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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Meninas estranhas e a arte de se apaixonar por si mesma



A minha vida toda sonhei em encontrar o meu grande amor, a minha alma gêmea. Quando era adolescente, eu e minhas amigas fazíamos listas mentais de todas as características desejáveis e indesejáveis do homem dos nossos sonhos. "Alto, musculoso - mas não musculoso demais - com olhos bonitos e dentes perfeitos! Ah, e claro, ele se veste muito bem." Ou: "Tem cabelo cacheado e olhos verdes, porque eu quero que meus filhos tenham cabelo cacheado e olhos verdes." Ah, e claro: "Ele é inteligente, engraçado, e eu sou a pessoa mais importante da vida dele." 
Nós sabíamos muito bem o que queríamos. E acreditávamos que tudo aquilo que a gente pedia num homem era completamente razoável e normal. Sim, esse homem, do jeitinho que a gente queria, exisitia em algum lugar e encontrá-lo era certo. Ponto final.

Com o tempo encontramos rapazes e namoramos, ou saímos em alguns encontros casuais, e percebemos que não é bem assim como pensávamos. Aquela ideia geral do amor e das pessoas acaba se modificando, e logo começamos a escutar o que as mulheres mais velhas dizem. Que nós somos muito exigentes. Que o príncipe encantado, do jeito que queríamos, não existe. Que se continuarmos sonhando desse jeito, ficaríamos sozinhas para sempre. E algumas de nós acabam chegando à conclusão que essas mulheres mais experientes têm razão - e dá próxima vez que encontrarem um rapaz que não é um completo idiota elas resolvem deixar as "ilusões" de menina para trás e aceitar um namoro com um homem que talvez não é como sonhavam, mas é legal o suficiente.


Mas algumas de nós são teimosas. Algumas de nós talvez têm as cabeças nas nuvens, mas por mais que sonhamos, nós sabemos o que queremos. Algumas de nós talvez vão ficar sozinhas por um bom tempo, sim. Mas não porque ninguém "nos quer", como algumas pessoas gostam de dizer - mas porque nós não aceitamos menos do que merecemos. Eu digo uma coisa para você, para mim mesma, e para qualquer amiga que eu tenho: Nós merecemos o amor dos nossos sonhos. Existem homens do jeito que você sempre sonhou - e um dia você vai conhecê-lo. 
Mulheres às vezes se sentem pressionadas a estarem namorando, pois uma mulher solteira ainda tem um outro status social que um homem solteiro. Acabamos optando por namorar com um cara mais ou menos legal, que não é "lá essas coisas", mas temos talvez receio de deixá-lo ir para depois nos arrependermos. 

"Eu não acho que nós somos o problema. Acho que são os homens de hoje."
Eu sei bem disso. Eu sempre fui a menina "difícil", que é uma maneira estranha de dizer que eu sempre soube muito bem quem eu sou e que tipo de homem que eu gosto (ou não). Sempre ouvi de outras pessoas que eu era exigente demais - ou chata demais, dependendo da pessoa. E sabe de uma coisa? Eu sou chata mesmo. Eu sou exigente pra caramba! Até para escolher um creme pro rosto eu escolho horrores - imagina então para ter um compromisso com alguém. Tem que ser uma pessoa muito legal para eu alterar a minha rotina e encaixá-lo no meio da minha vida corrida.

Já me senti culpada algumas vezes por não ter continuado a me encontrar com certos rapazes, porque escutava os comentários de que eu ficaria sozinha pelo resto da minha vida. E alguns dos rapazes talvez até eram legais, mas no fundo eu sabia que não combinavam comigo. Isso não tem a ver com arrogância ou futilidade - isso é simplesmente o que acontece quando você tem amor próprio e sabe quem você é.

