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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Meninas estranhas e a arte de se apaixonar por si mesma



A minha vida toda sonhei em encontrar o meu grande amor, a minha alma gêmea. Quando era adolescente, eu e minhas amigas fazíamos listas mentais de todas as características desejáveis e indesejáveis do homem dos nossos sonhos. "Alto, musculoso - mas não musculoso demais - com olhos bonitos e dentes perfeitos! Ah, e claro, ele se veste muito bem." Ou: "Tem cabelo cacheado e olhos verdes, porque eu quero que meus filhos tenham cabelo cacheado e olhos verdes." Ah, e claro: "Ele é inteligente, engraçado, e eu sou a pessoa mais importante da vida dele." 
Nós sabíamos muito bem o que queríamos. E acreditávamos que tudo aquilo que a gente pedia num homem era completamente razoável e normal. Sim, esse homem, do jeitinho que a gente queria, exisitia em algum lugar e encontrá-lo era certo. Ponto final.

Com o tempo encontramos rapazes e namoramos, ou saímos em alguns encontros casuais, e percebemos que não é bem assim como pensávamos. Aquela ideia geral do amor e das pessoas acaba se modificando, e logo começamos a escutar o que as mulheres mais velhas dizem. Que nós somos muito exigentes. Que o príncipe encantado, do jeito que queríamos, não existe. Que se continuarmos sonhando desse jeito, ficaríamos sozinhas para sempre. E algumas de nós acabam chegando à conclusão que essas mulheres mais experientes têm razão - e dá próxima vez que encontrarem um rapaz que não é um completo idiota elas resolvem deixar as "ilusões" de menina para trás e aceitar um namoro com um homem que talvez não é como sonhavam, mas é legal o suficiente.


Mas algumas de nós são teimosas. Algumas de nós talvez têm as cabeças nas nuvens, mas por mais que sonhamos, nós sabemos o que queremos. Algumas de nós talvez vão ficar sozinhas por um bom tempo, sim. Mas não porque ninguém "nos quer", como algumas pessoas gostam de dizer - mas porque nós não aceitamos menos do que merecemos. Eu digo uma coisa para você, para mim mesma, e para qualquer amiga que eu tenho: Nós merecemos o amor dos nossos sonhos. Existem homens do jeito que você sempre sonhou - e um dia você vai conhecê-lo. 
Mulheres às vezes se sentem pressionadas a estarem namorando, pois uma mulher solteira ainda tem um outro status social que um homem solteiro. Acabamos optando por namorar com um cara mais ou menos legal, que não é "lá essas coisas", mas temos talvez receio de deixá-lo ir para depois nos arrependermos. 

"Eu não acho que nós somos o problema. Acho que são os homens de hoje."
Eu sei bem disso. Eu sempre fui a menina "difícil", que é uma maneira estranha de dizer que eu sempre soube muito bem quem eu sou e que tipo de homem que eu gosto (ou não). Sempre ouvi de outras pessoas que eu era exigente demais - ou chata demais, dependendo da pessoa. E sabe de uma coisa? Eu sou chata mesmo. Eu sou exigente pra caramba! Até para escolher um creme pro rosto eu escolho horrores - imagina então para ter um compromisso com alguém. Tem que ser uma pessoa muito legal para eu alterar a minha rotina e encaixá-lo no meio da minha vida corrida.

Já me senti culpada algumas vezes por não ter continuado a me encontrar com certos rapazes, porque escutava os comentários de que eu ficaria sozinha pelo resto da minha vida. E alguns dos rapazes talvez até eram legais, mas no fundo eu sabia que não combinavam comigo. Isso não tem a ver com arrogância ou futilidade - isso é simplesmente o que acontece quando você tem amor próprio e sabe quem você é.

"Garotas estranhas. Elas conseguem casar como outras garotas? Conseguem ter filhos? Conseguem ser felizes do jeito que sao? Porque elas nasceram?" - tradução livre
Mas mesmo assim, ficar sozinha não é exatamente o que queremos, né? Então como muitas outras mulheres da minha geração, instalei alguns aplicativos de namoro depois de algumas amigas sugerirem que isso é divertido. Bom, divertido eu não achei não. Small talk, aquelas conversas forçadas, são um saco e eu não curto muito ficar falando da minha vida pessoal com estranhos. Pouquíssimos sabem realmente puxar uma conversa. Existem pessoas que gostam desse tipo de coisa - conseguem se divertir com o Tinder. Tenho amigas que estão nesse aplicativo e já saíram com vários homens e fizeram até algumas amizades através do aplicativo. Eu acho maravilhoso ver como a tecnologia consegue realmente unir as pessoas e adoro ler aquelas histórias lindas onde algum casal se conheceu na internet ou no Tinder e acabaram casando.
Mas para mim, o Tinder não deu certo. Acho que as pessoas nesse aplicativo ainda têm uma visão bastante imatura sobre relacionamentos e amor. Sabe o que eu mencionei no primeiro parágrafo - que eu e minhas amigas adolescentes tinhamos uma visão certa do nosso homem ideal? As pessoas no Tinder e as minhas amigas que o usam parecem estarem presas a isso até hoje. Quando me perguntavam: "O que você faz? Qual o seu trabalho?" ou "O que você gosta de fazer no seu tempo livre?", me dava vontade se desinstalar o aplicativo na hora. Porque sinceramente, qual a real importância disso? Você vai escolher um parceiro baseado na profissão e nos "hobbies" dele? Porque não fazer perguntas que realmente importam?

