lembrando que absorventes não é barato e existem tantas mulheres em situações de rua que precisam disso!), é um feminismo completamente egoísta e não contribui com nada, nem mesmo com o meio ambiente, já que esses absorventes foram completamente desperdiçados e seguirão pro lixo.

Mulheres "brancas" têm mania de querer libertar outras mulheres dos seus destinos tristes. Em vez de refletir e entender que cada mulher tem o direito de escolha, elas pensam que o jeito que elas vivem é o melhor jeito, é o único jeito para ser uma mulher livre e feminista. Mas isso é errado e egoísta. Mulheres muçulmanas ou cristãs ou de qualquer outra religião, que optam por se cobrirem, por não mostrarem o seu corpo, têm o total direito de fazer isso. Ninguém é obrigada a viver de uma forma que os outros achem certo. 

Além de que muitas mulheres do movimento feminista não pensam sobre o privilégio que elas têm em comparação com as mulheres negras, por exemplo. O movimento sufragista por exemplo lutou pelo voto feminino - mas não estavam dispostas a lutar também pelos direitos das mulheres negras. Nos EUA por exemplo, as mulheres puderam votar a partir do ano 1920. Porém, até os anos 60, mulheres negras tiveram muita dificuldade em exercer o seu direito de votar, principalmente nos estados do sul do país. A população indígena dos EUA só começou a votar nacionalmente a partir de 1965, antes não eram vistos em todos os estados como cidadãos americanos (irônico, não é?)

No Brasil as mulheres tiveram o direito de votar em 1932 (mas só foi exercido em 1935) - mas só as casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria. A partir de 1946 que as eleições no Brasil eram livres, incluindo também o voto de mendingos, e em 1988 os analfabetos foram liberados para votar. Sendo que grande parte da população negra não tiveram muito acesso à educação antigamente, então é provável que só começaram a votar mesmo a partir de 1988. Como o Brasil teve ditaduras, também não houve muitas eleições antigamente...
Enfim, é importante sempre lembrarmos desses privilégios - poder exercer a sua cidadania, votar em um candidato político, e dessa forma participar das ecolhas para um futuro melhor até pouco tempo atrás era um privilégio de uma porcentagem mínima - que chegava a apenas 10% da população brasileira.

- O que também devemos tentar fazer é apoiar projetos feministas e de inclusão social. Peças de teatro, bandas, livros, filmes, músicas, blogs e sites - vamos tentar apoiar pessoas que estão focando o seu tempo e trabalho para distribuir conteúdo tão importante!

- Manter o otimismo e a esperança, e continuarmos a lutar! Não podemos desanimar, mesmo com tanta notícia ruim. Precisamos nos lembrar de todos os avanços que foram possíveis no passado e continuar acreditando que um futuro melhor é possível!

***
O texto ficou realmente imenso e agradeço a todos que leram até o final! Você têm mais alguma ideia do que podemos fazer agora para ajudar a nossa luta?  Tem algum projeto, livro ou filme sobre esse assunto a compartilhar? Conte nos comentários!

Beijos,
Ju




terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Adeus, 2016 - Parte III: Melhores Seriados e Filmes

Muitas pessoas estão podendo curtir o fim de ano e as férias em casa - ao contrário de mim, que estou trabalhando. Mas nos fins de semana estou aproveitando bastante para relaxar. Aqui é inverno agora, e o que mais gosto de fazer quando o tempo está frio e chuvoso é ficar na cama, ler um livro ou assistir seriado! E já que muitas pessoas estão com tempo livre, pensei em fazer uma pequena lista dos meus seriados favoritos :) Apesar do título, nem todos os seriados e filmes são realmente de 2016, mas foram os que eu assisti e mais amei durante o passar do ano. Tem de tudo um pouco - suspense, de época, science fiction, crime, drama, romance - com certeza alguma dessas recomendações vai servir para você! :)

*em nenhuma ordem específica*

Os Meus Seriados Favoritos De Todos Os Tempos:

Sense8

Sense8 é um seriado original da Netflix e é diferente de qualquer seriado que já vi. Só posso recomendá-lo, sério. É muito bom.
Basicamente, se trata de uma história de science fiction, mas tem tudo que é gênero no meio: suspense, drama, comédia, romance...O seriado foca em 8 personagens que estão em vários lugares diferentes do mundo, vivendo vidas completamente distintas, e não têm nada a ver um com o outro - até que algo estranho acontece e todos de repente se conectam entre si. Eles conseguem entrar na mente do outro, ou sentir o que o outro sente. E isso ocorre de maneira bem aleatória. Não dá para contar muita coisa para não estragar a história, mas é MUITO bom.
Os personagens são maravilhosos - temos a Nomi, uma mulher trânsgênero que mora em San Francisco.
A Riley, que é da Islândia e mora em Londres.
Wolfgang, o alemão de Berlim que é meio gângster.
Kala, uma indiana prestes a se casar.
Lito, um ator mexicano gay não assumido.
Sun, uma mulher de negócios da Coreia do Sul.
Will, um policial de Chicago.
E Capheus, um queniano que está tentando arrumar remédios para a mãe doente.
São pessoas diferentes que acabam interagindo de maneira bem extraordinária e o seriado traz mensagens muito lindas. Eu assisti isso em uma época um pouco complicada da minha vida e tenho que dizer que esse seriado me ajudou muito! É algo muito especial, pois assistindo o seriado eu senti que todos nós, em qualquer lugar do mundo, temos algo em comum, temos algo que podemos ensinar e aprender com os outros...sei lá, o que senti vendo os episódios, foi muito especial e por isso sempre vou amar esse seriado.
Além de tudo isso, o seriado também tem ótima representatividade do público LGBT!
Em 2017 sai a 2a temporada  - e terá cenas filmadas no Brasil, durante a parada gay de São Paulo!

Misfits

O seriado britânico foca em quatro jovens delinquentes que são atingidos por um raio e desenvolvem superpoderes. Eu morria de rir com o personagem Nathan! Provavelmente nunca vi um seriado mais maluco e engraçado como esse. Mas também tem os seus momentos fofos, cheios de suspense e dramáticos. Prepare se para muito loucura e risadas!

Sons of Anarchy

Esse seriado já acabou e  foi muito bem sucedido, então talvez você já ouviu falar ou conhece. A temática é sobre um clube de motoqueiros que são traficantes numa cidade californiana. O personagem principal é Jax Teller, filho do ex-comandante do clube. As primeiras duas temporadas são sensacionais, tendo uma história que lembra 'Hamlet' de Shakespeare. O seriado é viciante e o ator Charlie Hunnam que faz o papel principal ainda é um gato.

Stranger Things

Claro que o seriado que virou febre esse ano não poderia faltar nessa lista. Pois realmente é muito bom! Você provavelmente já assistiu ou pelo menos ouviu falar, mas caso não, aqui vai um resumo: nos anos 80 um pequeno menino desaparece de repente e ninguém sabe onde ele está. Os seus amigos resolvem porcurá-lo por conta própria e acabam encontrando uma garotinha perdida que não fala nada no meio da floresta. E essa garotinha parece ter alguma coisa a ver com o desaparecimento do seu amigo. Realmente, muitas coisas estranhas acontecem nessa pequena cidade....
A melhor parte desse seriado são as crianças, mas quem realmente rouba a cena é a pequena Millie, que faz o personagem Eleven.

Buffy, a Caça Vampiros


O melhor seriado da minha infância e adolescência! A personagem Buffy é incrível e super feminista - e claro, o seriado é cheio de seres mágicos como vampiros, bruxas, demônios, deuses, e por aí vai. Mas é divertido e também super dramático às vezes. Eu amava Buffy! Sempre serei fã!