"Garotas estranhas. Elas conseguem casar como outras garotas? Conseguem ter filhos? Conseguem ser felizes do jeito que sao? Porque elas nasceram?" - tradução livre
Mas mesmo assim, ficar sozinha não é exatamente o que queremos, né? Então como muitas outras mulheres da minha geração, instalei alguns aplicativos de namoro depois de algumas amigas sugerirem que isso é divertido. Bom, divertido eu não achei não. Small talk, aquelas conversas forçadas, são um saco e eu não curto muito ficar falando da minha vida pessoal com estranhos. Pouquíssimos sabem realmente puxar uma conversa. Existem pessoas que gostam desse tipo de coisa - conseguem se divertir com o Tinder. Tenho amigas que estão nesse aplicativo e já saíram com vários homens e fizeram até algumas amizades através do aplicativo. Eu acho maravilhoso ver como a tecnologia consegue realmente unir as pessoas e adoro ler aquelas histórias lindas onde algum casal se conheceu na internet ou no Tinder e acabaram casando.
Mas para mim, o Tinder não deu certo. Acho que as pessoas nesse aplicativo ainda têm uma visão bastante imatura sobre relacionamentos e amor. Sabe o que eu mencionei no primeiro parágrafo - que eu e minhas amigas adolescentes tinhamos uma visão certa do nosso homem ideal? As pessoas no Tinder e as minhas amigas que o usam parecem estarem presas a isso até hoje. Quando me perguntavam: "O que você faz? Qual o seu trabalho?" ou "O que você gosta de fazer no seu tempo livre?", me dava vontade se desinstalar o aplicativo na hora. Porque sinceramente, qual a real importância disso? Você vai escolher um parceiro baseado na profissão e nos "hobbies" dele? Porque não fazer perguntas que realmente importam?

O que uma pessoa faz, o que ela estudou, o que tipo de esporte ela pratica - isso não define a pessoa. Teve um homem que me escreveu uma lista de perguntas, do tipo "você é atlética? Pratica esporte? Faz o quê?" e realmente parecia uma pessoa que tem uma visão bem detalhada de como a sua futura namorada deve ser. Assim como as minhas amigas às vezes comentam - "Conheci um cara legal, mas ele é recepcionista de um hotel..." e "Eu saí com um rapaz, mas ele é muito nerd, ele gosta de Star Wars e essas coisas." ou "Não estou mais a fim daquele cara, ela usa roupa apertada e anéis."
Tudo bem que existem pessoas que têm características muito incompatíveis com a nossa personalidade. Mas para você perceber isso não adianta sair somente uma vez com a pessoa. Tinder é fast dating, o equivalente de fast food. Rápido, prático, feito para satisfazer e pronto. E por mais que muitas pessoas realmente consigam encontrar gente interessante através do Tinder, para mim é oco demais.
"Só me envolvo com pessoas que acho intelectualmente estimulantes."
Claro que eu também gostaria de conhecer um cara que é bem sucedido - que é um empresário, ou advogado ou sei lá, alguma coisa estável. Mas eu não me fecho perante a possibilidade de encontrar um músico falido, ou um professor de ciências ou sei lá, um cowboy. Eu não sei o que a vida preparou para mim e estou aberta para surpresas. Pode ser que na minha visão a melhor opção para o meu futuro marido seja um homem rico com um emprego impressionante - mas talvez o verdadeiro amor da minha vida é um artista sem dinheiro. Talvez é essa pessoa que vai ter uma conexã profunda e espritiual comigo, e não o cara que deu certo na vida.

Eu tenho apenas 26 anos de idade mas aprendi uma coisa: a vida é curta e preciosa demais para perdermos tempo com tudo aquilo que não nos faz feliz e que não nos enriquece. E quando digo enriquecer, é num sentido mais amplo do que valor material. Antigamente eu pensava que eu precisava de vários amigos, várias pessoas para preencherem um vazio dentro de mim. Com o tempo eu descobri que o que faltava era o amor próprio - compaixão, carinho e paciência comigo mesma. Hoje eu não me forço mais a ter amizades com pessoas que não me fazem feliz. Eu não me forço mais a ser de um jeito que agrada as pessoas. Não me forço a ir para lugares quando não estou a fim. Hoje eu olho para mim e vejo a pessoa que eu realmente sou e eu cuido de mim como eu mereço ser cuidada. Eu não preciso de vários amigos - só de alguns poucos que me entendem, que me trazem uma energia boa. A mesma coisa vale para um homem: tem que combinar. Se não combinar, não quero. E é isso que traz liberdade. Sinceramente? As pessoas têm medo de mulheres com auto estima saudável. Amor próprio em meninas parece ser ameaçador. Quem tiver medo, que corra então.