O que uma pessoa faz, o que ela estudou, o que tipo de esporte ela pratica - isso não define a pessoa. Teve um homem que me escreveu uma lista de perguntas, do tipo "você é atlética? Pratica esporte? Faz o quê?" e realmente parecia uma pessoa que tem uma visão bem detalhada de como a sua futura namorada deve ser. Assim como as minhas amigas às vezes comentam - "Conheci um cara legal, mas ele é recepcionista de um hotel..." e "Eu saí com um rapaz, mas ele é muito nerd, ele gosta de Star Wars e essas coisas." ou "Não estou mais a fim daquele cara, ela usa roupa apertada e anéis."
Tudo bem que existem pessoas que têm características muito incompatíveis com a nossa personalidade. Mas para você perceber isso não adianta sair somente uma vez com a pessoa. Tinder é fast dating, o equivalente de fast food. Rápido, prático, feito para satisfazer e pronto. E por mais que muitas pessoas realmente consigam encontrar gente interessante através do Tinder, para mim é oco demais.
"Só me envolvo com pessoas que acho intelectualmente estimulantes."
Claro que eu também gostaria de conhecer um cara que é bem sucedido - que é um empresário, ou advogado ou sei lá, alguma coisa estável. Mas eu não me fecho perante a possibilidade de encontrar um músico falido, ou um professor de ciências ou sei lá, um cowboy. Eu não sei o que a vida preparou para mim e estou aberta para surpresas. Pode ser que na minha visão a melhor opção para o meu futuro marido seja um homem rico com um emprego impressionante - mas talvez o verdadeiro amor da minha vida é um artista sem dinheiro. Talvez é essa pessoa que vai ter uma conexã profunda e espritiual comigo, e não o cara que deu certo na vida.

Eu tenho apenas 26 anos de idade mas aprendi uma coisa: a vida é curta e preciosa demais para perdermos tempo com tudo aquilo que não nos faz feliz e que não nos enriquece. E quando digo enriquecer, é num sentido mais amplo do que valor material. Antigamente eu pensava que eu precisava de vários amigos, várias pessoas para preencherem um vazio dentro de mim. Com o tempo eu descobri que o que faltava era o amor próprio - compaixão, carinho e paciência comigo mesma. Hoje eu não me forço mais a ter amizades com pessoas que não me fazem feliz. Eu não me forço mais a ser de um jeito que agrada as pessoas. Não me forço a ir para lugares quando não estou a fim. Hoje eu olho para mim e vejo a pessoa que eu realmente sou e eu cuido de mim como eu mereço ser cuidada. Eu não preciso de vários amigos - só de alguns poucos que me entendem, que me trazem uma energia boa. A mesma coisa vale para um homem: tem que combinar. Se não combinar, não quero. E é isso que traz liberdade. Sinceramente? As pessoas têm medo de mulheres com auto estima saudável. Amor próprio em meninas parece ser ameaçador. Quem tiver medo, que corra então.


Não precisamos nos forçar a sermos do jeito certo. Um dia todas as peças vão se encaixar. No meu caso, eu dou graças ao Universo por tudo ter se encaixado - de um jeito que ainda deixou espaço para aventuras, lutas e vitórias (pois ninguém gosta de uma vida 100% certinha!). Mas eu queria muito fazer as minhas amigas verem isso também. Eu queria que elas entendessem o quanto elas são maravilhosas, especiais, merecedoras de um amor dos sonhos. Eu queria que todo mundo conseguisse ver isso.

Eu resolvi desinstalar o Tinder e deixar o fast dating pra lá. Tentei, não gostei. E todas as vezes que uma das minhas amigas ficam tristes ou inseguras por causa de um encontro com um rapaz, eu queria dizer que talvez elas precisam deixar a lista mental do homem "perfeito" de lado; que talvez elas precisam primeiro pensar nelas e viverem sua vida e se fazerem felizes antes de pensar num relacionamento. Talvez elas precisam aprender a confiar mais na vida, e a entender que nem tudo que queremos é realmente bom para nós. Que às vezes a vida tem planos que primeiro possam parecerem confusos e assustadores mas que no final trazem mais felicidade que a gente jamais imaginava alcançar. Mas tudo isso temos que aprender e enxergar sozinhas.
Estranhas ou não, todas meninas mais cedo ou mais tarde descobrem que o amor está mais perto do que elas imaginavam. O amor da sua vida, irmã, é você.


*Escrevi isso em 2017, mas achei que deveria publicar :)
Beijos,
Ju

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Como consumir de forma consciente e evitar lixo


Já escrevi um pouco sobre cosméticos ecologicamente corretos e marcas de produtos de beleza que seguem a linha orgânica, cruelty free e sustentável. Estou atualmente tentando adaptar os meus hábitos consumistas e quero compartilhar um pouco sobre isso por aqui :)

Consumo - e o que ele significa


Eu sou muito consumista. Demais. No Brasil, eu vivia indo aos shoppings e aqui na Alemanha adoro passear pelas ruas principais das cidades e entrar nas lojas. Ás vezes eu nem compro nada - eu só passeio e observo, faço pesquisa de preços e vejo as novidades. Mas muitas vezes eu levo alguma coisinha para casa, sim. Faço a mesma coisa nas lojas online - monto o meu carrinho com produtos que queria comprar só para no final sair do site antes de prejudicar ainda mais a minha conta bancária.
Comprar coisas novas é divertido, e eu adoro. É quase um vício. E quase todo mundo "sofre" desse vício. Tenho amigas que são loucas por objetos para casa, por exemplo. Uma delas é a louca das tigelas. Ela adora comprar tigelinhas coloridas e já tem um monte.
E gostar de comprar coisas em primeiro momento não parece um problema, enquanto a pessoa tiver dinheiro. Mas essa é exatamente a questão. Consumo em excesso é um problema enorme. E como de costume, poucas pessoas falam desse problema.

Qualquer uma de vocês pode ler mais sobre o assunto se quiser, mas eu vou resumir: Tudo o que compramos é, de uma maneira ultra-realista, futuro lixo. Tudo, ao menos a comida que comemos. Porém, até mesmo a nossa comida vem em embalagens de plástico ou papel. Então, 99% daquilo que consumimos é lixo ou vai se tornar lixo em alguns poucos anos, meses ou até semanas. Para nós, esse ciclo acaba quando botamos a coisa na lixeira. Nem pensamos sobre o destino daquilo, né! É lixo, ué. Bom, esse lixo muitas vezes vai para o lixão, para a reciclagem, muitas vezes acaba no oceano. O planeta terra tem um grande problema de lixo. A natureza e os animais sofrem com esse excesso de lixo. E do jeito que as coisas estão, esse problema parece só aumentar.