The Borgias

Eu sou aquela pessoa nerd que ás vezes fica obcecada por algum personagem histórico...e quando lançaram o seriado sobre a família Borgia - e pra ser mais clara, sobre o Cesare Borgia - eu fiquei mega animada. O seriado conta a história da poderosa família Borgia, cujo chefe de família virou papa durante o século XV. Eles eram muito influentes e ambiciosos, não tinham escrúpulos e faziam de tudo para se manterem no poder. Principalmente Cesare Borgia era bastante brilhante - o que chamou atenção do famoso filósofo Maquiavel, que escreveu o livro 'O Príncipe' baseado ou inspirado nas estratégias de Cesare Borgia.
O seriado conta com atores maravilhosos - principalmente François Arnaud, no papel de Cesare e Holly Grainger como Lucrezia. Eu fiquei bem triste quando não renovaram a série para a 4a temporada :(

The 100

Esse seriado é muuuuito bom! A história se passa no futuro - o que sobrou da humanidade vive num satélite depois que o planeta Terra ficou inabitável após guerras. Mas o pessoal da satélite resolve mandar 100 jovens delinquentespara a Terra como um teste para ver se eles conseguem sobreviver. Caso sim, o resto poderá seguí-los.
Então esses 100 jovens chegam na terra e aí começa tudo...é um seriado cheio de suspense, do tipo de tirar o fôlego! Não vou contar mais pois assim fica melhor para assistir. Mas vale muito a pena!

Marco Polo

Esse seriado original do Netflix é perfeito para fãs de Game of Thrones! Marco Polo conta a história de um jovem italiano que é abandonado pelo seu pai na côrte do imperador da Mongólia. Em meio aos mistérios asiáticos, lutas hipnotizantes, paisagens magníficas e o estilo deslumbrante dos povos da Mongólia, Arábia e China, a trama é tão cheia de suspense que fica difícil não querer assistir tudo de uma vez! O elenco é por 99% composto por pessoas asiáticas e árabes - o único europeu é o Marco Polo, e todos os atores são maravilhosos! A história é cheia de mulheres fortes - entre elas, imperatrizes, concubinas lutadoras, princesas guerreiras, espiãs assassinas - mais um motivo por eu amar o seriado! Recomendo demais :)

Underground

Talvez a temática da escravidão dos negros nos EUA pareça um pouco pesada e triste, mas esse seriado foca numa parte pouco ilustrada em outros filmes e seriados: a história dos escravos que fugiram das plantações e ajudaram outros escravos a escaparem. A trama envolve a preparação da fuga de um pequeno grupo de escravos - o que vemos nesse seriado é a história de muita coragem, determinação e amor, mas também de muita crueldade desumana. Os atores são maravilhosos, nos emocionam, nos fazem rir e chorar e torcer muito por eles. Eu assisti tudo tão rápido porque é impossível não torcer e querer saber o que acontece. É um seriado maravilhoso que ainda por cima nos conta uma parte da história dos EUA que merece mais ênfase: a luta de americanos negros tanto brancos contra a escravidão.
Esse ano sai a segunda temporada!

How To Get Away With Murder

Você provavelmente já ouviu falar ou até assistiu esse seriado, mas caso não: não perca mais tempo e assista já! Não dá para falar muito do seriado sem dar spoilers, por isso vai aqui um pequeno resumo: um grupo de estudantes de direito vão trabalhar com uma famosa advogada, e se envolvem em um crime. A pergunta é: como escapar de um crime sem ser pego? Você vai ficar viciado após o primeiro episódio - ok, provavelmente após os primeiros 10 minutos! Prometo!

Scandal

Olivia Pope é uma profissional que resolve qualquer problema - e é especializada em amenizar qualquer escândalo. Mesmo se o escândalo envolve o presidente dos Estados Unidos. Ela e seu time de 'gladiadores' trabalham para os mais ricos e poderosos, e conseguem abafar qualquer problema que surgiu. Mas Olivia se envolve em casos que são mais perigosos que ela imagina - afinal, um affair com o presidente não é para qualquer uma.
Para quem gosta de intrigas políticas, segredos, táticas escondidas do CIA, e muito suspense - esse seriado é pra você. Cada episódio vai te deixar querendo mais!

Filmes

Para quem precisa de dicas de filmes, aqui vão algumas:

Dirty Dancing
Esse filme é um clássico e você com certeza já assistiu - mas vale a pena ver de novo! Sinceramente perdi a conta de quantas vezes vi esse filme :) Quando eu era criança, era o meu filme preferido. Ainda curto rever filmes da minha infância, pois eles me trazem aquele mesmo sentimento que eu tinha antigamente.