Não precisamos nos forçar a sermos do jeito certo. Um dia todas as peças vão se encaixar. No meu caso, eu dou graças ao Universo por tudo ter se encaixado - de um jeito que ainda deixou espaço para aventuras, lutas e vitórias (pois ninguém gosta de uma vida 100% certinha!). Mas eu queria muito fazer as minhas amigas verem isso também. Eu queria que elas entendessem o quanto elas são maravilhosas, especiais, merecedoras de um amor dos sonhos. Eu queria que todo mundo conseguisse ver isso.

Eu resolvi desinstalar o Tinder e deixar o fast dating pra lá. Tentei, não gostei. E todas as vezes que uma das minhas amigas ficam tristes ou inseguras por causa de um encontro com um rapaz, eu queria dizer que talvez elas precisam deixar a lista mental do homem "perfeito" de lado; que talvez elas precisam primeiro pensar nelas e viverem sua vida e se fazerem felizes antes de pensar num relacionamento. Talvez elas precisam aprender a confiar mais na vida, e a entender que nem tudo que queremos é realmente bom para nós. Que às vezes a vida tem planos que primeiro possam parecerem confusos e assustadores mas que no final trazem mais felicidade que a gente jamais imaginava alcançar. Mas tudo isso temos que aprender e enxergar sozinhas.
Estranhas ou não, todas meninas mais cedo ou mais tarde descobrem que o amor está mais perto do que elas imaginavam. O amor da sua vida, irmã, é você.


*Escrevi isso em 2017, mas achei que deveria publicar :)
Beijos,
Ju

terça-feira, 11 de julho de 2017

Girl Gang: Mulheres na história - Antiga Grécia

Mulheres na história I - e as lições que elas nos trazem até hoje!

É estranho pensar que esse nosso mundo já existe há milhares de anos e que há 3000 anos existiam pessoas com sonhos e problemas comuns, que nem sequer imaginavam que algum dia uma menina curiosa iria ler obcecadamente tudo que encontrava sobre os pequenos restos da cultura desse pessoal antigo, no seu laptop com ajuda da internet. Esse mundo já viu muitas histórias extraordinárias e muitas dessas histórias não foram contadas. Como disse Virginia Woolf: "Ao longo da maior parte da história, 'Anônimo' foi uma mulher." 

As histórias que ouvimos - sobre Alexandre o Grande, Júlio César, Jesus Cristo - sempre foram focadas nos homens. Porque não pensaram em contar mais sobre a vida de Maria Magdalena e o impacto que aquele homem chamado Jesus fez na vida dela? Ou porque não pensaram que seria importante nos contar sobre como Maria se sentiu quando soube que seria mãe de um menino extraordinário? Será que ela teve medo? Será que ela deu adeus à ele sorrindo, quando ele foi embora para tentar salvar o mundo? Ou será que ela sentiu o seu coração partir, já pressentindo que algo horrível aconteceria com o seu jovem filho?
Algum tempo atrás mulheres só apareciam na beira das grandes histórias. As mães, companheiras, cientistas e estrategistas fizeram parte na construção de tudo que conhecemos hoje, mas a história apagou muitos dos seus nomes porque quem escrevia os livros nem sempre achava necessário mencionar mulheres. Mas algumas dessas grandes mulheres foram brilhantes demais para serem ignoradas. E os nomes delas não morreram.

Como diriamos hoje em dia: Contarei-lhes um pouco sobre essas mulherão da porra.

Agnódice - a primeira médica na história


Não podemos dizer que Agnódice foi de fato a primeira médica, mas ela foi a primeira mulher a se tornar oficialmente e legalmente uma médica. E Agnódice era mesmo uma "bicha dextruidora" dos tempos antigos. Imaginem só: Agnódice era de Atenas, na Antiga Grécia, onde mulheres eram proibidas de estudarem medicina e praticarem a profissão de médica. Agnódice percebeu que muitas mulheres morriam ao dar a luz aos seus bebês e então decidiu que estudaria medicina para ter a oportunidade de evitar tantas mortes. A proibição por causa do seu gênero não a impediu - ela foi até Alexandria no Egito e estudou com Herophilus que foi o primeiro anatomista da história. Lembrando que Alexandria era conhecida como uma cidade livre, onde havia bastante tolerância religiosa e onde mulheres eram bem mais livres para estudarem e exercerem funções que em outras partes do mundo eram permitidas somente aos homens.
Agnódice retornour à Atenas disfarçada de homem e foi trabalhar como médica ginecologista. E ela era muito boa - tão boa que os outros médicos também notaram o seu talento e ficaram com inveja do seu sucesso. Eles então a acusaram de estar seduzindo as pacientes (já que acreditavam que ela era um homem) e Agnódice teve que ser julgada pelo tribunal. Durante o julgamento ela tirou a roupa dela, provando que era uma mulher e não tinha seduzido as pacientes coisa nenhuma. Obviamente que a acusaram então de ter agido de maneira ilegal, pois como mulher ela era proibida de atuar como médica e isso na época justificava a pena de morte. Mas todas aquelas pacientes que Agnódice tinha tratado correram para defendê-la e então o tribunal acabou mudando a lei e começaram a permitir que mulheres estudassem medicina e se tornassem médicas.