De um lado, produzimos muito lixo - e de outro lado, produzimos muitos produtos, que se tornarão lixo em breve. É um ciclo vicioso, uma maquina que é alimentada pela ganância de grandes empresas e ignorância dos seus consumidores. Mas nem tudo está perdido - pois você também é um consumidor e você também tem o poder de fazer uma diferença. Pode parecer pequena, essa diferença. Mas qualquer movimento, qualquer mudança, começou com alguns indivíduos e aos poucos foi se alastrando para a sociedade inteira. Então a sua compra, o seu dinheiro, é importante. E muitas vezes é o único poder que temos - sem nos dar conta disso. É fácil se sentir insignificante num mundo de 7 bilhões de pessoas, mas justamente o seu hábito de consumo é o seu poder. Você pode ser um cidadão consciente, que utiliza o seu poder de compra como uma peqeuna revolução - ou você pode continuar jogando o jogo dos grandes, onde todos - inclusive o planeta - perdem, e só o bilionário ganha (mais ainda).

O que isso significa de verdade?

É simples. Você recebe o seu salário. Você pode gastar esse dinheiro com X coisas - e as grandes marcas fazem de tudo para que você gaste o seu dinheiro com eles. Você ao invés de dar mais 50 Reais para uma loja como a ZARA, que produz por ano mais de 1 bilhão de unidades no mundo (sim, 1 BILHÃO de unidades por ano), você pode gastar esses 50 Reais com uma marca pequena, que produz pouco mas com qualidade. Você pode usar o seu dinheiro para apoiar e incentivar marcas que estão no caminho certo e que se importam com o nosso planeta.

Ou você pode gastar o seu dinheiro nas grandes lojas de roupa, chamados de "fast fashion" - e depois de pouco tempo doar aquela roupa ou até jogar fora, pois já está cheia de "bolinha" no tecido, ou furou e rasgou, ou saiu de moda.


A decisão é nossa e o poder também é nosso. 
Você não é insignificante, pois você faz parte do ciclo de consumo. E você é a peça mais importante, pois o dinheiro vem do seu bolso. No momento que você perceber isso, você se torna mais consciente sobre onde e em quê você quer investir o seu salário.

Fast Fashion X Quality Fashion

Eu comprei uma blusa no estilo Carmen esse verão. É uma dessas que deixa os ombros à mostra. Estava na promoção, uns 5 Euros. Comprei. Está até hoje no meu armário, nunca usei. Agora o verão europeu já passou e não sei se usarei essa blusa no ano que vem. Gastei esses 5 Euros com algo que eu não precisava. Nem pensei muito antes de comprar.
Isso é fast fashion. Barato. Bonitinho. Você leva sem pensar muito. E depois percebe que só usou 2 vezes ao ano e nem gosta mais do corte.

Outra vez, comprei uma meia-calça preta mais grossa para usar quando tivesse mais frio. Eu usava com vestidos e saias, e usei realmente muito. Uma vez rasgou um pouco e eu pinguei esmalte transparente para o furo não aumentar. Não dava para notar, então continuei usando. Esse ano me dei conta que essa meia-calça já estava sendo usada há 10 anos. Sim, uma decada! E sobreviveu dez anos à lavagens na maquina e à noites dançando. Quando eu comprei a meia, poderia ter comprado uma mais barata, sim - mas teria durado talvez um ano (como várias outras meia-calças minhas). Investir em um produto de melhor qualidade significa também que você vai poder evitar lixo. E olha, o planeta agradece.

Não só o planeta - o seu armário e consequentemente, a organização da casa. No feng shui se diz que o minimalismo é o segredo para a paz. Quanto mais nós acumulamos, mais bagagem carregamos conosco. Desapegar-se faz bem, mas sabe o que é melhor ainda? Evitar novos desapegos não comprando em excesso coisas que você não precisa! Dessa forma você vai economizar e poder investir em produtos de qualidade - ou numa viagem, se preferir. Consumo em excesso é algo que precisamos - devemos - evitar e vai nos fazer muito bem.

Vegano nem sempre quer dizer sustentável


Enquanto é legal poder apoiar marcas que não usam material de origem animal como couro ou lã, é também importante saber que muitas marcas acabam utilizando produtos tóxicos e de plásticos baratos para substituir o couro. Algumas marcas por exemplo utilizam PVC que é um plástico muito tóxico para o meio ambiente (ele é composto por cloro e petróleo).
Então quem realmente quer ajudar o meio ambiente deveria verificar sempre de que um produto foi feito e se aquilo é prejudicial ao meio ambiente.

De outro lado, é muito bom ver que grandes marcas estão se conscientizando no assunto de moda sem crueldade. A grande marca italiana GUCCI anunciou há pouco que não venderá mais peças com pele animal a partir de 2018 e que fará um leilão com as peças de pele animal atuais, doando todo o valor leiloado para uma ONG italiana que luta pelos animais. A marca sempre foi bastante ativa em relação à apoio à caridades e ONGs, além de ter sido uma das primeiras marcas de luxo a anunciar um plano de sustentabilidade.

E agora -  como começo?


O primeiro passo seria se desapegar de todas aquelas roupas, bolsas, sapatos que você não usou durante o ano inteiro. Claro, um vestido que você guarda para ocasiões especiais que não ocorrem todo ano você vai continuar guardando. Mas aquelas blusas e calças e vestidos que você nem lembra mais quando usou pela última vez - fora com isso, menina! Livre-se de coisas que você não precisa!

Organize então um troca-troca com as amigas! É super divertido. Existem várias dicas de como realizar um troca-troca legal.

Sobraram peças? São boas e você está precisando de uma grana extra? Tente vender no Mercadolivre ou em algum site de roupas usadas como enjoei.com - Isso inclusive é um ótimo jeito de consumir de maneira sustentável. "Second hand" é super popular na Alemanha, e sempre temos feiras de roupas e objetos usados durante os meses quentes. Berlin é famosa pelos seus "mercados de pulga". Você consegue achar muitas peças diferentes por um preço baixo, e não está contribuindo com a poluição do meio ambiente :)

Doação - todos nós fazemos e é sempre bom ajudar o próximo!

Comprar:

A opção realmente sustentável seria comprar peças de segunda mão num brechó, como fazem aqui na Alemanha. Eu ADORO participar de feirinhas de coisas usadas! É muito divertido. No Brasil isso ainda não é muito comum, mas quem sabe você encontra um! Na internet também existem muitas lojinhas brechós.

Usar o seu poder de compra com marcas sustentáveis, inovadoras e creativas é muito mais divertido - sem falar na sua consciência limpa e sentimento de ter feito algo bom para o planeta. Existem muitas marcas novas de empreendedores que realmente se esforçam para fazer a diferença. São marcas que têm produções pequenas, peças diferentes e condições de trabalho boas. Claro que o valor das peças é muitas vezes bem mais caro. Mas a qualidade é outra, e a peça vai durar muito mais tempo.