O Poderoso Chefão

Eu sou fã de filmes sobre gângsters e já assisisti tudo que é obra que foca em gângster. Não sei exatamente porque gosto tanto desse gênero, mas é difícil encontrar um desses filmes que ainda não vi :) O Poderoso Chefão é obviamente o rei de todos os filmes de gângsters - Marlon Brando e Al Pacino são simplesmente o máximo!

Ex Machina

Um dos melhores psico-dramas que eu já vi! Eu me lembro que depois que acabaou o filme, eu fiquei uns 15 minutos olhando para o nada, pensando sobre o filme e a vida. Fiquei acho que um mês recomendando esse filme para todo mundo que eu conheço. É muito bom e super inteligente e os atores são tão bons, principalmente Alicia Vikander. A história é meio surreal - basicamente, o dono de algum site mega famoso (~tipo o Google~) criou robôs e quer testar se eles passam pelo teste de consciência - ou seja, se o robô entende que ele mesmo existe. Só que o robô do filme não é uma maquina pesada como a gente costuma ver em filmes, mas é algo bem mais parecido com um ser humano, com uma jovem menina. Esse robô é o personagem da Alicia Vikander. Então um funcionário desse dono do ~Google~ é escolhido para entrevistar a robô - só que a robô é tão inteligente e avançada como um ser humano. O filme basicamente questiona o que é ser uma pessoa e também é uma visão bem realista para um futuro bem próximo. Parece meio nerd e não muito interessante, mas pense num filme louco! É muito bom mesmo!

Profissão de Risco

Mais um filme sobre gângsters - e essa história ainda é real! Johnny Depp está maravilhoso nesse filme, está entre os meus preferidos dos filmes dele (apesar de que agora não sou mais fã dele, desde que agrediu a ex dele, Amber Rose!). O filme conta a história da vida de George Jung, o homem que estabeleceu o comércio de cocaína nos EUA nos anos 60-70 . Esse filme é muito, muito bom.

Belle

Esse drama histórico é focado na vida de uma filha ilegítima de um homem rico da Inglaterra, a Dido Elizabeth Belle, que foi uma pessoa importante na abolição da escravidão na Inglaterra. É uma história verídica e tem uma história de amor muito legal no meio :)

Minha Mãe é uma Sereia

O elenco conta com ninguém menos do que Cher (!!), uma jovem Winona Ryder e a fofíssima Christina Ricci - e as três são maravilhosas nesse filme. É um típico filme dos anos 80, não tem nada de efeitos ou uma trama muito sofisticada, mas me emociona e diverte pela simplicidade, a ótima atuação e a temática, com qual me identifiquei muito. A mãe das duas meninas tem mania de simplesmente se mudar quando enjoa de uma cidade; as duas meninas têm as suas obsessões: a pequena quer ser nadadora, e a personagem de Winona sonha em ser freira! É muito engraçado! Ela é dramática, típica adolescente e não quer ser como a mãe dela de jeito nenhum, mas acaba sendo igualzinha. Pelo humor e pela atuação da Winona, me lembra muito o filme "Atração Mortal", que hoje é um filme cult e é um dos grandes favoritos dos fãs da Winona.

Encontro Marcado

O Brad Pitt está maravilhoso nesse filme - acho que é um dos filmes em que ele está mais lindo. Bom, se isso não é motivo suficiente para assistir o filme, a história também é muito boa e original: a morte resolve vir para o mundo como um ser humano e já que a morte não é nada burra, ela vem no corpo de Brad Pitt para descobrir um pouco sobre os seres humanos e para se apaixonar.
É dos anos 90 e acho que já vi umas 100 vezes mais vou continuar assistindo porque é muito bom!

Lendas da Paixão

Já que estamos falando de Brad Pitt e lindeza, é bom você fazer uma maratona dos filmes dele dos anos 90. Ele estava lindo de morrer em todos e os filmes são muito bons! Lembram de "Entrevista com um Vampiro" (bom, nesse ele não está tão lindo assim....)? Em Lendas da Paixão ele também tem cabelo comprido, mas está bronzeado e parecendo um cowboy. O filme conta a história de três irmãos nos EUA dos anos 1900 - e depois da Primeira Guerra Mundial, os dois irmãos que sobrevivem, voltam para casa e acabam se apaixonando pela mesma mulher, que era a noiva do irmão morto. Opa, isso aí não vai dar certo...Melhor você assistir para ver o que acontece!