Lição de Agnódice: Limites não existem. Nunca desista de um sonho ou ambição só porque outros dizem que você não pode suceder. Tenha coragem de buscar por meios não-convencionais para adquirir o conhecimento e a experiência para realizar os seus planos. Amizade e lealdade valem muito mais do que status e podem te salvar em situações difíceis!

Aspásia - que dava lições aos filósofos


Aspásia era *a* mulher da época. Se existisse revista Vogue e Instagram na época, ela seria a capa de setembro e teria o maior número de seguidores.
A vida de mulheres em Atenas era limitada - elas não participavam da vida pública e ficavam praticamente confinadas dentro de casa. A exceção eram as hetaerae, que eram mulheres com alta educação e entretoras profissionais de alta classe. Hetaerae eram um tipo de prostitutas de um classe muito alta e eram diferente das mulheres de Atenas por serem muito educadas (no sentido de estudos), independentes e pagavam imposto. Portanto, eram as mulheres mais livres da época (na Grécia). Aspásia era originalmente de outra parte da Grécia (que hoje seria parte da Túrquia) e era (provavelmente) uma hetaera, portanto, ela tinha mais liberdades e um status social diferente de todas as outras mulheres.
Mas a parte mais interessante sobre Aspásia não era só o fato dela ter sido uma mulher de alta educação. Ela se tornou tão influente que é mencionada nos textos de Platão, Aristophanes, Xenophon e outros. Também especulam que os ensinamentos de Aspásia influenciaram Sócrates.
Aspásia se tornou a amante de Pericles, um grande homem do estado e general da Grécia. A casa de Aspásia virou o centro de encontro cultural de Atenas. Imagina - os mais renomados filósofos se encontravam na casa de Aspásia! Como deve ter sido, né?
Segundo Platão, Aspásia tinha um dom para a conversação e apesar de ela ser uma pessoa de morais baixos (leia-se: ela era uma mulher não-casada), os homens que frequentavam a sua casa traziam as suas esposas para ouvirem Aspásia.
Uma grande mulher que impressionou e influenciou vários grandes homens! Como Platão diz em "Pericles, XXIV": "Como se pensa que ele (Pericles) procedeu dessa forma contra os Samianos para agradar à Aspásia, este é um bom momento para questionar qual grande arte ou poder essa mulher teve, que ela fazia como lhe agradasse com os homens do Estado e deu ocasião aos filósofos para discutí-la em palavras exaltadas e em profundidade."

Lição de Aspásia: Não subestime a arte de ser comunicativa e social. Ler bastante e se informar sobre os mais variados assuntos é a melhor estratégia para se conectar com as pessoas em reuniões. Exija respeito e não se diminua, mesmo não tendo o mesmo status social que outras pessoas. Grandes nomes também começaram algum dia. Homens seguros de si não se sentirão ameaçados por uma mulher genial - sentirão admiração e respeito, e você não merece nada menos que isso.