Mas nem todas as marcas grandes são necessariamente "inimigos do meio ambiente". Muitas estão realmente se esforçando para produzirem roupas sem tóxicos e transformar a sua produção em um processo mais ecologicamente correto. Em parceria com a Greenpeace várias marcas mundias prometem melhorar a sua produção de roupas até 2020. Essa é a meta - atualmente 76 marcas estão participando desta campanha chamada Detox. Isso são 15% de toda a indústria de têxtis. Entre os participantes estão a ZARA (Grupo Inditex), H&M, C&A, Adidas, Nike, Puma, Mango e outros.

A Greenpeace disponibiliza um resumo (atualmente não tem a versão em português) das atividades dos participantes, mostrando onde eles brilharam e onde ainda precisam melhorar. O interessante é que marcas mais baratas como a ZARA e H&M estão entre os melhores (junto com a marca Benetton), lojas super baratas como a PRIMARK estão entre as marcas na categoria "Em Evolução", enquanto marcas de luxo como Armani, D&G, Louis Vuitton e Versace (entre outros) estão entre o grupo "Toxic Addicts" (trad. "Viciados em tóxico"). Pagar mais caro não é sinônimo de receber um produto bom.

Só encontrei o resumo em inglês e alemão por enquanto. É muito interessante e vale a pena olhar a lista e ver quais empresas são os mais esforçados na questão de eliminar tóxicos, economizar água e não prejudicar o meio ambiente. Você também pode assinar a petição Greenpeace.

Compartilhe esta lista e petição com amigos e incentive pessoas a prestarem atenção nesse tema. Use a sua voz e escreva para as empresas pedindo que melhorem a sua relação com o meio ambiente. Cada mensagem é importante pois acredite, você não será a única pessoa que estará escrevendo. Juntos podemos fazer muitas coisas - e pelo menos ninguém pode dizer que não tentamos.

Um resumo do resumo:
O melhor entre as marcas de artigos de esporte está a Adidas - essa marca recebeu muitas críticas em 2014 por ter muito lixo tóxico na produção dos seus artigos. A Adidas escutou e resolveu melhorar - e hoje é a mais sustentável entre os concorrentes. Claro, isso não quer dizer muito pois a maioria das marcas não são ecologicamente corretas, mas é um começo!

A C&A apesar de ainda estar na categoria "Em Evolução" (e não "Vanguarda" como a Zara) recebeu elogios da Greenpeace pela sua alta transparência. A C&A oferece uma lista extensa com todos os seus fornecedores por região, mostrando assim de onde vem o material para produção.

A Nike está entre o grupo "Faux Pas" ("Deslize" ou "Passo para trás") - eles não eliminaram tóxicos por completo da sua produção. Um dos piores tóxicos, o PFC, só foi eliminado em 90% das peças da Nike e a marca ainda não mostrou dedicação para eliminá-los por completo (enquanto quase todas as outras marcas já eliminaram esse tipo de tóxico). Além disso, a Greenpeace também critica que a Nike não verifica a descarga dos produtos químicos dos seus fornecedores e ainda não apresentou planos para mudar isso.

Eu por minha parte quero gastar o meu dinheiro a partir de agora com marcas que se dedicam e mostram responsabilidade com o nosso planeta, e que não produzem exageradamente. Futuramente quando eu tiver com um salário mais alto, poderei me comprometer de comprar mais com marcas menores e bem sustentáveis. Claro que depende muito da nossa situação financeira o que podemos fazer, mas evitar o excesso de consumo é algo que todos somos capazes.

Alguns famosos também já estão mostrando bastante consciência sobre marcas e um estilo de vida sustentável - inspira-se neles!
Yasmin Brunet - ela é vegetariana e sempre posta dicas de marcas veganas e sustentáveis no seu Instagram. Ela está preparando um site próprio onde vai apresentar as suas marcas favoritas.

Emma Watson - ela recentemente mostrou-se bastante engajada em incentivar marcas a serem mais sustentáveis e usou somente marcas ecológicamente corretas durante o seu tour de imprensa pelo mundo para o filme A Bela e a Fera. Ela criou um perfil no Instagram The Press Tour onde posta todos os detalhes sobre as roupas usadas em eventos. Apesar de que são roupas de gala e vestidos que quase nenhuma pessoa usaria na vida real, o foco que Emma trouxe para o assunto de sustentabilidade na moda é bastante admirável. Leia também a sua entrevista (em inglês) com o blog Into the Gloss onde Emma conta todos os produtos de beleza que ela gosta.

Natalie Portman - a atriz é vegetariana desde a infância e também se dedica à causa. Hoje em dia ela é vegana e criou uma linha de sapatos veganos para a marca Té Casan, pois ela sempre achava difícil encontrar sapatos sem material de origem animal.

Elizabeth Olsen - a "metade" das gêmeas Olsen sempre usou a sua voz para protestar contra o abuso de animais e ela tem uma marca de sapatos chamada OlsenHouse Pure Vegan que só utiliza materiais veganos. O legal é que a composição das suas peças contém materias sustentáveis como lona e cortiça, e pouco plástico.

Olivia Wilde - a atriz vegana é muito dedicada a incentivar e apoiar marcas sustentáveis e fair trade. Ela co-criou uma agência chamada Conscious Commerce que verifica se o dinheiro de compras realmente está sendo entregue às pessoas que produziram o produto comprado, além de criar novos modelos de business para empresas que querem se tornar mais eco-friendly. Olivia Wilde também foi o rosto da campanha de uma nova linha sustentável da grande marca de roupas H&M (concorrente da Zara que infelizmente ainda não existe no Brasil) e atualmente é a nova embaixatriz e ativista para uma marca de produtos de beleza não-tóxicos, True Botanicals.

E para quem quiser ver algumas marcas brasileiras veganas, eis aqui uma ótima lista.

***

Como sempre, escrevi demais - então obrigada para você que leu até o final :) O que você acha de consumo em excesso? Você conhece alguma marca que gostaria de compartilhar? Conte nos comentários!

Beijos
Ju


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O sonho de um mundo melhor: O que podemos fazer AGORA?


