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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pequenas vitórias

O tempo passa rápido demais quando estamos imersos na nossa vida. Eu corro tanto atrás de sonhos e objetivos que nem sinto os meses passando. Mas enquanto cada segundo da minha vida é experienciado, eu estou satisfeita. Eu ás vezes penso que deveria ter mais, que eu deveria ter uma vida tão excitante e legal como esses blogueiros que viajam o mundo com um carro ou algo do tipo. Eu penso ás vezes 'eu já tenho 26 anos - eu já deveria ter criado um aplicativo e me tornado milionária! O que estou fazendo com a minha vida?' e talvez realmente seja mais fácil hoje em dia de ter aquela ideia milionária e ter a vida ganha. Mas eu já percebi que eu corro demais. Eu sou muito apressada e até mesmo estressada - eu invento o meu próprio estresse. E talvez eu já tenha me viciado em estresse, afinal vivo em um eterno estresse desde os 16 anos de idade. Na minha opinião, estresse vicia. Uma vez que você se acostumou com uma vida corrida, você não volta mais atrás. Você até curte umas férias, mas depois de no máximo 2 meses as suas pernas e mãos começam a tremer com vontade de fazer alguma coisa, de resolver problemas, de enfrentar esse mundo como uma soldada solitária que no final do dia sempre acaba vencendo.


E a vida, por mais insignificante que ela pareça, é maravilhosa. Tudo bem que eu não mudei o mundo com uma ideia extraordinária, e nem estou perto de ser uma pessoa importante, mas dentro do meu mundinho eu sou uma super-heroína.
Eu me lembro disso toda vez que desço as escadas do meu prédio antigo (construído 1904) e dou aquele suspiro antes de começar o dia de trabalho. Eu andei essa cidade pra cima e pra baixo atrás de um apartamento e a competição era tão grande, a busca tão exaustiva, que entrei em pânico e reclamei com todos os santos que conheço. Mas hoje moro num apartamento lindo e grande, que me deixa tão feliz e entendi como as peças se encaixam. Sem essa luta, o gostinho não seria a mesma coisa.
E quando estou no almoço com amigas do trabalho, pessoas que eu conheci há pouco tempo mas que me incluíram tão facilmente no seu grupo de amigas e me dão um sentimento de pertencer aqui - eu me lembro de como eu tanto sonhei com isso quando ainda estava planejando o meu futuro.
Eu senti que a vida é maravilhosa quando eu estava na beira do rio Main caminhando pelo mercado de pulgas. O sol estava cobrindo tudo com uma luz dourada, as árvores estavam todas floridas e balançando no vento como se tivessem dançando empolgadas, e tudo estava tão lindo e perfeito que me senti numa cena de um filme. Mas não, era a realidade, e ela é muito melhor que qualquer ficção.
Ás vezes no trem os olhares se cruzam com alguma pessoa que também está voltando para casa depois do trabalho e a gente sorri uma pra outra como se nos conhececemos, e quem sabe, talvez nós somos uma cópia da outra vivendo uma vida similar, e nem fazemos ideia. Quando as pessoas sorriem para mim eu penso que o mundo na verdade nem é tão duro como dizem.



Uma vez me falaram que eu brilho e que eu a inspiro a usar batom. Acho que foi definitivamente o melhor elogio que já recebi. Inspirar alguém a usar batom era basicamente o meu objetivo de vida e agora sou uma pessoa feita. Posso riscar isso da listinha.

Mas é verdade que eu consegui criar um estilo pessoal pelo qual sou reconhecida. Todo mundo já sabe que eu amo cor de rosa e que se for para me dar algo, melhor ser cor de rosa. No meu aniversário me deram uma carta com um unicórnio na capa o que confirmou que todo mundo me conhece muito bem. Ou talvez sou eu quem deixa bem claro quem eu sou. Mas quando você tem um estilo seu de uma maneira indesculpavelmente sua, é muito interessante ver como as pessoas acabam te respeitando por aquilo. Mesmo sabendo que a maioria dos meus colegas na empresa não suporta cor de rosa, eles fizeram questão de me dar presentes dessa cor porque sabem que eu sou assim e pronto. É satisfatório demais saber que eu não sou apenas mais um pontinho preto - mas aquela que brilha, mesmo que seja só por causa de um ótimo iluminador.

Um dia desses comprei móveis no IKEA, passiei na beira do rio de frente de casa, fiz compras no supermercado e me dei conta de que essa é a minha vida. Eu sou uma pessoa adulta e eu sou dona de tudo que eu tenho. Ninguém me deu, eu que lutei por tudo isso. E tudo bem, talvez eu não tenha um carro e nunca viajei até Paris, mas se um dia eu tiver e for, vai ser por conta própria. Isso é um luxo que poucas meninas têm e eu tenho muito orgulho disso, além de querer muito ajudar outras pessoas a terem essa mesma liberdade. Mas talvez você seja igual a mim - e talvez você está buscando por algo a mais na sua vida, e não se dá conta do quanto você já tem e o quanto você já alcançou.