Gorgo de Sparta - a rainha incorruptível


Gorgo foi a filha do rei de Sparta, chamado Cleomenes I, depois se tornou a esposa e rainha do rei de Sparta, Leonidas, e também foi a mãe do próximo rei de Sparta, Pleistarchus. Gorgo ficou conhecida por ser extremamente esperta e por dar conselhos valiosos tanto ao seu pai como rei, tanto ao seu marido. Quando ela ainda era criança, o seu pai permitia que ela ficasse presente durante conversas com visitantes e enviados, tudo príncipes, reis ou políticos, e ela dava a sua opinião ao pai. Historiadores dizem que em nenhuma outra cidade grega a presença de uma moça era permitida neste tipo de encontro, muito menos ouvia-se a opinião de uma menina ou mulher. Na época, um rei tirano da Pérsia, Aristagoras, tinha conseguido um pacto com Atenas e estava então tentando comprar o apoio de Sparta, oferecendo ouro para Cleomenes I, que recusava. Porém, Aristagoras insistiu até que Gorgo disse ao pai: "Pai, o seu visitante irá te corromper se o senhor não levantar e ir embora." E o seu pai segui o seu conselho. Isto ficou famoso na Grécia, onde começou a se dizer que era mais fácil instigar 30 mil homens de Atenas à corrupção, do que uma garota de Sparta.
Anos depois, Gorgo continuou demonstrando a sua esperteza e força de caráter. Numa ocasião quando Sparta recebeu um bloco de pedra com uma mensagem secreta de um homem chamado Demartus, que estava em uma cidade da Pérsia e ficou sabendo dos planos do rei da Pérsia para invadir a Grécia, ninguém sabia o que fazer com aquele bloco de pedra - estava coberto de cera e todos ficaram confusos. Gorgo foi a pessoa que sugeriu retirar a cera do bloco de pedra, e ao fazer isso, descobriram a mensagem secreta de Demartus e não foram pegos de surpresa diante dos avanços do rei da Pérsia.

Lição de Gorgo: A melhor arma contra qualquer ameaça é a sabedoria. Não deixe ser influenciada por fraquezas, mesmo que às vezes seja difícil. Seja fiel e forte nos seus ideais e não siga os exemplos errados, mesmo se quase todo mundo em sua volta tiver seguindo-os. Tenha força de caráter e logo você ficará conhecida e respeitada por isso.

***

Adoro história e adoro mulheres que desafiam regras. Por isso, podem aguardar por mais posts como esse!

Qual grande mulher te inspira?

Bjs,
Ju




sábado, 15 de agosto de 2015

Magia & Euforia


{Diário}

Faz poucos dias desde que o meu mundo explodiu em mil pedaços amargos, mas parece que já se passaram anos. E assim aprendo que o tempo deve ser a coisa mais mágica nesse mundo.
Às vezes me pergunto se eu sinto demais, mas na verdade não queria que fosse de outro jeito. Eu quero sentir tudo. Mesmo se às vezes doer. Os sentimentos são as únicas coisas que realmente são meus e de mais ninguém.
E com o tempo eu aprendo que o destino não nos deve nada - principalmente a fazer algum sentido. O que um dia brilha, já pode virar pó no próximo instante. E não fará sentido porque que você estava tão eufórica, mesmo se não era para ser. Mas eu aceito e sigo em frente, assim como o resto do mundo. Alguns dias são feitos para nos lembrarem o quanto conseguimos sentir.
Eu chorei tudo o que quis chorar - e ainda um pouco mais. A minha mãe fez um chá e me mostrou ideias espirituais e eu fiquei agradecida por ela. Ser amada também é uma forma de magia.

À noite deitei na cama e assisti ao meu novo seriado favorito "Sense8" e me senti confortada e menos sozinha. É estranho, mas quando estamos felizes, nos sentimos ligados ao mundo inteiro. Mas quando a tristeza bate, parece que estamos sozinhos com a nossa dor. Assistindo ao seriado, senti uma vontade de escrever para os criadores da série para dizê-los que para uma garota, essa série foi o que ela precisou para se lembrar que nesse mundo 7 bilhões de pessoas também vivem, sonham e sofrem e que no fundo todos nós nos entendemos quando o assunto é decepções.
Se o mundo cantasse uma canção sobre decepção, ela nunca acabaria.

Na próxima manhã lavei a decepção da pele e observei como ela descia pelo ralo. Eu tomei o meu chá e engoli a amargura e resolvi fazer o que tinha me prometido na noite anterior: dedicar o dia às coisas boas e à minha mãe.
Fui dar a minha aula de inglês e esqueci tudo, porque eu estava no controle. O que a vida tem de planos para nós, não podemos controlar. Mas o que fazemos com eles, isso está nas nossas mãos. Então vesti a minha nova calça feita em casa e fui ao parque com a minha mãe para ver o pôr-do-sol. Comemos sanduíches e tomamos água de coco enquanto o céu queimava laranjado. Tudo estava quente e alegre e parecia uma noite de verão inocente, mesmo sendo o auge do inverno. Um dia atrás, o meu mundo estava caído e hoje estava sentada debaixo do céu de verão e sentia a vida em minha volta pulsar que nem um coração selvagem.