 Romeo + Julieta

Os anos 90 não foram só os anos dourados de Brad Pitt, mas também de Leonardo Dicaprio. Ele virou um mega ídolo teen quando surgiu Titanic, mas antes disso ele já tinha estrelado como Romeo no filme de Baz Luhrman (que também dirigiu Moulin Rouge). Esse é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos - pelos visuais, pela estética, pelo combinação do texto original de Shakespeare com a cafonice dos anos 90. Eu amo esse filme, e tem tantas cenas épicas! Sem falar na trilha sonora que também é maravilhosa.

Edward Mãos de Tesoura

Desculpem pelo excesso de filmes dos anos 90, mas é que tem tantos que eu amo de paixão que são dessa década. Quem nunca viu Edward Mãos de Tesouras precisa assistir esse filme icônico! É tão lindo - é uma espécie de mistura com ET, Frankenstein e um conto de fadas moderno. Edward mora sozinho num castelo e uma vendedora de Avon resolve trazê-lo para morar com a sua família. No início Edward se torna uma celebridade por ser tão diferente, mas logo as coisas vão caminhando para o pior...
Ser diferente não é fácil e a aparência de alguém não diz nada sobre o seu coração - e parece que era isso que Tim Burton queria contar com essa história.

Gilda

OK, eu devo parecer uma pessoa meio esquisita que não assiste filmes atuais - o que não é verdade, assisto realmente filmes de todos os tempos. Alguns clássicos são simplesmente maravilhosos, como Gilda, um filme noir dos anos 40. É uma história de amor-ódio e estrela Rita Hayworth no seu famoso papel de femme fatale.

Anna Karenina

Dessa vez é um filme mais recente :) apesar de que a história não é. Amei o filme estrelado por Keira Knightley, mas ele é bem diferente e nem todos vão gostar. Demonstra muito bem o excesso de luxo e decadência da nobreza russa e é romántico e melancólico como o romance. Visualmente é uma obra de arte.

Garotas Malvadas

Quem não viu esse filme? Meio difícil alguém não ter visto, já que é um clássico dos nossos tempos. Mas é o filme perfeito para se esquecer um pouco da vida real e rir, sonhar e sofrer com o grupinho de garotas malvadas.

Guerra e Paz 

Não é um filme e nem um seriado, é uma mini série com 6 capítulos e conta o drama do livro famoso de Léo Tolstoi na antiga Rússia na época da guerra contra Napoleão. A história gira em torno de várias famílias nobres de Moscou, que estão todos de uma maneira ou outra conectados entre si. Romances começam e acabam, a guerra força jovens ricos a ficarem adultos, famílias perdem toda a sua riqueza, filhos tentam encontrar o amor dos seus pais e por fundo vem a pergunta: qual é o sentido dessa vida? Porque estamos aqui? A vida é só guerra e paz? Super bem dirigido, as filmagens foram todas feitas na Rússia mesmo, os atores são de primeira categoria, e a cena de Natasha e Andrej dançando no Baile de Inverno é uma das cenas mais linda da televisão.

Os Infiltrados

Como já disse, amo filmes sobre gângsters :) Os Infiltrados é tão inteligente e claro, os atores são ótimos: Leonardo Dicaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg. Ganhou até o Oscar de Melhor Filme - e merecido, pois a trama é super inteligente. O resumo rápido é: dois homens entram para a polícia - um é meio pobre com família já envolvida em tráfico e gangues - o outro é todo exemplar, só que no fundo ele é da máfia e foi infiltrado na polícia. O que tem a família meio suspeita é infiltrado na máfia pela polícia. E assim o jogo começa, mas ninguém sabe quem é o rato. Só a gente assistindo, claro.

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Vou parar por aqui se não esse post vai ficar muito comprido. Espero que vocês encontrem um ou outro título que vocês gostem.

Beijos,
Ju