Está na hora de celebrar as pequenas vitórias - só você sabe o quanto que teve que suar para conquistá-las. Celebre tudo, cada momento. Pois a vida é pura magia. Cabe a você a enxergá-la.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Uma passagem apenas de ida



Eu pertenço e sempre pertenci a dois mundos.
Antes até de vir a esse mundo, a minha história é cheia de curvas e estradas distantes. Sou o resultado da união de um filho pródigo de boa família da Alemanha, e uma meia-orfã que fugiu do Goiás para conhecer o 'mundo lá fora', que ela encontrou primeiro no Rio de Janeiro, e depois na Europa.


Sou filha de dois lugares tão diferentes, tão complexos, e tão fascinantes, que me sinto perdida ao pensar em escolher um só como meu lar. Alemanha e Brasil.

Depois de muitos anos, e uma caminhada para me encontrar, consigo definir melhor quem eu sou e onde pertenço. A Alemanha, metade da minha nacionalidade, é como uma mãe adotiva. Ela me criou, me ensinou tudo que podemos aprender de livros e professores. Ela me preparou intelectualmente para esse mundo duro, ela me mostrou como ser disciplinada, independente, honesta, correta. E fez isso com carinho, apesar de que nunca pensam em carinho quando pensam nesse país.

Mas o Brasil. Ah, o Brasil é a minha mãe de sangue, de alma. Aquela que só pelo abraço você já se sente conformada. Aquela que entende você porque sangue é mais grosso que água. Aquela que tem uma sabedoria que sempre ganhará de qualquer livro didático ou pesquisa no Google. Essa mãe me mostrou que o mundo pode ser muito difícil, mas que entre todas essas dificuldades encontraremos pessoas do bem que encherão o nosso coração de amor e felicidade. Ela me ensinou a rir mesmo quando as coisas não dão certo do jeito que eu queria, e a agradecer o que tenho. Ela me transformou numa pessoa que levanta e sacode a poeira da roupa depois de cair, numa pessoa que tenta denovo e denovo até conseguir o que queria. Ela me ensinou a ter orgulho das minhas raízes.


Sim, eu sou uma garota dividida entre dois mundos. Sorte e ao mesmo tempo dor. Porque não importa onde estou, sempre sinto saudades.
E depois de muito tempo - 9 anos para ser exata - matei a saudade da terra que me criou: voltei para a Alemanha.


Amo o Brasil, mas existiam muitas coisas que me incomodavam e eu comecei a perceber que não conseguia me enxergar morando no Brasil para sempre.
A minha história no Brasil tinha acabado e eu estava pronta para o próximo capítulo da minha vida. Não tinha sido fácil no Brasil, mas tudo que aconteceu me preparou para o passo mais difícil da minha vida: mudar sozinha para outro país.






Quando olho para trás me pergunto como consegui passar por tudo que passei. Foi uma loucura largar tudo e simplesmente ir embora. Mas eu fui com uma certeza tão grande de que estava fazendo a coisa certa, que isso me puxou adiante. Me decepcionei com velhos amigos, mas outros me ajudaram muito! Descobri o quanto sou forte e corajosa e no final tudo valeu a pena quando a vida me deu tudo que eu desejava. Nessas horas a gente percebe que o destino gosta de pessoas que se arriscam.




Então, resolvi deixar essa mensagem aqui: arrisque-se. Faça agora e não perca mais tempo. Tenha coragem! No final vai valer muito a pena.


Beijos!

Ju

(PS: Caso tenham pedidos de posts sobre alguma coisa da Alemanha, me avisem!)




sábado, 15 de agosto de 2015

Magia & Euforia


{Diário}

Faz poucos dias desde que o meu mundo explodiu em mil pedaços amargos, mas parece que já se passaram anos. E assim aprendo que o tempo deve ser a coisa mais mágica nesse mundo.
Às vezes me pergunto se eu sinto demais, mas na verdade não queria que fosse de outro jeito. Eu quero sentir tudo. Mesmo se às vezes doer. Os sentimentos são as únicas coisas que realmente são meus e de mais ninguém.
E com o tempo eu aprendo que o destino não nos deve nada - principalmente a fazer algum sentido. O que um dia brilha, já pode virar pó no próximo instante. E não fará sentido porque que você estava tão eufórica, mesmo se não era para ser. Mas eu aceito e sigo em frente, assim como o resto do mundo. Alguns dias são feitos para nos lembrarem o quanto conseguimos sentir.
Eu chorei tudo o que quis chorar - e ainda um pouco mais. A minha mãe fez um chá e me mostrou ideias espirituais e eu fiquei agradecida por ela. Ser amada também é uma forma de magia.

À noite deitei na cama e assisti ao meu novo seriado favorito "Sense8" e me senti confortada e menos sozinha. É estranho, mas quando estamos felizes, nos sentimos ligados ao mundo inteiro. Mas quando a tristeza bate, parece que estamos sozinhos com a nossa dor. Assistindo ao seriado, senti uma vontade de escrever para os criadores da série para dizê-los que para uma garota, essa série foi o que ela precisou para se lembrar que nesse mundo 7 bilhões de pessoas também vivem, sonham e sofrem e que no fundo todos nós nos entendemos quando o assunto é decepções.
Se o mundo cantasse uma canção sobre decepção, ela nunca acabaria.