Resolvemos comer sushi e eu encontrei o caminho desconhecido como se eu soubesse para onde queria ir. De repente estava eufórica novamente e pensei: comida também deve ser uma forma de magia.

O próximo dia, o domingo, foi quente e dourado e eu e minha mãe passeamos pelas nossas ruas preferidas. Eu contei histórias da minha época de escola para ela e de repente eu volto a ser a pequena menina que amava fábulas, mas agora meus contos não são mais inventados. Eu conto do meu passado sem sentir falta dele. Eu só anseio pelo meu futuro, como se estivesse nostálgica por algo que ainda não existiu.

À noite sentamos juntas no sofá e rimos de besteiras na TV e eu estou feliz. Sentar ao lado da minha mãe é tudo que quero no momento.

Os dias são quase todos iguais. O ar é quente e cheio de sonhos, cheio de grandes expectativas. Às vezes tem cheiro de baunilha ou sol, dos incensos que ascendo. O sentimento que acompanha os dias já é quase doce-amargo, porque eu consigo ver o futuro e eu sei que coisas boas estão por vir, mas também sei como vamos sentir falta desse tempo. Eu consigo sentir as mudanças no ar. Nada será como um dia foi.
Eu vivo o agora como se já fosse o passado. Sinto saudade de momentos que acabaram de passar. Minha vida é uma contagem regressiva até a próxima viagem, até o próximo destino, até a próxima vida. Mas aqui, onde estou, encontrei uma vida da qual sentirei saudades.

E o que mais sinto é gratidão pelas euforias, pelos milagres e pelas magias da vida e aguardo até viver as próximas.








{Todas as fotos foram tiradas por mim quando estive em Pirenópolis/GO :) Acho que representam bem o sentimento que descrevi no texto.}


terça-feira, 7 de julho de 2015

Uma menina e a irresistível vontade de ir


A culpa deve ser do meu coração selvagem.
Nunca fiquei em um lugar por muito tempo. Sou uma nômade do mundo moderno e não há nada romântico na minha história. Literalmente. A minha cabeça sempre está nas nuvens - sonhando, planjeando, criando - e às vezes é difícil descer à terra. É como se existissem duas pessoas diferentes dentro de mim - uma que quer segurança, uma família, uma casa com varanda, um emprego tranquilo, e muita paz; e a outra quer tudo de uma vez agora. Viajar, morar em cidades antigas e enormes, ter amigos extravagantes, frequentar bares estranhos, ir à shows de rock, ser designer ou artista, pintar o cabelo de todas as cores do arco-íris.
Como descubro quem das duas eu realmente sou?

E o pior não é a bipolaridade. O mais difícil é que o mundo é grande demais e a saudade das pessoas que deixamos para trás quando caímos nele é algo que eu não quero viver. Talvez eu já poderia ter ido. Denovo. Poderia estar nesse exato momento em um lugar bem distante, vivendo vários dos meus sonhos ao mesmo tempo. Mas eu não consigo ir e deixar mais alguém para trás.
Tudo que eu sei e tudo que eu sempre fiz foi ir embora e deixar pessoas.
E eu não quero isso para o resto da minha vida. A vida de nômade moderna é interessante e meio aventureira, mas é bem solitária. Você não tem amigos de infância que te viram na sua fase adolescente e te conhecem do avesso. Você não tem lembranças de verão com gosto de picolé, excursões de bicicleta e sorrisos sem dentes com os seus novos amigos. Ninguém viu você crescer. E é triste e libertador ao mesmo tempo. Você pode ser quem você quiser. Você pode ser você, sem julgamentos sobre o seu passado. Ninguém te conhecia anos atrás.
Mas é disso que você sente falta.
E você sente falta da cidade onde você cresceu - o única lugar onde você ficou por mais tempo. Você sente falta de coisas que você não tem mais e de repente você se pergunta se está na hora de retornar àquele lugar. Onde a sua jornada começou. Onde você ainda era a menina que só sonhava em ir embora, mas que nunca tinha ido. Onde você ainda era uma só.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Jovens Para Sempre