Há quase três semana atrás, no dia 21 de janeiro de 2017, participei aqui em Frankfurt da Marcha das Mulheres - Women's March Frankfurt - uma das marchas organizadas em soliedaridade com a marcha de Washington e em protesto ao machismo, racismo e homofobia do novo presidente dos EUA, Donald Trump. Essa marcha das mulheres ocorreu em cidades como Sydney (Austrália) com aprox. 5000 pessoas, Cidade do Cabo (Africa do Sul), Nairobi (Quenia), Paris (França), Cidade do México, Londres com 100 mil pessoas! - além de protestos também na Grécia, República Tcheca e Espanha, entre outros.
Em Frankfurt tivemos a participação de 2100 pessoas na marcha. Pessoas de todas as idades participaram - mulheres jovens e idosas, adolescentes, crianças com os seus pais e irmãos, homens jovens e mais velhos. Mulheres muçulmanas como pessoas da comunidade LGBTQ participaram, e inclusive particparam de palestras depois. O clima foi muito amigável e positivo, gritávamos várias frases como "Meu corpo, minha escolha", "Igualdade já", "Black Lives Matter", "Sim significa sim, e não significa NÃO!". A polícia acompanhou todo o trajeto e organizou os espaços, inclusive alertando pelo auto-falante para onde deveríamos ir a fim de que todos coubessem nas ruas ou na praça no final. Ficou bem claro que fazíamos parte de um grupo privilegiado de manifestantes - pois a polícia pode ser pacífica na Alemanha, mas se um grupo de 2000 pessoas de negros ou árabes tivessem protestando, tenho certeza que o policiamento seria bem diferente.



Foi para isso que duas palestrantes de um grupo universitário chamado People of Color alertaram: a nova antiga política racista está surgindo novamente na Europa, e o racismo está se tornando comum novamente. Comentários que há alguns anos atrás causariam horror na sociedade alemã, já estão sendo tratados com normalidade hoje em dia. Donald Trump tornou-se presidente dos EUA e infelizmente deu força a vários políticos com discursos parecidos a dele: medo, ódio e preconceito conseguiram ganhar força não só nos EUA, mas também na Europa e no Brasil. Os fãs do Bolsonaro, por exemplo, aparecem em todas as publicações nas redes sociais na seção dos comentários, espalhando discursos de ódio, o que causa uma grande preocupação aos observadores. Será que Trump foi só o início? Será que outros como ele estão prestes a tomar o poder dos nossos países?



Aqui na Alemanha a preocupação começa a ficar maior. Não se vota diretamente em um presidente como acontece no Brasil. Aqui votamos no partido, esse escolhe o seu representante e dependendo da porcentagem de votos o partido ganha mais poder e participação no Bundestag, onde as leis são definidas. Um partido da extrema direita, o Afd, está crescendo rapidamente. As pessoas estão cansadas dos "velhos partidos", os partidos mais convencionais como o CSU (partido da Angela Merkel) e o SPD (partido democrático, leve esquerda), e aos poucos estão se aproximando de um partido que fala o que muitos pensam: Alemanha para alemães, fora refugiados! O que dá poder ao partido não são boas propostas políticas, mas o medo que muitos alemães têm. O medo do estranho, o medo do novo.

"O lugar de uma mulher é na resistência." Amei essa frase!
Tudo isso, todos esses acontecimentos, causam muita preocupação em nós que sonhamos com um mundo mais inclusivo, diverso, livre. Um mundo onde todos, independente da cor, religião ou orientação sexual, possam ter as mesmas oportunidades e os mesmos direitos. Eu estou preocupada e é por isso que quis participar da Marcha das Mulheres, para fazer a minha parte e mostrar ao mundo que não vamos nos calar. Que vamos continuar lutando por aquilo que acreditamos: liberdade, igualdade e respeito.

Mas depois que a animação e euforia da marcha passou, eu me peguei pensando: e agora? O que fazemos depois do protesto? Qual será o próximo passo?

2016 foi um ano difícil, mas para que 2017 seja diferente, nós precisamos ser diferentes, e agir de modo diferente. Não adianta só ficar preocupada, e não adianta só participar de um protesto. Se queremos um mundo melhor, temos que fazer algo também.

O que podemos fazer agora:

- Support your local girl gang: 


Pesquise pelo Facebook ou Google por grupos de mulheres, grupos feministas, ou grupos políticos que te interessam. Talvez exista algum grupo de debate, de uma universidade ou somente pessoas que querem se reunir e fazer a sua parte. E quem sabe, talvez você mesma queira criar um grupo próprio e juntar-se com amigas que também queiram se tornar mais ativas. Grupos também podem ser apenas virtuais - podem focar em livros, em eventos, ou podem ser bem informais só para termos um espaço para compartilhar assuntos - isso também é importante, termos espaços para dialogar e combater os pensamentos antigos que não deveriam mais estarem presentes nas mentes das pessoas. Enfim, sejamos mais criativas, abertas e corajosas - e quem sabe você não encontra várias pessoas legais e faça novas amizades!


- Vamos nos apoiar - seja no dia-a-dia ou nas redes sociais!


 Silêncio também é uma resposta. Virar as costas é o mesmo do que apoiar alguma injustiça. "Se você for neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor."- Desmond Tutu.
Claro, isso exige coragem. Dizer algo, levantar a voz e apontar para uma injustiça, protestar contra algo errado - tudo isso exige coragem de nós. Mas precisamos ser corajosos. Chegamos ao ano de 2017, e o mundo já conquistou tantos progressos. Ainda não chegamos aonde precisamos chegar. Racismo não é algo raro - quantas vezes ficamos diante de cenas e pessoas racistas? Precisamos sim protestar! Isso nem sempre significa que você terá de levantar a voz em frente a uma multidão - um pequeno protesto em família, com colegas de trabalho ou amigos também é um sinal. Piadas racistas, homofóbicas e machistas transmitem uma mensagem errada sobre temas que são sérios. E dessa forma ridicularizam as pessoas que sofrem com discriminação todos os dias. Você não quer ser chata? Não quer que dizem que você está de mimimi? OK, então escolha o caminho mais fácil, seja uma cúmplice do racismo, do machismo. Não levante a voz, não fale que é errado. Assim como os alemães não fizeram quando os nazistas estavam ganhando poder. Quem sabe se mais pessoas naquela época tivessem dito algo, a história poderia ter sido outra.
Então: vamos apoiar uma a outra. Vamos ser pessoas corajosas. Vamos abrir a nossa mente e respeitar as diferenças - e exigir respeito. Não vamos ser covardes e mostrar as costas para quem precisa de ajuda. Vamos ser tão corajosas como as pessoas que lutaram pelos direitos que temos hoje.