Na próxima manhã lavei a decepção da pele e observei como ela descia pelo ralo. Eu tomei o meu chá e engoli a amargura e resolvi fazer o que tinha me prometido na noite anterior: dedicar o dia às coisas boas e à minha mãe.
Fui dar a minha aula de inglês e esqueci tudo, porque eu estava no controle. O que a vida tem de planos para nós, não podemos controlar. Mas o que fazemos com eles, isso está nas nossas mãos. Então vesti a minha nova calça feita em casa e fui ao parque com a minha mãe para ver o pôr-do-sol. Comemos sanduíches e tomamos água de coco enquanto o céu queimava laranjado. Tudo estava quente e alegre e parecia uma noite de verão inocente, mesmo sendo o auge do inverno. Um dia atrás, o meu mundo estava caído e hoje estava sentada debaixo do céu de verão e sentia a vida em minha volta pulsar que nem um coração selvagem.

Resolvemos comer sushi e eu encontrei o caminho desconhecido como se eu soubesse para onde queria ir. De repente estava eufórica novamente e pensei: comida também deve ser uma forma de magia.

O próximo dia, o domingo, foi quente e dourado e eu e minha mãe passeamos pelas nossas ruas preferidas. Eu contei histórias da minha época de escola para ela e de repente eu volto a ser a pequena menina que amava fábulas, mas agora meus contos não são mais inventados. Eu conto do meu passado sem sentir falta dele. Eu só anseio pelo meu futuro, como se estivesse nostálgica por algo que ainda não existiu.

À noite sentamos juntas no sofá e rimos de besteiras na TV e eu estou feliz. Sentar ao lado da minha mãe é tudo que quero no momento.

Os dias são quase todos iguais. O ar é quente e cheio de sonhos, cheio de grandes expectativas. Às vezes tem cheiro de baunilha ou sol, dos incensos que ascendo. O sentimento que acompanha os dias já é quase doce-amargo, porque eu consigo ver o futuro e eu sei que coisas boas estão por vir, mas também sei como vamos sentir falta desse tempo. Eu consigo sentir as mudanças no ar. Nada será como um dia foi.
Eu vivo o agora como se já fosse o passado. Sinto saudade de momentos que acabaram de passar. Minha vida é uma contagem regressiva até a próxima viagem, até o próximo destino, até a próxima vida. Mas aqui, onde estou, encontrei uma vida da qual sentirei saudades.

E o que mais sinto é gratidão pelas euforias, pelos milagres e pelas magias da vida e aguardo até viver as próximas.








{Todas as fotos foram tiradas por mim quando estive em Pirenópolis/GO :) Acho que representam bem o sentimento que descrevi no texto.}


terça-feira, 7 de julho de 2015

Uma menina e a irresistível vontade de ir


A culpa deve ser do meu coração selvagem.
Nunca fiquei em um lugar por muito tempo. Sou uma nômade do mundo moderno e não há nada romântico na minha história. Literalmente. A minha cabeça sempre está nas nuvens - sonhando, planjeando, criando - e às vezes é difícil descer à terra. É como se existissem duas pessoas diferentes dentro de mim - uma que quer segurança, uma família, uma casa com varanda, um emprego tranquilo, e muita paz; e a outra quer tudo de uma vez agora. Viajar, morar em cidades antigas e enormes, ter amigos extravagantes, frequentar bares estranhos, ir à shows de rock, ser designer ou artista, pintar o cabelo de todas as cores do arco-íris.
Como descubro quem das duas eu realmente sou?

E o pior não é a bipolaridade. O mais difícil é que o mundo é grande demais e a saudade das pessoas que deixamos para trás quando caímos nele é algo que eu não quero viver. Talvez eu já poderia ter ido. Denovo. Poderia estar nesse exato momento em um lugar bem distante, vivendo vários dos meus sonhos ao mesmo tempo. Mas eu não consigo ir e deixar mais alguém para trás.
Tudo que eu sei e tudo que eu sempre fiz foi ir embora e deixar pessoas.
E eu não quero isso para o resto da minha vida. A vida de nômade moderna é interessante e meio aventureira, mas é bem solitária. Você não tem amigos de infância que te viram na sua fase adolescente e te conhecem do avesso. Você não tem lembranças de verão com gosto de picolé, excursões de bicicleta e sorrisos sem dentes com os seus novos amigos. Ninguém viu você crescer. E é triste e libertador ao mesmo tempo. Você pode ser quem você quiser. Você pode ser você, sem julgamentos sobre o seu passado. Ninguém te conhecia anos atrás.
Mas é disso que você sente falta.
E você sente falta da cidade onde você cresceu - o única lugar onde você ficou por mais tempo. Você sente falta de coisas que você não tem mais e de repente você se pergunta se está na hora de retornar àquele lugar. Onde a sua jornada começou. Onde você ainda era a menina que só sonhava em ir embora, mas que nunca tinha ido. Onde você ainda era uma só.