Continuando o tema de 'juventude', segue um painel de inspirações para soltar a adolescente louca dentro de ti nesse fim de semana! Completo com playlist no final (;

***
"Um dia serei uma das velhinas usando roupas em tons clarinhos e uma bolsa pequena, sentada numa lanchonete observando um grupo de jovens rindo absurdamente alto. Um dia serei lenta e frágil e talvez um pouco sábia. Com certeza a ideia de 'ser velha' será estranha para mim. Afinal, eu prometi a mim mesma de nunca me esquecer como era ter 15 anos.
Nunca se esqueça de como era.

Forever Young


Lembra das noites de verão cheias de magia e amizade e um suave gosto de ansiedade e insegurança? Quando você se sentia imortal e corajosa. Aquele exato momento que você estava vivendo sendo o mais importante da sua vida.



Lembra quando você se apaixonou por um garoto com os olhos mais lindos que você já tinha visto? Você o viu pela primeira vez dentro de um trem que estava partindo. E você pensou: "Quem é ele? Eu quero ele para mim."



Lembra quando você virou amiga das suas rivais numa festa secreta onde todos estavam bêbados e alegres e gentís demais para ser verdade. Quinze anos de idade e você já sabia que não se podia confiar em qualquer pessoa.



Lembra quando você idolatrava pessoas que na verdade não mereciam esse tipo de sentimento. Como os melhores amigos viravam inimigos por um garoto ou falsos elogios. Como era importante aparecer que não estava nem aí para nada, nem um pouquinho.






Lembra daquelas tardes passeando sem rumo sonhando com o futuro e fazendo planos para cenas que provavelmente nunca aconteceriam. Lembra do som do seu riso ao lado da pessoa que era o seu mundo. Sapatos idênticos, jaquetas idênticas, futuros idênticos. Fazer tudo junto não era suficiente. Vocês tinham que ser iguais, tão grande era o amor que sentiam uma pela outra. Ninguém consegueria entender amor melhor que uma menina adolescente.

 























Lembra das manhãs dentro da sala cheia de rostos sonolentos e segredos cochichados. Quando a coisa mais excitante era uma festa na sexta-feira à noite onde todas as pessoas mais legais estariam presentes. A sua agenda era prova de que você não conseguia pensar em outra coisa a não ser estar presente nestas festas.




Lembra como no fundo você sempre se perguntava se os outros realmente gostavam de você. Quando você tentava ser um pouco mais engraçada, um pouco mais bonita, um pouco mais legal, mas parecia que nunca conseguia ser exatamente o que os outros queriam.




Lembra quando você vivia com a eterna certeza que o mundo poderia acabar amanhã, mas a sua melhor amiga estaria do seu lado, correndo de mãos dadas dos zumbis ou dos cometas. Quando todo dia era uma aventura. Quando todo fim de semana uma nova história era acrescentada ao seu diário com mil pontos de exclamações por que era difícil conter toda a emoção.




Lembra quando você era aquela garota que sempre se sentia como se a sua vida tivesse prestes a começar - mal sabendo que já estava vivendo as suas melhores lembranças."






Aqui vai a playlist:



Beijos,
Ju

terça-feira, 28 de abril de 2015

Vinte e Poucos Anos: e agora, o que faço da minha vida?

Um dia desses vi algo na internet que me deixou pensativa. A pergunta era:

Qual é a idade que você subconscientemente dá a si mesma?

Parece estranho, e na hora eu até frisei a testa e pensei 'Oi? Como assim?', mas depois notei que essa pergunta fazia sentido sim.
Eu tenho 24 anos. Nasci no ano 1991, quando o Xou da Xuxa ainda era o máximo e a internet nem sequer existia. Mas na minha percepção - na minha cabeça - eu não tenho 24 anos. Não mesmo. 24 anos é uma idade tão adulta. Lembro como antigamente via pessoas com 24 anos e pensava que aquela pessoa era tão velha. Não no sentido de velho=idoso, mas no sentido de ter uma vida definida e organizada e enfim, estar com tudo regulado e perfeitinho.