- Eduque-se!


Leia livros feministas, livros de história, informe-se sobre os seus direitos. Entenda o passado e o que nos levou até aqui. Eu li um livro sobre sete mulheres que viveram durante a Revolução Francesa, um livro que aborda todos os lados da revolução: mulheres pobres, da classe média, mulheres influentes e ricas. O papel da mulher na Revolução. Aprendi tanto com aquele livro - não fazia ideia de várias coisas. Naquela época, século XVIII, mulheres eram vistas como seres misteriosos - basicamente não eram vistas como pessoas. Elas também não contavam como cidadão, eram cidadãos passivos. Uma coisa que me espantou muito foi quando li um livro sobre a vida de uma jovem menina na França antes da revolução. Após a morte do pai dela, o irmão dela tinha a guarda sob ela. Ele organizou o casamento dela com um homem rico, que claro, era bem mais velho. O casamento foi infeliz e o marido morreu após pouco tempo. Como ele não se importava com ela, ele não deixou nada para ela de herança - só se ela tivesse tido um filho homem ela teria recebido algo (que seria na verdade do filho). Ela então inventou que estava de fato grávida, para não ficar na rua, pois a casa onde morava passou a pertencer ao primo do marido falecido. Ela acabou tendo que voltar para o irmão, que queria que ela se tornasse freira. Ela então fugiu para Paris e procurou um emprego, porém, como ela era de uma boa família, ninguém queria a contratar pois seria contra a vontade do irmão dela, e não queriam se meter com o irmão. Ela não encontrava um trabalho como lojista pois não tinha experiência com isso, além da humilhação (uma mulher de boa família que trabalhava era mal visto, pois todas normalmente casavam). A última opção seria a prostituição, que no caso seria ter um homem que a bancava, e em torno ela se tornava a "mistress" dele e pertencia a ele. No momento que ele enjoasse dela, ela estaria na rua. Legalmente a mulher não tinha nenhuma proteção. Então, se o seu marido por algum motivo não se importasse contigo e morria, você como mulher estava 100% na mão. Eu fiquei muito chocada - não sabia disso, mas de outra forma eu comecei a entender melhor o machismo de hoje. Ele existe há milhares de anos e por isso é tão difícil de re-educar as pessoas.
Por isso é importante ler muito e aprender sobre o passado, assim como entender os direitos que temos e os que ainda não temos.

- E depois que você tiver lido e aprendido mais, compartilhe esse novo conhecimentos com as suas amigas, a sua mãe, irmãs, primas - talvez você possa introduzí-las a essas novas leituras.

- Abra os seus horizontes! 


Infelizmente, existem várias formas de discriminação. Mulheres negras, mulheres lésbicas ou bisexuais, mulheres trans*, mulheres pobres, mulheres indígenas, mulheres com deficiência - todas elas enfrentam discriminações diferentes e têm experiências diferentes em relação ao sexismo e machismo. O termo "white feminism" já é utilizado para mulheres brancas e socialmente privilegiadas, que apesar de estarem na luta contra o machismo, essa luta só envolve os problemas que elas enfrentam - ao invés de abrirem os seus horizontes e pensarem de forma mais globalizada. Eu como mulher branca não faço ideia das discriminações que uma mulher negra ou uma mulher homosexual passa - mas isso não quer dizer que devo ignorar essas dificuldades e lutar só por aquilo que é importante para mim. Exemplos de feminismo branco seriam:
- O seriado "Girls" foi aplaudido como feminista, porém, não tinha uma única atriz negra no elenco. Lena Dunham foi criticada por isso e disse que queria "escrever a partir de um ponto preciso e paixão e compreensão" e não tinha conhecimento suficiente sobre mulheres negras. Isso é motivo suficiente para completamente ignorá-las e escluí-las da trama? Será que ela não teria alguma maneira de incluir alguém no seu time de esritores que pudesse ajudá-la com isso? Aparentemente, não houve interesse. Ela quis criar um conteúdo feminista, mas de um feminiso que exclui ao invés de incluir.

Essa foto exemplifica "feminismo branco":

Desperdiçar absorventes para escrever mensagens como "Sem vagina, sem poder" ou "Sangre com orgulho" - e dessa forma excluindo mulheres trans* - em vez de doar os absorventes para mulheres que realmente poderiam estar precisando disso (lembrando que absorventes não é barato e existem tantas mulheres em situações de rua que precisam disso!), é um feminismo completamente egoísta e não contribui com nada, nem mesmo com o meio ambiente, já que esses absorventes foram completamente desperdiçados e seguirão pro lixo.

Mulheres "brancas" têm mania de querer libertar outras mulheres dos seus destinos tristes. Em vez de refletir e entender que cada mulher tem o direito de escolha, elas pensam que o jeito que elas vivem é o melhor jeito, é o único jeito para ser uma mulher livre e feminista. Mas isso é errado e egoísta. Mulheres muçulmanas ou cristãs ou de qualquer outra religião, que optam por se cobrirem, por não mostrarem o seu corpo, têm o total direito de fazer isso. Ninguém é obrigada a viver de uma forma que os outros achem certo. 

Além de que muitas mulheres do movimento feminista não pensam sobre o privilégio que elas têm em comparação com as mulheres negras, por exemplo. O movimento sufragista por exemplo lutou pelo voto feminino - mas não estavam dispostas a lutar também pelos direitos das mulheres negras. Nos EUA por exemplo, as mulheres puderam votar a partir do ano 1920. Porém, até os anos 60, mulheres negras tiveram muita dificuldade em exercer o seu direito de votar, principalmente nos estados do sul do país. A população indígena dos EUA só começou a votar nacionalmente a partir de 1965, antes não eram vistos em todos os estados como cidadãos americanos (irônico, não é?)

No Brasil as mulheres tiveram o direito de votar em 1932 (mas só foi exercido em 1935) - mas só as casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria. A partir de 1946 que as eleições no Brasil eram livres, incluindo também o voto de mendingos, e em 1988 os analfabetos foram liberados para votar. Sendo que grande parte da população negra não tiveram muito acesso à educação antigamente, então é provável que só começaram a votar mesmo a partir de 1988. Como o Brasil teve ditaduras, também não houve muitas eleições antigamente...
Enfim, é importante sempre lembrarmos desses privilégios - poder exercer a sua cidadania, votar em um candidato político, e dessa forma participar das ecolhas para um futuro melhor até pouco tempo atrás era um privilégio de uma porcentagem mínima - que chegava a apenas 10% da população brasileira.

- O que também devemos tentar fazer é apoiar projetos feministas e de inclusão social. Peças de teatro, bandas, livros, filmes, músicas, blogs e sites - vamos tentar apoiar pessoas que estão focando o seu tempo e trabalho para distribuir conteúdo tão importante!

- Manter o otimismo e a esperança, e continuarmos a lutar! Não podemos desanimar, mesmo com tanta notícia ruim. Precisamos nos lembrar de todos os avanços que foram possíveis no passado e continuar acreditando que um futuro melhor é possível!

***
O texto ficou realmente imenso e agradeço a todos que leram até o final! Você têm mais alguma ideia do que podemos fazer agora para ajudar a nossa luta?  Tem algum projeto, livro ou filme sobre esse assunto a compartilhar? Conte nos comentários!

Beijos,
Ju




segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Adeus, 2016 - Parte 1: 15 Perguntas Para Se Despedir de 2016


O fim de 2016 está chegando e eu preparei uma pequena série para terminar o ano linda, cheia de planos para o próximo ano e claro, com dicas para passar bem os dias de folga.

Hoje quero começar com algumas ideias e inspirações de como terminar o ano bem e dessa forma, iniciar o ano novo cheia de intenções e resoluções.
Eu sinceramente adoro o fim de ano. Há vários anos eu costumo fazer uma lista de planos para o ano seguinte e na noite do dia 31 de dezembro eu olho para a minha lista e vou riscando tudo que completei. Geralemente eu completo tudo - só alguns pontos onde a vida, digamos, mudou de rumo sem previsão, aí claro que os planos predefinidos não vão dar certo. Mas sinceramente amo ver o quanto consegui realizar e acredito que é muito importante ter um "plano de vida" pessoal.

Mas antes de escrever a minha lista de metas para o próximo ano, eu gosto de refletir sobre o ano que passou e ver o quanto eu aprendi, cresci e evolui (ou não..). Tenho algumas perguntas que gosto de fazer no final do ano e queria mostrá-las a vocês. Quem sabe, talvez alguém se anima para também iniciar esse ritual de ano novo!

Adeus, 2016!


1. Quais coisas novas que você descobriu sobre si mesma?
2. De todas as suas realizações durante o ano passado, qual que mais te orgulha?
3. Quais das suas qualidades pessoais foram as mais importantes e que mais te ajudaram durante esse ano?
4. Qual é a coisa ou pessoa ou acontecimento pelo qual você é mais grata?
5. Qual foi a maior lição de 2016 pra você?
6. Qual coisa que você fez pela primeira vez em 2016?
7. Quais preocupações que se mostraram totalmente desnecessárias?
8. Qual foi o maior problema que você resolveu?
9. Qual foi o momento mais engraçado desse ano - que ainda te faz rir só de pensar sobre?
10. Qual conselho você daria a si mesma no início de 2016?
11. Teve alguma parte de você mesma ou da sua vida que deu uma total reviravolta?
12. Faça uma lista dos melhores 5 momentos de 2016?
13. Qual foi a parte mais difícil de 2016 - e como você conseguiu enfrentar essa dificuldade?
14. Como você mudou em relação à pessoa que você era no fim de 2015/início de 2016?
15. Se você pudesse resumir o seu ano de 2016 em três palavras, quais seriam?

E agora, olhamos para o ano que vem: 2017


1. Qual serão o(s) principal(is) tema(s) ou foco(s) para o seu ano novo?
Isso pode abrangir tanto a vida pessoal, espiritual ou profissional.
2. Escolha no mínimo 3  e no máximo 10 metas para o ano de 2017.
Seja realista e não inclua coisas que você no fundo já sabe que não vai completar. Reflita sobre o estado da sua vida, o que te faz feliz e o que está te incomodando, o que você gostaria de mudar ou acrescentar na sua vida. Faça metas a base disso e pense não somente no lado profissional como também na sua evolução pessoal.
3. Quais são dois ou três aspectos da sua personalidade que eu gostaria de melhorar?
Sempre existe algo que podemos melhorar - ser mais paciente, perdoar alguma pessoa que te magoou, ser mais tolerante, pensar mais positivo, e por aüi vai. Pense em alguns aspectos da sua personalidade que você gostaria de melhorar e anote em um caderno, de preferência formulando de uma maneira positiva. Faça isso pensando em si mesma e não nos outros - foque em algo que vai ajudar você e fazer com que você se torne uma pessoa melhor. Não pense no que os outros talvez gostaríam que você mudasse, mas em algo que você sente que precisa de fato melhorar.

Eu já consegui realmente enxergar o que eu faço no dia a dia que me prejudica - por exemplo, eu tinha o costume de reclamar muito e sempre focar em algo que não estava funcionando. Além disso, também me preocupava demais e muito facilmente, muito antes de um real problema surgir. Todas esses aspectos da minha personalidade eu fui ao longo dos últimos anos melhorando e isso me ajudou tanto! Hoje já não sou mais aquela pessoa que vive preocupada e ansiosa, me tornei uma pessoa otimista e claro, ainda tenho um longo caminho pela frente para realmenter me tornar "zen", mas já estou pelo menos na estrada certa.

Essas perguntas e metas ajudam muito a enxergar tudo que conseguimos alcançar, os obstáculos que enfrentamos e nos ajudam a sentir orgulho de nós e até mesmo a ver o quanto experiências negativas acabaram nos ajudando a crescer ou aprender algo novo. E assim, conseguimos iniciar o ano com atitudes melhores, planos e sonhos novos e com certeza com muito mais ânimo.

Espero que as perguntas sirvam como uma ótima inspiração para vocês! Existe alguma meta para 2016 que você quer compartilhar? Conte nos comentários :)

Boas festas!

Beijos,
Ju



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Olá, Novembro!


Novembro está chegando e eu estou cheia de planos!

Aqui na Alemanha, a estação mais linda chegou: o outono! O verão se extendeu até o final de setembro, mas agora o tempo já está ficando mais frio, as árvores estão coloridas e as jaquetas estão sendo usadas novamente. Pretendo curtir a minha casa, relaxar e ter mais tempo para mim mesma :)

Abaixo estão as minhas inspirações, meus planos e mais:

Moda

Cotton Candy Girl/A Garota do Algodão Doce

Enquanto o mundo fica a cada dia mais escuro, ela traz claridade. Ela sorri para estranhos e deixa um perfume de rosas por onde passa. Crianças acreditam que ela seja uma fada. Quem sabe, talvez ela é. Nada é impossível é o mantra dela. Ela tem um plano para tudo, mas o que ela mais gosta de fazer é quebrar todos eles e cometer loucuras espontâneas. Ao mesmo tempo ela toma chá como uma velhinha e só compra o que vier na sua cor preferida: cor de rosa.


















Livros

Quero ler:

Six of Crows: Sangue e Mentiras é o primeiro livro da nova trilogia da autora Leigh Bardugo, que também escreveu a trilogia grisha. Esse livro se passa no mesmo universo grisha. É sobre uma gangue que recebe uma oferta para fazer algo bem impossível. Essa gangue é composta de gente bem diversa e digamos...louca. Já ouvi falar muito bem desse livro, mas na verdade não sei muito sobre a trama, até porque não queria ler nenhum spoiler. Como eu gostei muito do universo que a autora criou na sua primeira trilogia (porém, odiei que ela simplesmente matou o meu personagem favorito da trilogia grisha).

Enfeitiçadas é um livro sobre bruxas modernas, e eu sou fã de qualquer coisa que envolve bruxas. Então, devo amar!

Música:

Meus artistas e álbuns mais escutados no momento:

Dangerous Woman - Ariana Grande - No início não curti muito, mas depois acabei viciando no pop sensual e com inspiração na gênero RnB. A minha favorita é a última faixa "Thinking About You"
BLOND - Frank Ocean - Esperar todo esse tempo por música nova dele valeu a pena.

Vídeo do mês:

1. O primeiro na verdade é um clipe de música, mas adoro o vídeo.
Hayley Kiyoko - Girls like Girls


Hayley Kiyoko - Girls Like Girls from Austin Starrett Winchell on Vimeo.

2. Saiu o primeiro trailer do novo filme da Natalie Portman, JACKIE, sobre a vida de uma das primeiras damas americanas mais famosas e icônicas: Jacqueline Kennedy, a mulher de John F. Kennedy. Natalie está maravilhosa nos pequenos trechos, e já estão dizendo que o próximo Óscar dela já está praticamente garantido com esse papel.


Em novembro....

- Vou fazer compras deNatal! :) E já estou animada!
- Quero tomar muito 'Pumpkin Spice Latte' no Starbucks!
- E comer os doces de Natal que já estão nos supermercados :)
- Vou aproveitar o tempo chuvoso para assistir vários episódios dos meus seriados favoritos!
- Vou também escrever mais! 

***

E vocês? Quais são os seus planos

Beijos,
Ju

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Uma passagem apenas de ida



Eu pertenço e sempre pertenci a dois mundos.
Antes até de vir a esse mundo, a minha história é cheia de curvas e estradas distantes. Sou o resultado da união de um filho pródigo de boa família da Alemanha, e uma meia-orfã que fugiu do Goiás para conhecer o 'mundo lá fora', que ela encontrou primeiro no Rio de Janeiro, e depois na Europa.


Sou filha de dois lugares tão diferentes, tão complexos, e tão fascinantes, que me sinto perdida ao pensar em escolher um só como meu lar. Alemanha e Brasil.

Depois de muitos anos, e uma caminhada para me encontrar, consigo definir melhor quem eu sou e onde pertenço. A Alemanha, metade da minha nacionalidade, é como uma mãe adotiva. Ela me criou, me ensinou tudo que podemos aprender de livros e professores. Ela me preparou intelectualmente para esse mundo duro, ela me mostrou como ser disciplinada, independente, honesta, correta. E fez isso com carinho, apesar de que nunca pensam em carinho quando pensam nesse país.

Mas o Brasil. Ah, o Brasil é a minha mãe de sangue, de alma. Aquela que só pelo abraço você já se sente conformada. Aquela que entende você porque sangue é mais grosso que água. Aquela que tem uma sabedoria que sempre ganhará de qualquer livro didático ou pesquisa no Google. Essa mãe me mostrou que o mundo pode ser muito difícil, mas que entre todas essas dificuldades encontraremos pessoas do bem que encherão o nosso coração de amor e felicidade. Ela me ensinou a rir mesmo quando as coisas não dão certo do jeito que eu queria, e a agradecer o que tenho. Ela me transformou numa pessoa que levanta e sacode a poeira da roupa depois de cair, numa pessoa que tenta denovo e denovo até conseguir o que queria. Ela me ensinou a ter orgulho das minhas raízes.


Sim, eu sou uma garota dividida entre dois mundos. Sorte e ao mesmo tempo dor. Porque não importa onde estou, sempre sinto saudades.
E depois de muito tempo - 9 anos para ser exata - matei a saudade da terra que me criou: voltei para a Alemanha.


Amo o Brasil, mas existiam muitas coisas que me incomodavam e eu comecei a perceber que não conseguia me enxergar morando no Brasil para sempre.
A minha história no Brasil tinha acabado e eu estava pronta para o próximo capítulo da minha vida. Não tinha sido fácil no Brasil, mas tudo que aconteceu me preparou para o passo mais difícil da minha vida: mudar sozinha para outro país.






Quando olho para trás me pergunto como consegui passar por tudo que passei. Foi uma loucura largar tudo e simplesmente ir embora. Mas eu fui com uma certeza tão grande de que estava fazendo a coisa certa, que isso me puxou adiante. Me decepcionei com velhos amigos, mas outros me ajudaram muito! Descobri o quanto sou forte e corajosa e no final tudo valeu a pena quando a vida me deu tudo que eu desejava. Nessas horas a gente percebe que o destino gosta de pessoas que se arriscam.




Então, resolvi deixar essa mensagem aqui: arrisque-se. Faça agora e não perca mais tempo. Tenha coragem! No final vai valer muito a pena.


Beijos!

Ju

(PS: Caso tenham pedidos de posts sobre alguma coisa da Alemanha, me avisem!)