Pois é. Não é bem assim, né? A década dos 20 é provavelmente a era mais complicada e ao mesmo tempo divertida da nossa vida. De um lado a gente sente aquela pressão de escolher o que fazer da vida, encontrar alguém que valha a pena casar, ter amizades de verdade, comprar um carro, sair de casa...e do outro lado somos finalmente donos das nossas próprias vidas, podemos sair quando quisermos, podemos fazer o que quisermos e somos jovens! Queremos aproveitar essa fase!
Só que ninguém parece saber direito como.


Como aproveito essa fase dos 20 sem atrapalhar todo o resto da minha vida? Como sair para as 'nights' e sobreviver a ressaca e ainda trabalhar e estudar para a prova da faculade? Como encontrar alguém interessante e saber que aquela pessoa é o que eu realmente quero?
São tantas perguntas - tantas possibilidades - e ninguém tem as respostas. Mesmo quando dizem que têm, eles não fazem a mínima ideia.


 Porque cada um de nós tem um caminho a seguir e nenhuma vida é igual a dos outros. Em algum momento, a gente aprende isso e um peso que estava nos nossos ombros acaba desaparecendo. A gente se compara com os outros - fulana já está quase terminando a faculade e eu ainda nos cursinhos! Fulano foi contratado naquela empresa mara e eu aqui sem nem sequer um estágio! Os dois vão se casar e eu aqui namorando somente os personagens fictícios do meu seriado favorito! Mas é como nossas mães sempre nos disseram: o que os outros fazem é problema deles. ("E se a fulana pulasse de um prédio, você também pularia?" - Sim, todas as mães falam isso em algum momento. Deve estar em algum 'Guia Para Mães - Parábolas e Frases Úteis' que elas recebem assim que engravidam)


O que precisamos fazer quando estamos na fase dos 20? O que a gente quiser. O que a gente precisar fazer para chegar onde queremos chegar. Mas sinceramente? Ninguém caminha sempre em linhas retas. Não existe nenhum caminho perfeito - todos terão curvas, buracos, montanhas, descidas drásticas. Não é possível viver a vida sempre com 100% de certeza. Quando tinha 15, pensava que com 24 eu seria não só adulta e dona da minha vida, mas também super segura de tudo. Aquela pessoa que sabe das coisas e sabe o que está fazendo. Mal podia imaginar que em 99% das situações eu estaria improvisando ou escolhendo a opção menos pior. É engraçado essa noção de que em algum momento da vida você vira adulto e pronto, magicamente todas as suas dúvidas, inseguranças e os seus medos desaparecem. A verdade é um pouco assustadora, mas não tem como evitar: Ninguém sabe o que está fazendo. Todos estamos simplesmente tentando dar um jeito nessa coisa que chamam de vida.

É bom sermos honestas, principalmente nessa era de vidas virtuais mais que perfeitas - onde todo mundo vive feliz para sempre, sem problemas e sem falhas. Eu sinto falta disso às vezes na blogesfera. Cansei de fazer de conta que tudo está sob controle. Porque na verdade nunca esteve e descobri que isso não é uma coisa ruim. Ser adulto talvez não significa estar no controle - talvez ser adulto é justamente aceitar que você na verdade não controla nada - e se você errar, significa que você tentou. Que você teve mais um aprendizado.

Na minha percepção, acho que fiquei presa nos 19. Não me vejo como uma pessoa de 24 anos. Ainda adoro escutar as músicas da Britney Spears, sonho em ter cabelos de todas as cores e sim, eu sou fã de seriados e livros como uma garota de 16 anos. Talvez a minha Eu de 15 anos ficaria decepcionada. Mas o importante é que eu estou descobrindo quem eu sou. Estou descobrindo os meus sonhos verdadeiros, os meus talentos, a minha personalidade. A fase dos 20 nos mostra quem nós realmente somos. E não existe um certo ou errado. Então, se pudesse, diria para a minha versão adolescente que ela deveria sentir orgulho - pois estar na fase dos 20 não é nada fácil, mas sinceramente, estou fazendo o meu melhor.
E no final o que importa é isso: que não sejamos tão duros com nós mesmos. Estamos fazendo o melhor possível.


{Quase todas as imagens/gifs são do filme 'Bonequinha de Luxo' com a Audrey Hepburn. Na minha opinião, esse filme tem tudo a ver com a fase dos 20!}

>>E você, qual idade imaginária têm? Conte-me nos comentários! (: