Mostrando postagens com marcador meus favoritos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meus favoritos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

River Phoenix: Os meus filmes preferidos


Como já falei anteriormente aqui no blog, eu sou grande fã do River Phoenix. Ele é meu ator favorito de todos os tempos e ele mudou a minha vida ao me inspirar a me tornar vegetariana :) e consequentemente melhorar o meu estilo de vida.

Eu tive os meus estágios diferentes de "ser fã" do River.
Primeiro foi aquela fase obcecada incial, quando se descobre tudo que existe online sobre ele; depois veio a fase de assistir os filmes dele várias vezes - inclusive com outras fãs ao redor do mundo (nós nos organizávamos pelo Tumblr, e programávamos um horário e um filme e assistíamos juntos aos filmes, enquanto nos falávamos pelo chat. Era bem divertido!); depois veio a fase deprê de perceber que ele realmente se foi para sempre. Por fim, passei pela fase de ler todas as biografias mais indicadas que existem dele - que aliás, é difícil ler pois a vida dele foi bem complicada e o meu coração partiu ao ler algumas das partes nas biografias.

Duas das várias biografias que tenho sobre o River
Ás vezes encontro novas fotos ou histórias de encontros com ele, de antigos fãs ou de pessoas que trabalharam com ele. É tão legal quando surge algo novo dele! Nem quero saber quantas entrevistas em vídeo existem dele que nunca foram postadas na internet :( e que não podemos ver. Mas enfim, os anos 80 e 90 eram uma outra época e temos que ficar felizes com o que está disponível para nós. Acho que nem sempre gosto de assistir às entrevistas do River pois na maioria das vezes ele está aparentemente desconfortável tendo que responder às mesmas perguntas (bem bobas) de sempre. Até mesmo as biografias sobre ele me deixam desconfortáveis pois são tão cheias de detalhes pessoais que acho meio desrespeitoso às vezes.

Então, de certa forma, a maneira mais respeitosa mesmo de ser fã é admirar o trabalho do River e ler as mensagens positivas sobre o planeta e os animais que o River sempre se importou de compartilhar com o mundo.
Como já passei bastante tempo em fóruns e blogs de fãs do River, e trocando idéias com outras fãs (algumas que inclusive são fãs desde os anos 80), eu percebi que em comparação com o resto eu tinha uma opinião diferente sobre os filmes dele. Adoro falar sobre River, então resolvi fazer esse post falando sobre os filmes dele, os meus favoritos e porque gosto de alguns e (me desculpem) odeio o mais querido de todos.

Filmes que não assisti ainda:


Explorers (Viagem ao Mundo dos Sonhos, 1985)
River no filme 'Exlorers
Porque não vi:  Eu assisti só a alguns clipes do filme. É o primeiro filme de verdade do River, mas é infantil, bem no estilo dos anos 80.

Sneakers (Quebra de Sigilo, 1992)
River com Dan Aykroyd no set do filme Sneakers, '92
Porque não vi: assisti só às partes em que River aparece. É um típico filme de Hollywood e a trama em geral não me interessava.
Dark Blood (1993/2012)
Porque não vi: sinceramente, acho que esse filme é mal assombrado e tenho medo de ver...haha. Não, mas sério, é o último filme dele e pelas histórias que contam foi tudo meio bizarro (brigas, coisas quebrando e sumindo, e claro, uma tragédia que interrompeu tudo, depois as cópias das negativas foram destruídas num incêndio...tudo muito bizarro). Até hoje não tive coragem de assistir o filme que completaram ; apesar de ter comprado o DVD, que estava disponível para compra só no Amazon aqui da Europa (não sei se já tem em outros regiões também). Até mesmo as fotos do fillme me dão um sentimento estranho. Sei lá, esse filme tem um vibe ruim, não quero ver (e também não vou postar nenhum .gif para não amaldiçoar a gente 😁)

Filmes do River que assisti:

(Mais ou menos na ordem cronológica de lançamento - os títulos originais)

Stand By Me


O mais famoso filme do River, que passa na sessão da tarde do mundo inteiro (vi pela primeira vez na Alemanha na TV, quando era criança) e que quase todo mundo conhece. Acho que não teria sido a mesma coisa sem a presença de River - posso estar exagerando, afinal, sou fã dele, mas não dá pra negar que ele tem algo magnético nele que chama a atenção. Lembro que em uma biografia que eu li, mencionam que várias pessoas pensaram que River merecia um prêmio pela sua performance no filme.
Eu, como várias outras pessoas, amo esse filme de paixão e tenho certeza que continurará sendo um clássico para as próximas gerações. Mas também me deixa um pouco triste - no final, o personagem que é interpretado por River desaparece por ele ter morrido alguns anos depois. Ninguém na época sabia que isso daria um ar bem sómbrio ao final, já que a vida real imitou a arte.
O mais legal que achei é que River conseguiu passar esse ar de 'garoto cool' com o jeito que ele olha e sorri no filme, e quando ele mostrou o lado mais frágil do personagem ficou real e natural, sem ser forçado.

Mosquito Coast
"Obra de arte viva"


Esse filme é bem bizarro e Harrison Ford fez o papel do pai louco que leva a família para morar longe da civilização super bem, na minha opinião. Mas é estranho como River fez um filme que parece que fala da própria vida dele, já que os pais dele também decidiram viver longe dos EUA de uma forma "livre" e dedicada à religião.
Acho que de todos os filmes de River, esse (junto com Running on Empty) mostra para mim a diferença dele de outros atores. Nesse filme, ele é impressionante. Ele nem precisa falar nada; consegue transmitir tanta coisa só com o olhar dele. Você sente o desespero do menino ao perceber que o seu herói, o seu pai, está beirando ao delírio. Você vê nos olhos dele medo e um certo senso de responsabilidade de salvar a família do abismo. Dá vontade de dar um abraço bem forte no coitado do menino :(
Talvez para fãs a interpretação de River acaba ficando mais "forte" pois sabemos da história de vida dele, e a maneira como ele cresceu, mas acho que mesmo para pessoas que não sabem quem ele é devem ficar impressionados com o menino nas cenas. Ele rouba a cena sem nem tentar. Uma fã uma vez disse: ele é uma obra de arte viva nesse filme. Ela disse tudo, na minha opinião.

(A Night in the Life of) Jimmy Reardon


Ah, o filme de controvérsia! Tanto entre fãs como entre o time de River e o diretor.
Basicamente, esse filme seria uma daquelas típicas histórias de um adolescente que aos poucos vira adulto, ou como dizem em inglês "coming of age movie". River interpreta um rapaz pobre que quer ir para Havaí ao terminar o Ensino Médio, mas o pai queria que ele seguisse os seus passos. O filme não tem uma trama muito clara, nem sofisticada - o personagem de River fica com algumas meninas e mulheres e se mete em encrenca. Realmente não dá para entender qual a real mensagem do filme.
A mãe do River no final não quis que o filme fosse lançado, pois achou que o filme pudesse atrapalhar a imagem comportada que o River tinha na época, principalmente por causa dos fãs mais novos. Realmente, levando em consideração que River tinha uns 16 anos quando filmou o filme - que inclui cenas de amor com uma menina da idade dele e uma mulher mais velha (que parecia ter quase 40, na minha opinião), sendo que ter relações com pessoas menores de 18 anos é ilegal nos EUA e tem muita gente que vai até preso por isso - dá para entender porque a mãe do River não curtiu o resultado final, apesar de que ela poderia ter acompanhado as filmagens e evitado isso, mas ENFIM. Vai entender os pais dele. Eu acho o filme um pouco bizarro por causa da sexualização exagerada dele, além das outras meninas que também tinham a mesma idade que ele. Mas isso foi nos anos 80 - sabemos que hoje em dia, um filme desse não seria mais feito, e é também o motivo porque em quase todos os seriados de adolescentes os atores já tem pelo menos uns 18 a 20 anos na vida real.

De qualquer forma, o filme não é tão ruim como algumas pessoas dizem. Comparado com outros filmes adolescentes, nem acho tão ruim. Acho que de qualquer maneira pro River foi bom interpretar um personagem diferente dos outros que ele sempre fazia; não um garoto trágico, pertubado, mas um jovem galã. E como sempre, River também conseguiu mostrar emoção mesmo nesse papel. A cena em que ele briga com o pai é muito bem feita, e eu sempre fico impressionada com a atuação dele.
Tem um clipe de uma entrevista que River deu ainda bem jovem, antes de filmar My Own Private Idaho, onde ele fala sobre o filme "Jimmy Reardon": "Foi legal poder fazer esse papel, porque eu sempre faço as vítimas e dessa vez eu 'vitimizo' os outros."
Essa foi uma das poucas vezes em que ele falou do filme, já que a mãe (que cuidava dos negócios dele e agia também um pouco como agente dele) impediu que River participasse da divulgação do filme.
No filme "Jimmy Reardon" ele contracena com Ione Sky, que se tornou uma amiga próxima dele.

Little Nikita


Esse filme é super estranho. Acho que os filmes nos anos 80 eram bem diferentes de hoje e esse é um exemplo perfeito para mostrar porque. A trama parece não ter nem pé nem cabeça e tem tão pouca lógica que fica difícil de levar a sério. E isso levando em consideração que o filme contava com a participação de Sidney Poitier, um dos maiores astros de cinema da época, o primeiro homem negro a vencer o Oscar na categoria principal. Ou seja, o filme contava com um ótimo elenco, uma produção de Hollywood e mesmo assim conseguiu ser tão bobo.
O personagem de River é novamente a vítima dos seus pais (que são espiões russos nos EUA...a Guerra Fria era, afinal, um assunto bem atual na época) e descobre que seus pais mentiram para ele a vida toda.
Eu particularmente achei a história com o policial mais velho e o garoto da escola um pouco estranha, pois gente, como que você não fala para os seus pais que tem um cara velho te estalkeando? Policial ou não (pensando bem...ainda mais por ser policial!). Talvez eu tenha uma mente pertubada, mas isso deu um ar meio creepy ao filme, ainda mais porque o personagem do River, o Jeff, em um ponto até pergunta pro policial Roy porque ele sempre vive aparecendo perto dele e se ele era gay. OK. Estranho.
Bom, de qualquer maneira River fez o papel de típico garoto americano e filho de espiões russos até que bem, e claro que teve que ter uma cena dele chorando. Isso já tinha se tornado a sua marca. E tenho que dizer que apesar de o resto do filme ser oco, com personagens superficiais e exagerados, River é o único que parece "real". Dá pra sentir dó do coitado do Jeff. E um pouco de inveja do cabelo dele também, claro.
River disse depois sobre o filme que não curtiu a imagem estereotipica dos russos que o filme mostra, com toda razão, além de ter achado a sua performance bem fraca e confusa. O diretor do filme não mostrava as cenas filmadas para River, por tratá-lo como uma criança, o que dificultou o trabalho de River, já que ele não conseguía ver o que ele fez e consequentemente melhorar. Dá para notar isso no filme, mas na minha opinião, acho o Sidney Poitier até mais fraco, considerando que ele já era um ator consagrado.
Recentemente, surgiu um novo vídeo do River em que ele é entrevistado e é perguntado justamente sobre as "dailies", as cenas filmadas, e se isso ajuda ou não no trabalho de um ator. River responde, como sempre, super profissionalmente e com aquele jeito gentil dele, dizendo que o diretor de Little Nikita havia decidido não mostrar as cenas para ele com razão, pois era o efeito que o diretor esava querendo causar - esse ar confuso e perdido, que o Jeff (personagem de River) demonstra no filme. Ou seja, River não o criticou, mas respeitou a decisão dele como diretor do filme.
River, tão confuso como eu assistindo o filme


Running on Empty





Um dos favoritos entre fãs e críticos de filme, Running on Empty é novamente um filme que tenho certeza que hoje em dia teria sido filmado de outra maneira. Hoje em dia eles não fazem mais filmes assim. Apesar da história dramática por trás, o filme é bem simples e acho que se não tivesse a perfeita atuação de River, nunca teria sido tão bom.
É impressionante como ele conseguia transmitir emoção e vulnerabilidade através dos seus papéis. Para mim, é único. Nunca vi alguém mostrando esse tipo de talento, com exceção de alguns atores crianças que ainda carregam aquela naturalidade infantil. Mas um jovem ou adulto mostrar emoções puras e naturais, tão honestas e simples como River fazia, nunca vi. Não digo que eu sou uma grande crítica de cinema, mas assim como qualquer pessoa que assiste filmes e seriados, eu consigo captar quem tem puro talento e quem tenta, tenta, mas continua sem convencer. Por exemplo, acho que a Millie Bobby Brown na primeira temporada de Stranger Things mostrou puro talento, conseguiu transmitir várias emoções através do seu olhar, e fico curiosa para vê-la em outros papéis, mas ela ainda era criança e acho que crianças tem um jeito mais solto de atuar que às vezes se perde quando ficam mais velhos - algo que não ocorreu com River, ele continuou  se entregando a cada papel e sempre conseguiu transmitir emoções reais, sem forçar nada.
Bom, mas para falar do filme: eu gosto muito, mas não sei se senti muita simpatia pelo resto do elenco. Achei os pais muito fracos em comparação com o River, ainda mais se levar em conta a situação (que na minha opinião, é bem dramática!). Não gostei nem um pouco da personagem que é a namorada do Danny (River), que me irrita profundamente toda vez que assisto haha. Também tenho que dizer que não tenho muita simpatia pela própria atriz que a interpreta, então juntou os dois: personagem chata com atriz que eu não gosto, então ficou difícil mesmo para a coitada me convencer.
Enfim, gosto de assistir esse filme pela linda atuação do River, mas não sei, tem muita coisa meio decepcionante no meio.
Para quem não sabe, River foi indicado ao Oscar (e ao Golden Globe) pelo papel de Danny. Ele aprendeu a tocar piano para esse filme, o que a academia que dá o prêmio sempre curte muito (quando envolve esse tipo de dedicação). Um dos momentos mais fofos de River é a felicidade (e alívio) dele ao ver que o colega dele, Kevin Kline, ganhou o Oscar, e não ele (tem o clipe no youtube da reação espontânea dele).
Bom, mas sinceramente, quando eu vejo esse filme, só quero - como praticamente em todos os filmes do River - dar um abraço nesse menino.

I Love You to Death




Esse é um dos meus filmes preferidos do River, e acho que em geral também. O humor negro no filme é muito bom e eu consigo rever várias vezes e sempre me divirto. Acho que entre os fãs de River, esse é um filme pouco mencionado e eu não entendo porque!
A trama já mostra o absurdo humor do filme: Rosalie descobre que o marido dela está traindo-a. Por Rosalie ser católica, um divórcio nem entra em cogitação. Então, só resta uma coisa que Rosalie pode fazer: matá-lo. Só que o plano de envenenar o marido com a ajuda da sua mãe não dá certo, então elas pedem ajuda ao funcionário da pizzaria de Joey, o Devo (interpretado por River), um hippie que é apaixonado por Rosalie. Devo resolve ajudá-las mas também não dá conta de matar Joey, então ele contrata dois rapazes (um deles é interpretado por Keanu Reeves) que cometerão o crime por dinheiro. E esses dois são tão burros que também tem dificuldade ao assassinar Joey. Será que alguém conseguirá acabar de uma vez com Joey?
Gente, só de pensar no filme já tô rindo denovo! A combinação de personagens malucos é perfeita. River ficou ótimo como o hippie Devo. O Devo curte essas coisas espirituais meio orientais como chakras, tarot, runas e lembra esses blogueiros hipster que postam no Instagram sobre ioga e smoothies verdes. Assim como o resto dos personagens, Devo também não é muito inteligente. Tem uma cena em que ele vai à busca de assassinos, e para se disfarçar ele cola um bigode no rosto e bota uns óculos. O cara do bar óbviamente reconhece ele na hora. O humor não é nada muito sofisticado, mas é hilário haha.
Keanu Reeves como um drogado ultra-burro também está ótimo. Mas acho que o melhor personagem é a mãe da Rosalie. Ela é da Polônia ou Russia, e fala com um sotaque e ela é mega durona, mas tem uma moral dupla engraçada ("Eles são drogados? Eu não quero drogados na minha casa!" - sendo que contratou os dois para matar o marido da filha! hahahaha)
Quando Devo fala que vai procurar assassinos profissionais e pergunta para a Rosalie quanto que ele pode oferecer para eles fazerem o "serviço", Rosalie diz "O quanto que quiserem!". A mãe olha para Devo e diz "É, mas não tanto assim. Pede por um desconto." Hahahaha, adoro esse filme!
O filme é um clássico! Recomendo assistir depois de ver qualquer um filme do River que te deixe triste!
Foi durante esse filme que River e Keanu viraram melhores amigos, e decidiram fazer o filme "Garotos de Programa" (My Own Private Idaho) que mudou a carreira, e vida, de River.

Garotos de Programa (My Own Private Idaho)




Keanu disse que River e ele acabaram topando de participar do filme só se o outro também topasse. A amizade entre os dois era bem especial e dá para ver até hoje o quanto River é e era especial para Keanu. Tenho muito respeito por Keanu, ele como Winona Ryder, são atores que fazem filmes por amor mesmo e não buscam celebridade. São pessoas reais.
O filme é muito cult para meu gosto e só vi umas duas vezes. Mas na verdade, eu sinto uma tristeza muito grande ao assistir o filme, porque de um lado eu culpo esse filme e a experiência do River durante as filmagens pelo envolvimento dele com drogas pesadas e consequentemente com as pessoas erradas.
Mas enfim, River fez muita pesquisa para esse filme e queria entender mesmo a vida desses garotos de programa. (Existem clipes no youtube das entrevistas que o River fez com dois ex-garotos de programa para fazer o papel de Mike.) Dizem que River começou a usar drogas mais pesadas, inclusive heroína, pela primeira vez durante as filmagens desse filme.
O Mike no filme me dá muita dó, como quase todos os personagens que o River fez. Mas o Mike é o mais triste de todos :( Essa busca pela mãe, por um lar, e a maneira que ele vive e depois, quando ele tem que ver o menino que ele ama com outra pessoa e ele fica todo triste e ciumento...poxa, é de partir o coração.
River está bem diferente nesse papel. Como ator, dá pra ver que foi um trabalho magnífico por parte dele, principalmente se você assistir os filmes anteriores a esse antes. Ele se tornou o Mike, físicamente e psicologicamente. Ele andava de um jeito diferente, o olhar é outro, a energia é outra. Se você assistir o Danny, de Running on Empty, e depois o Mike, você quase diz que não é a mesma pessoa.
Muitas pessoas falam sobre a importância desse filme e da participação de River, um grande astro teen da época, num projeto que humaniza garotos homosexuais. E o filme é extraordinário, os cortes e as cores são lindas, mas não teria sido a mesma coisa sem a mudança que River trouxe na trama. River simplesmente tornou o filme - que antes era somente sobre meninos que se prostituíam, mas que não eram necessariamente homosexuais - em um filme gay. Foi ele quem teve a idéia da famosa cena em frente ao fogo, que transformou o filme em um clássico gay. Não dá pra imaginar como isso era uma coisa absurda nos anos 90 - se hoje ainda é um pouco um "risco" para a carreira de um ator fazer o papel de um homem gay, imagina há quase 30 anos atrás! Era algo quase inexistente. E River sabia do poder da representação através da arte e de filmes, e ele não estava nem aí se isso poderia afetar a carreira dele negativamente. A agente dele inclusive tentou impedir que ele participasse do filme, e ele ainda tornou o filme mais "escandaloso" ainda! Hahaha..ele era uma pessoa muito especial!

Mas mesmo assim, eu tenho um pouco de raiva do filme...Acho que também é por isso que não consigo curtir o filme de maneira neutra...quando se vê as fotos do River depois desse filme, dá pra notar que ele demorou bastante tempo pra "retirar" o Mike de si. A técnica de atuar dele, Method Acting, o transformava no personagem por algum tempo, mas acho que teve alguma coisa no trabalho dele durante essa época de pesquisa que agiu como gatilho (trigger) na mente dele, trouxe à tona algumas experiências ruins da infância dele, quando ele sofreu abusos. Acho que foi isso em combinação à "se tornar o Mike" que levou o River a usar drogas pesadas frequentemente, já que até mesmo depois que ele tinha se "livrado" do personagem, ela continuo usando heroína :( Infelizmente, muitas pessoas não acreditam em tratamento médico ou psicológico, algo que pode ajudar uma pessoa que tem algum tipo de vício sério. Os pais dele eram contra medicina tradicional e River não recebeu o apoio e acompanhamento profissional que ele precisava...

Dogfight



Esse é o filme do River do qual eu menos gosto. Acho que a primeira vez que eu assisti o filme, eu parei no meio porque eu não estava aguentando a "vergonha alheia" que eu sentia - não é a palavra ideal, mas o que sinto ao ver esse filme é quase uma agonia por ser tão desconfortável ver essas duas pessoas juntas. Não combinou. Não me convenceu.

River faz o papel de um soldado que é um total babaca assim como os seus amigos babacas. Eles tem uma brincadeira idiota de convidar meninas "feias" para um encontro e quem trouxer a garota mais feia de todas ganha. (Aff, eu já sinto vergonha só de escrever essa frase.) Praticamente, esse filme é sobre garotos sendo babacas e zoarem de meninas consideradas "feias" e claro, um deles percebe que a garota "feia" é legal e ele se sente mal pelo que ele fez, ela aceita a desculpa dele porque claro né... eles ficam juntos e depois quando ele retorna da guerra eles se reencontram e os dois estão bem mais maduros e experientes. Qual a moral da história? Não sei. Se eu tivesse escrito uma coisa dessa, teria mandado ela não só dar uma porrada nele (o que ela faz, tudo bem) mas nem teria mais olhado para cara dele!

Acho que deve ser muito chato filmar o papel de menina feia e também é horrível como a atriz teve que engordar para fazer o papel, além de terem "aumentado" o corpo dela com preenchimentos, ou seja, mulher que não for magrela é automaticamente feia?

Já o papel de River não combinou com ele e não entendo porque ele escolheu fazer esse papel, que era bem ao contrário de tudo que ele pessoalmente acreditava. Afinal, o personagem dele defende "atirar em pessoas", guerra e acabar com o comunismo, e tudo bem que ás vezes é bom sair dos papéis comuns, mas para quê interpretar alguém que apoia tudo aquilo que você acha errado? Se o personagem dele pelo menos viesse a questionar isso tudo...mas não. Em nenhum momento a guerra no Vietnã chega a ser de fato criticada (e vamos ser sinceros, a guerra do Vietnã foi uma das piores coisas que os americanos já fizeram, depois do tráfico humano em massa e escravidão).
Enfim, esse filme realmente não está entre os meus favoritos e já li nas biografias que River também se sentiu desconfortável com o tema de "mulher feia".
Uma observação à parte: tem a história de que o River como sempre "entrou no papel" e se tornou o personagem por um tempo; ele causou uma brigo de porrada em um bar, bem no estilo do personagem. Aqui tem uma foto dele com um fã durante as filmagens, e dá pra ver a mancha roxa no rosto dele ainda (no filme ele não tem essa ferida no rosto):



Silent Tongue


Acho que esse filme é o segundo pior no qual o River participou, mas a trama na verdade nem é ruim. O fantasma de uma mulher indígena que foi forçada a se casar quer se vingar pelos homens que a fizeram sofrer e o rapaz que havia se casado com ela sofre com a morte dela, perdendo a sanidade.
River faz o papel do jovem viúvo que está louco por tristeza e ele de fato parece louco! Totalmente louco. Ele era um ator muito espontâneo e natural e acho que nesse papel dá pra notar o tanto que ele se soltava mesmo.
Não tenho muito a dizer sobre o filme, a não ser que achei que tinha bastante potencial para ser uma história interessante, mas que não conseguiram trazer para a tela de forma cativante.

The Thing Called Love


Já vi muuuuitos fãs criticando esse filme pra caramba, mas talvez eu seja realmente "do contra" pois é um dos meus preferidos e sempre revejo. Tem gente que diz que o filme é bobo, vazio, chato, típico Hollywood, comédia romântica idiota, e por aí vai.
Sinceramente, não entendo as críticas. A trama é simples? É. Mas tem um diferencial: o foco do filme é a busca de uma jovem por um sonho dela: se tornar escritora de músicas country. E só para constar: no final, não fica claro se ela fica com alguém, se ela fica solteira ou o que ela resolve fazer da vida amorosa. Só fica claro que ela não vai desistir do seu sonho. E pode ser clichê, mas tem uma mensagem positiva aí, principalmente de um ponto de vista feminino. Lembrando que isso era o início dos anos 90 - quando havia muito menos filmes com protagonistas femininas independentes e não focadas só em amor.
Então, tenho que dizer, não entendo o motivo para tanta crítica a cerca desse filme. Talvez seja pelo fato de os fãs de River (hoje em dia) serem meio "cult" e intelectuais e só gostam dos filmes mais clássicos que ele fez. Mas esse pessoal tem que levar em consideração quem River era na época: ele era um ídolo teen. Ele tinha na sua grande maioria fãs jovens, e muitas delas eram meninas. O motivo porque River decidiu participar desse filme? Ele achou legal que o filme seguia uma menina, que o papel principal era uma menina. Ele mesmo disse que em Hollywood era extremamente difícil ser uma atriz e conseguir papéis bons e por isso ele quis apoiar esse projeto, que reinforçava uma mensagem positiva para meninas jovens.

Dá pra entender muito bem que ele usava a sua voz e sua fama da melhor maneira que sabia. Para abrir portas para outras pessoas, e de minorias (apoiando um filme sobre garotos de programa e ativamente tornando o filme mais gay do que originalmente planejado; participando de filmes que davam uma voz para uma menina ambiciosa). E levando em consideração que as suas fãs poderiam se identificar com a história da garota em The Thing Called Love.

Mas mesmo fora isso, realmente acho que o filme é divertido. Sandra Bullock faz parte do elenco, e realmente tem muito carisma e humor; Dermot Mulroney, que também tinha trabalhado no filme Silent Tongue com River, dá uma sensibilidade muito genuína ao personagem dele; e Samantha Mathis, a última namorada de River, também parece simpática no papel. A química entre todos os personagens é ótimo - claro, entre River e Samantha, mas também entre Sandra e Sam, Dermot e River, e vice versa. Eles combinaram todos muito bem.


O papel de River, o James, é um cara arrogante e complicado, e eu AMO a maneira como River interpretou James. Na verdade, toda vez que vou ler um livro que tem um personagem vilão que mesmo assim é carismático, eu imagino os como o James de River. OK, pensando bem, quase todos os personagens que eu gosto de livros eu imagino como o River :) Mas o James é o perfeito vilão com olhares malvados que você acaba amando.



Tem gente que diz que nesse filme River está com aparência de drogado, que os olhos estão sem vida, o cabelo está sem brilho, etc. o que também é, na minha opinião, exagero, pois tenho certeza que se alguém assistir ao filme sem saber da história de River, sem saber que ele morreu por causa de drogas, não notaria nada fora do normal. É psicológico, e talvez seja normal justamente procurar por isso. O que sei é que a aparência de pessoas nos filmes é ditada pela produtora e eles ás vezes pedem para o ator mudar o corte ou a cor do cabelo (o que aconteceu no filme Dogfight; pediram para ele fazer luzes, pois acharam o corte militar não muito bonito).

Como sempre, River está bem diferente de seus outros papéis, quase parecendo outra pessoa. Veja esse filme e depois assista My Own Private Idaho - é outra pessoa! O olhar, o jeito de sorrir ou andar é outro. Se ele estava drogado como alguns dizem? Não sei, mas acho difícil a pessoa fazer um bom trabalho usando drogas pesadas.

De qualquer forma, esse foi o último filme completo de River. Em muitos países foi lançado depois da sua morte (outubro de 1993).

+++

Bom, esse foi um post muito divertido para mim :) Amo falar sobre River e talvez eu faça mais alguns posts aqui sobre ele. Claro que tudo que escrevi é só a minha opinião pessoal e respeito opiniões contrárias!

Por favor me digam o que acharam e quais são os seus filmes favoritos - ou menos preferidos - do River!

Bjs,
Ju






terça-feira, 2 de agosto de 2016

Produtos Deluxe: Cosmética Natural

Percebemos que as pessoas estão mudando a sua visão a cerca de várias coisas no mundo. Hoje existem muito mais pessoas veganas e vegetarianas, pessoas que se comprometem em deixar o meio ambiente mais limpo, e que compram só em lojas e de marcas que são sustentáveis. E isso é um avanço muito importante e faz parte da evolução humana. Claro, ainda não está perfeito e ainda existem muitas barreira, mas temos que tentar sempre olhar pro lado positivo.

Muitas pessoas também estão se preocupando em usar produtos naturais e eliminar o excesso de química não só dos alimentos que comem, mas também nos produtos que utilizam para a higiene e beleza pessoal. Atualmente estão surgindo muitas microempresas e empreendedores independentes que focam no mundo dos cosméticos naturais, utilizando principalmente óleos naturais. Eu, como a louca de cosméticos que sou, fiquei muito feliz em poder descobrir mais desses produtos e nesse post contarei o que achei dos cosméticos, cremes, sabonetes naturais etc. que testei.

Marcas que dizem focar em cosméticos naturais


Existem algumas marcas grandes e já conhecidas que focam em ingredientes naturais e sustentáveis. As quatro mais famosas também existem no Brasil: a Kiehl's, The Body Shop, L'Occitane e a Lush. Dessas quatro, duas pertencem ao grupo L'Oreal: a Kiehl's e a The Body Shop. Sendo que a L'Oreal é conhecida por testar seus produtos em animais - tanto a L'Occitane e a Lush aparentemente não testam em animais, e a L'Occitane também não tem produtos de origem animal nos seus cosméticos a não ser a cera de abelha, e a Lush oferece vários produtos completamente veganos também.


Todas elas têm ótimo atendimento - a grande maioria dos vendedores estudaram estética e entendem muito bem como cuidar da pele. Cada uma das marcas tem lojas carismáticas e com um estilo diferente; a Kiehl's não nega sua origem cool de Nova York, mas foca num estilo retrô para deixar claro que estão há bastante tempo no mercado. Além disso, o branding dos produtos e das lojas lembra um pouco aquelas antigas drogarias americanas, o que transmite ao cliente a sensação de estar em boas mãos.
A Kiehl's oferece uma análise de pele gratuita, o que eu amei quando fui pela primeira vez. A vendedora fez várias perguntas a mim e de acordo com o que eu disse, aplicamos alguns dos produtos que ela indicava para a minha pele. Ela dá dicas de como usar tudo direitinho, conhece os ingredientes e informou quais produtos eram essenciais para o cuidado da pele. Além disso, eles te dão muitas amostras de produtos. Inclusive eles dão até mesmo se você não comprar nada - claro que depende do vendedor, mas pela política da marca, as amostras são uma maneira de fidelizar novos clientes.

A loja da L'Occitane é toda charmosa e francesa, muito feminina e já mais direcionada a um público mais velho. Também adota o estilo vintage, o que deixa os produtos com um ar ainda mais luxuoso.
The Body Shop é de todas as quatro a mais neutra e mais organizada para que você consiga explorar a loja sozinha também. A embalagem dos seus produtos não é a minha preferida, e o visual da loja também não é tão carismático em comparação às outras lojas.
Provavelmente a Lush vence em termos de design que chama a atenção. É impossível passar por uma loja da Lush sem notá-la - o visual é colorido, exagerado e divertido e o cheiro gostoso é super forte! Você sente há metros de distância que tem uma loja Lush por perto.
Na Lush você pode testar tudo, e não precisa necessariamente de um vendedor por perto. As pias estão disponíveis para você conhecer os produtos oferecidos. É bem divertido, mas muitas vezes a ajuda de um vendedor é importante para saber se aquele produto é o certo para você.


Essas empresas tentam ao máximo competir no mercado de cosméticos e ao mesmo tempo trabalhar de forma sustentável. Isso exige muito esforço, pois os ingredientes exóticos utilizados, como manteiga de carité e óleo de jojoba, vêm de países mais pobres onde a exploração do ser humano e do meio ambiente é realizada com facilidade por não terem fiscalizações muito rígidas ou leis trabalhista muito justas. O óleo de palma (azeite de dendê) por exemplo é utilizado em cosméticos e alimentos, e causa muito desmatamento e destruição do habitat de muitos animais. Muitas pessoas estão por isso evitando comprar produtos que contém esse óleo (por exemplo a Nutella).
É claro que para oferecer produtos naturais, orgânicos e de fair trade (comércio justo), o valor dos artigos também fica cada vez mais caro. Quanto mais barato um produto, mais provavel é a possibilidade de ter sido produzido sob trabalho escravo ou abusivo e de ter ingredientes baratos e sintéticos. Mas o consumidor ainda prefere pagar menos - o que leva muitas empresas a cortar custos para ainda ganhar bastante lucro.

Resultado: Kiehl's e The Body Shop se vendem como empresas 'ecofriendly' e cheio de ingredientes naturais, mas na verdade não estão preocupados com a natureza (o foco do grupo L'Oreal é o lucro) e usam vários ingredientes químicos (entre eles o famoso parabeno) e que ainda prejudicam a pele e a saúde.

Até a Lush, cuja imagem é de empresa super mega responsável e 100% natural -  tem vários ingredientes tóxicos e conservantes perigosos como parabeno nos seus produtos. Na verdade, 83 dos produtos da Lush contém parabeno.
E sim, a L'Occitane também não passa pelo teste -  vários artigos na internet mostram que os ingredientes dos produtos não são naturais e sim super químicos.
Isso significa que essas empresas enganam a sua clientela, vendendo imagens utópicas e cobrando caro por artigos cheios de ingredientes baratos e tóxicos.

---
Apesar disso, tenho que dizer que essas empresas têm alguns produtos que eu realmente gosto.

Da Kiehl's eu já falei um pouco nesse post (um pouco pra baixo no post).

The Body Shop tem uma linha de produtos com manteiga de karité que eu realmente amei. Nunca tinha comprado nada dessa loja, mas um belo dia eles estavam com uma promoção dos potinhos pequenos e uma cliente brasileira na loja recomendou a manteiga de karité. Essa moça brasileira me contou que trabalha como esteticista e que usa a manteiga da Body Shop há anos e que graças a ela não teve estrias durante a gravidez.

Levei então a Body Butter Karité, o Body Scrub Karité que é um peeling corporal e um outro peeling de coco. Além disso, também testei o sabonete cremoso de karité e o sabonete em barra da mesma linha. O bom da Body Shop é que eles também oferecem amostras quando você compra algo :)


A body butter é muito boa, apesar de ser um pouco oleosa demais para dias muito quentes. Você não precisa de muito, e ela derrete na pele, porém, demora um pouco até ser absorvida. Eu uso principalmente no decote e nos ombros, pois acho uma área bem sensível que sofre com a exposição ao sol, então para cuidar e evitar rugas precoces eu tento hidratar essa área bastante.

O peeling da linha karité é muito cheiroso, mas não faz uma esfoliação muito forte, portanto, dá para ser usado na parte do decote também. Essa esfoliação já deixa a pele hidratata e você nem precisa mais usar creme no corpo depois do banho. Acho um ótimo produto, mas deixa a área da ducha um pouco oleosa, então tem que limpar bem depois para não escorregar.

O sabonete em barra e o sabonete cremoso são muito bons também, mas o cremoso não tem muita espuma e é melhor passar no corpo com uma esponja. Mas eu gostei bastante dos dois e também sinto que a pele já fica hidratada ao usar os sabonetes.


O peeling de coco já é uma esfoliação mais forte, então só uso nas pernas para combater um pouco a celulite, e nos braços, mas evito áreas mais sensíveis. Tem um cheiro bem discreto de coco, mas passa rápido. O produto também acaba bem rápido.

---
Produtos da Lush que eu testei:


A máscara para o rosto Mask of Magnamity (que também foi testada pela Kylie Jenner) serve para limpar o rosto e o corpo e retirar o excesso de óleo da pele. É uma máscara bem refrescante por ter hortelã na composição. Você deixa agir por 10 minutos e ela seca e fica dura - quando você retira, você acaba fazendo um peeling na pele pois a máscara tem umas partes mais grossinhas. Eu gostei da máscara e acho que ela tem um ótimo efeito, principalmente quando está bem quente, quando você sua muito e tem aquela impressão de que precisa de um detox na pele! Mas ela tem prazo de validade curto...então tem que acabar logo com ela, o que não é muito fácil pois você só deve usá-la no máximo 2 vezes por semana.

Além disso testei uma máscara para os cabelos "Damaged" que eu não curti muito. Primeiro, você tem todo o trabalho de derreter a máscara em barra. E além disso a máscara é muito pesada e super difícil de retirar dos fios. Tive que lavar novamente com shampoo para retirar o excesso da máscara do meu cabelo.


---
Apesar desses produtos serem 'naturais' segundo as empresas, todos contém ingredientes não recomendáveis. Na Alemanha existe um site chamado 'Codecheck' no qual dá para pesquisar produtos pelos nomes e verificar a lista dos ingredientes - os ingredientes bons sairão na cor verde, os não muito recomendáveis sairão na cor laranja, e os realmente ruins sairão vermelho. Veja aqui um exemplo com a máscara pro rosto da Lush. Ela contém Methylparabeno que segundo o Codecheck, não deveria ser usado em cosméticos naturais e um outro chamado 'Talc' que pode causar câncer.
Para quem quer usar produtos naturais, essas empresas acabam sendo uma decepção.

Mas e agora? Qual é a alternativa para alguém que queira evitar produtos químicos?

O problema em usar produtos cheios de química é que eles causam mais dano do que ajudam a sua pele. Você pode estar com espinhas, manchas ou simplesmente com a pele oleosa demais por usar produtos agressivos. Tudo que você passa na pele é absorvido e entra no seu organismo - por isso, muitas pessoas estão mudando as suas rotinas de beleza para cuidar melhor da sua saúde.

Afinal, porque deveríamos pagar caro em produtos cheio de óleos baratos e química que irrita a pele, se podemos cuidar da nossa beleza de uma maneira limpa, saudável e ecologicamente correta?


Óleos Vegetais
Quase todo mundo já conhece o óleo de coco e suas 1001 maneiras de uso. Eu também adquiri um pequeno óleo de jojoba, por ter lido que é um dos melhores óleos para a nossa pele e nosso cabelo. Existem muitos óleos vegetais e com certeza você vai encontrar um que combine com a sua pele e cabelo. Confira aqui um site que explica os benefícios de cada um. Vocês podem encontrar produtos com óleos vegetais na Força da Terra, mas não posso recomendar pois nunca comprei nada deles, só vi uma indicação no Facebook de uma cliente.

=> A minha experiência até agora com óleos vegetais tem sido muito boa. O importante é utilizar os óleos com a pele e o cabelo um pouco úmidos, pois assim a absorção é mais fácil. O óleo de jojoba é super leve e a pele do rosto realmente o absorve muito bem. Principalmente na área dos olhos sinto que faz uma grande diferença e deixa a pele super macia e luminosa.
Porém, descobri também que o óleo de jojoba na verdade não é um óleo e sim uma cera que é muito parecida com o sebo natural da pele humana. E por ser uma cera, ele tem um sensação boa na pele mas não penetra de verdade e, portanto, não hidrata profundamente.
Já o óleo de Argan é sim um óleo muito hidratante e não comedogênico, o que significa que ele não deixa os poros entupidos.
O óleo de coco é considerado um óleo leve que é rapidamente absorvido e por isso ele é tão popular. Funciona bem para algumas pessoas, mas quem tem pele seca pode sentir falta de uma hidratação mais profunda. E o óleo de coco é bastante comedogênico, então se você tiver problemas com poros entupidos e cravos, você não deveria usar esse óleo no rosto. Ou seja, se você tem pele seca ou pele oleosa - óleo de coco não é o óleo ideal para o seu rosto.

Receitas caseiras
Produtos de beleza naturais estão cada dia mais em alta, e já existem vários blogs e youtubes ensinando receitas caseiras. O importante é sempre pesquisar bem para saber se cada receita é indicada para seu tipo de pele. Além disso, você deve se lembrar que nem todo mundo que posta algo na internet, sabe do que está falando. Já vi muitas receitas que dizem para utilizar limão no rosto, e isso é bem perigoso segundo médicos. Então é melhor sempre pesquisar bem se os ingredientes realmente fazem bem à pele!
Eu já dei algumas dicas de receitas caseiras que eu realmente amo! Confira o post aqui.

Produtos 100% Naturais


Eu fui em uma feira artesanal aqui na Alemanha e aproveitei para comprar alguns produtos naturais para testá-los.
Comprei um sabonete de lavanda; um sabonete de rosa; um sabonete de karité com semente de papoila; um escalda-pés com óleo de melaleuca e um sabonete de limpeza pro rosto com manteiga de cacau (entre outros).
A principal diferência entre sabonetes comuns e os com ingredientes naturais é que o cheiro é muitas das vezes mais suave, e você sente a pele meio "esticada" depois de lavá-la com o sabonete. Isso aconteceu com todos os sabonetes, menos o de limpar o rosto. Deve ser pelo óleo dentro dos sabonetes, que acaba deixando a pele com uma sensação diferente.

{Limpar o rosto com um sabonete que tem manteiga de cacau parece talvez um pouco estranho e oleoso demais, mas não é! Vou fazer um post qualquer dia sobre como cuidar da pele do rosto - acreditem, estou lendo muuuuito artigos sobre esse assunto e já posso dizer que estou com uma rotina de cuidados com a pele bem eficaz :) }

Para quem sempre usou produtos de beleza convencionais, ou seja, com ingredientes químicos, pode sentir dificuldade no início da mudança para produtos naturais. A sua pele acabou se viciando na química, e até voltar a educar o seu organismo a funcionar sem a química, pode demorar um pouco.
Essa transição pode significar que a pele fique irritada ou seca demais no início, mas tenha paciência, pois todo mundo passa por isso. O importante é não exagerar na dosagem - menos é mais, com certeza!

Eu ainda uso muitos produtos cheios de química. Estou descobrindo o mundo dos cosméticos naturais aos poucos e testando os produtos um a um. Essa semana incomendei alguns sabonetes de uma marca vegana e 100% natural, chamada Manna.
Comprei um sabonete de mel e leite de cabra (o site é em alemão, mas dá para traduzir com o Google), um sabonete de coco, sal marinho e manteiga de karité, e um sabonete de coco com lavanda.  Além disso, também comprei uma manteiga de karité. Os produtos são caros, mas a marca é comprometida e oferece produtos realmente naturais.

Benefícios em comprar de microempreendedores

Quando você pesquisa e encontra algum empreendedor que vende produtos naturais, você está ajudando uma empresa a se estabelecer - e não dá o seu dinheiro para marcas multimilionárias, como é o caso das empresas L'Oreal e L'Occitane. Além disso, você está ajudando o meio ambiente, pois uma pequena empresa polui muito menos que uma multinacional. E a transparência de microempresas são bem melhores, pois não há um time de marketing por trás de tudo que consegue esconder os podres e realçar aspectos da empresa para ganhar pontos com o público. Pequenas empresas estão mais abertas à perguntas (e não oferecem aquelas respostas robóticas como no caso das famosas) e também aceitam as suas dúvidas ou críticas mais facilmente - na grande maioria, pois cada novo cliente conta para eles e a sua satisfação ainda é muito importante para a empresa. Já para as grandes, você é só um entre milhares de consumidores.

OK, mas eu não sou fã de coisas muito artesanais. Existem empresas que realmente vendem produtos naturais confiáveis?




Sim! É o caso da Korres, que também não testa em animais e portanto, parou de comercializar seus produtos na China por este motivo (lá é obrigatório testar os produtos em animais antes de poderem ser vendidos).
Os preços são salgados, mas estão iguais aos da Alemanha (por exemplo, a limpeza facial de chá branco de 150ml custa R$ 45,00 e na Alemanha o mesmo produto de 200ml custa 19,50 Euros, isso dá 0,30 centavos *R$* por ml no Brasil e 0,10 centavos *Euro* por ml na Alemanha, ou seja, mesmo valor pois 1 Euro vale mais ou menos 3 Reais) Ufa que conta! Rs
Eu comprei a máscara hidratante facial de nectarina e amei! Sério, parece que você passa um veludo no rosto. A pele fica super macia e com ar saudável.

Além da Korres, existem algumas outras que conheço no Brasil, mas elas são muito caras!  Tem a Burt's Bees, uma empresa americana que só usa ingredientes naturais. Essa só tem produtos caríssimos, tanto na Alemanha como no Brasil (a maioria das coisas tem o mesmo preço nos dois países, se vocês fizerem esse cálculo que eu fiz acima você percebe. Nem tudo é mais caro no Brasil por imposto, viu gente!). E a Weleda , que mistura medicina natural com cosméticos. Essa sim é caríssima.

***
E você? Conhece alguma microempresa que vende produtos naturais? Já testou algum produto natural - o que achou? Conte nos comentários!

Beijos,
Ju

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Um anjo caído: River Phoenix


Já mencionei algumas vezes que eu amo o River Phoenix e algumas pessoas me pediram para fazer um post sobre ele. Confesso que enrolei, porque escrever sobre pessoas que são especiais para nós é mais difícil do que parece.
O que eu posso dizer sobre o River Phoenix a não ser que ele foi tão especial que, depois de mais de 20 anos desde da sua morte, ele continua inspirando as pessoas. Eu não acho que ele se deu conta disso enquanto vivo, mas ele teve um impacto enorme no mundo. Acho que todos nós gostaríamos de dizer que fizemos uma diferença enquanto vivemos. E River realmente fez.

Eu descobri de fato quem River Phoenix era em 2012. Vi uma citação dele falando sobre homosexualidade e achei legal, então joguei o nome dele no Google. Poucas semanas depois, tinha virado vegetariana. Não muito depois, aprendi a alinhar o meu corpo com a minha mente e a minha alma. Dizem que muitas pessoas que param de comer carne e produtos de origem animal sentem essa transformação. Não sei se é verdade (apesar de ter sentido isso na minha vida), mas o que eu sei com toda certeza é que o River mudou a minha vida. Se eu nunca tivesse lido nada sobre ele, não teria virado vegetariana, e essa mudança foi muito positiva na minha vida. E para mim, isso é incrível: como ele continua tendo esse impacto sobre as pessoas. 

Okay, você pode estar se perguntando: que lindo essa história, mas quem é que era esse tal de River Phoenix? Um profeta? Um líder dos direitos dos animais?
Para mim ele era um ser iluminado, mas enfim. Vamos aos fatos!
River Phoenix era um ator e músico americano. Nasceu em 1970 e morreu em 1993, aos 23 anos. Ele trabalhou desde pequeno como ator e tornou-se um ídolo teen nos EUA e no mundo. Só que, diferente de muitos outros atores que têm um legado de fãs e têm sucesso desde cedo, River era respeitado na indústria de entretenimento. Não tem como negar que ele tinha talento. Ele até foi indicado ao Oscar pela sua atuação em "Running On Empty" (Brasil: O Peso De Um Passado, 1988) quando tinha 18 anos.

O cineasta Sidney Lumet, que dirigiu River no filme "Running On Empty" disse sobre River: "O talento dele é original. River não sabe fazer nada falsamente. Dê a ele uma direção falsa e ele vai olhar para você desamparado. Ele tem uma técninca surpreendente que ele desenvolveu sozinho - ele nunca estudou atuação. Ele não conseguiria ser uma pessoa comum nem se ele tentasse."

River e Sidney Lumet, o diretor do filme 'Running On Empty'
Quando se assiste os filmes do River, dá para notar como ele é diferente e natural em cada papel. Ele realmente se tornava o personagem.


A Costa Do Mosquito, 1986
Little Nikita, 1988
Running On Empty
Dogfight
Garotos de Programa
Garotos de Programa
I Love You To Death, 1990
The Thing Called Love, 1993

Ídolo Teen

Uma rara foto de River sorrindo!
(Pelo menos em fotos, entrevistas e até em filmes, raramente ele sorria)
Ele se tornou um ídolo não só para as garotas adolescentes, como também para outros garotos que sonhavam em se tornar atores. Entre eles, nomes de grandes estrelas de Hollywood, como Leonardo DiCaprio, James Franco e Jared Leto.

"Quando eu tinha 18 anos, River Phoenix era de longe o meu herói. Pense em todas aquelas performances dele enquanto ainda era tão novo - My Own Private Idaho (Brasil: Garotos de Programa), Stand By Me (Brasil: Conta Comigo). Eu sempre quis encontrar com ele. Uma noite, eu estava em uma festa de Halloween, ele passou por perto de mim. Ele estava muito pálido - ele parecia estar branco. Antes de eu conseguir dizer oi, ele já tinha ido. Foi para o (bar) Viper Room, onde ele caiu e morreu. Isso foi uma lição." - Leonardo DiCaprio 

"Quando eu estava começando a minha carreira, os dois caras que você queria seguir como modelos eram River Phoenix e Ethan Hawke." - Jared Leto




E não eram só fãs que admiravam o River. Os co-atores também contam de como o River era extraordinário.
Ethan Hawke, que trabalhou com River ainda criança no filme Explores (1985), disse: 
"Esse garoto...Eu nunca me senti mais comum em toda a minha vida. River era caótico! Os pais dele o criaram de uma maneira extremamente não convencional, eles foram pedintes. E eu pensava que a minha vida era fora do normal! A minha mãe tinha 17, eu era do Texas e agora vivia em Nova York. Eu sempre me senti como um personagem do Charles Dickens. Mas eu não estava tão perto de ser como Dickens tanto como o River.
Eu me lembro que ficamos em um pequeno motel enquanto filmamos, e eu olhei para fora da janela e lá estava esse garoto de 13 anos praticando a maneira de caminhar. Ele andava de um jeito e depois de outro. Eu pensei comigo 'Esse deve ser o menino que vai fazer a parte do Wolfgang no filme!'. Eu fui até ele e perguntei o que ele estava fazendo. Ele disse, 'Eu só estou tentando descobrir como o Wolfgang anda.'
A partir desse momento eu soube; River estava sempre na minha frente."

Ethan já falou bastante sobre River. Recentemente ele disse: 
"Quando River fez 'Garotos de Programa'..eu realmente acho que quando as pessoas hoje em dia falam sobre direitos dos homosexuais, eles esquecem como o River foi um dos atores que fez uma diferença. Ele era o maior ídolo teen, um ídolo como o Justin Bieber. James Dean não era nada ao lado do River."

Uma contradição


O problema de quando você se torna fã do River (ou levemente obcecada, como no meu caso), é que você descobre que é impossível saber muita coisa sobre ele. Ele era que nem uma pintura que muda de cor quando uma luz diferente bate sobre ela. De certa forma, ele não quis ser definido e lutava contra isso. Em entrevistas, ele mentia. Ele mesmo disse que mentia. Ele tinha um senso de humor diferente, provocativo e gostava de testar os limites das pessoas. Mas ao mesmo tempo, ele era muito gentil, sensível e tinha uma enorme empatia e compaixão. Só que quando ele achava algo errado, ele falava. Na maioria das suas entrevistas, ele acabava falando sobre algum assunto político ou sobre animais. Ele não se interessava pelo lado de fama, futilidade e glamour de Hollywood. Ele gostava mesmo era da arte em si. Quanto mais se lê sobre o River, mais ficamos fascinados porque não dá para dizer realmente quem ele era. Ele era uma contradição.


"Quando vi o River pela primeira vez, ele tinha cabelo bem longo e ele me pareceu - enquanto ele saía do elevador - como um anjo, algum tipo de ser sobrenatural. Um anjo poderia ser Gabriel, mas um anjo também poderia ser Lúcifer. Da mesma forma que ele conseguía se aprofundar em partes profundas e obscuras, ele conseguía voar até as partes mais iluminadas." - Bobby Bukowski, Diretor de Fotografia do filme "Apostando no Amor" (Dogfight, 1991)



O ativista

River usando um moletom da PETA
River queria fazer a sua parte para melhorar o mundo. Ele tinha muitas ideias. Nunca vou me esquecer de quando li a seguinte citação dele: "Eu queria ter dinheiro suficiente para comprar partes da floresta Amazonica e ajudar a preservá-la da destruição." Em várias entrevistas, ele menciona que queria trabalhar, fazer filmes, para poder comprar terras e salvá-las do deflorestamento. Quando li isso, pensei como o destino é cruel de deixar só pessoas egoístas ficarem ricas, enquanto que as pessoas que têm o coração no lugar certo, ou não ficam ricos ou morrem cedo, como no caso do River.
Ele sempre tocava nesses assuntos.


Entrevistador: Amar os animais pode realmente salvar o planeta?
River: "Ás vezes, temos que começar pelas pequenas coisas antes que possamos desfazer problemas maiores. Se você nota um morador de rua e vê o seu apuro e o entende, a partir daí você enxergará todos os moradores de rua de maneira diferente. É a mesma coisa com os animas. Assim que você se conscientiza, você não consegue ficar parado e observar enquanto eles são explorados. E é recompensador poder ajudar animais indefesos."



Entrevistador: Como que as suas motivações sociais afetam o seu trabalho?
River: "Afetam o meu ser. Eu não preciso deixar sempre amostra para que seja notado. Simplesmente faz parte de mim. Mas naturalmente, quando aprendo algo, eu gosto de compartilhar. E eu espero que outros façam o mesmo comigo. Então sempre que posso, eu tento trazer as minhas crenças éticas até o meu trabalho. Antes de começar a filmar, eu trabalho junto com o departamento de figurino para que as minhas roupas não sejam de couro ou de pêlo. Eu também peço aos maquiadores para usarem maquiagem que não tenha sido testada em animais. Na maioria das vezes as pessoas respeitam as minhas crenças e ajudam a adaptá-las."


Muitas pessoas têm uma certa preguiça de veganos e vegetarianos, por nos acharem chatos, cheio de frescuras, etc. E acho que River sabia disso, então sempre que ele falava sobre o seu estilo de vida vegano, ele tentava mostrar que não era frescura, que ele realmente acreditava naquilo.
"Se você não acredita [no veganismo], se não é uma convicção real, então, claro, parece uma coisa muito chata. Não é exatamente comum. Mas vale a pena? Claro que vale. Se você ama alguém, vale a pena andar um milhão de quilômetros por ela. Se você ama animais, então faz sentido que você vai cuidar deles." - River numa entrevista para a revista 'Sassy Magazine', outubro de 1989

"Ele era um vegetariano rigoroso, um vegano - mas não era sobre saúde, era sobre não matar...Isso é um ponto muito importante. Ele queria ser livre; ele não queria estar acorrentado à nada. Ele não sentia medo de nada. Ele não tinha medo." - Sky Sworski, amigo e assistente pessoal de River desde a sua infância

River se importava com muitas coisas - como mencionei antes, ele se preocupava com o meio ambiente, com o capitalismo e o que isso causava. Nessa entrevista baixo dá para se ver muito esse lado do River, que não era muito de dar entrevistas na TV, mas que participou desse debate em um talk show americano (pena que não existem mais esses tipos de diálogos na TV com celebridades- eles poderiam mudar o mundo se tentassem):

(Essa é a parte 1, aqui estão as outras partes: 2, 3, 4, 5)

Além disso, River também se preocupava com a comunidade LGBT e várias vezes se pronunciou sobre preconceitos ou sobre fazer a sua parte para focar nessas pessoas de uma maneira humana:
"Eu ainda acho estranho que uma pessoa poderia ter qualquer objeção moral sobre a sexualidade de uma outra pessoa. É como dizer à alguém como ele deveria limpar a sua casa."

River sobre o filme 'Garotos de Programa':
"Eu acho que é muito importante para a comunidade gay de ter personagens aleatórios que representam nada mais do que pessoas...eu acho que faz parte de uma onda que vai preceder algo que vai desfazer a necessidade de termos rótulos."



E ele também era feminista. Ele disse ter feito o filme 'Um Sonho, Dois Amores' ('The Thing Called Love', o último filme completado antes da sua morte) por achar que era um filme que dava um espaço a mulheres que era raro em Hollywood. O filme fala de uma garota que sonha em ser compositora e se muda para Nashville, o coração da música country. A protagonista se apaixona (pelo personagem do River), mas a história é focada no sonho dela e no final não fica claro se ela fica com alguém ou não.

Ele tinha essa noção de que a indústria tratava mulheres de forma diferente e ele não concordava e falava sobre isso em entrevistas: 
"Eu não consigo imaginar ser uma atriz hoje em dia. Se eu fosse uma mulher, eu não sei quem eu seria agora. Eu não teria tido a chance de crescer até esse ponto. É um caminho muito difícil para se tornar uma Sissy Spacek ou Meryl Streep."

Mas apesar de falar muito sobre assuntos sérios, ele não se levava tão à sério. Ele só tentava fazer a sua parte e via isso como uma coisa natural (que na verdade, é - para seres humanos decentes).

"Eu não quero ter o hábito de pensar sobre a minha carreira, porque se for realmente ver, não é tão importante. Eu poderia morrer amanhã e o mundo seguiria em frente. Eu não quero me separar do resto do mundo. Se o mundo não está indo bem, eu faço parte disso. Eu aceito a culpa sem problemas. Eu estou junto nessa."

Olha, é triste pensar que ele só viveu até os seus 23 anos. Hoje, com 24, sou mais velha do que ele jamais seria. Mas de outro lado, acho que River foi um espírito tão evoluído que não tinha como ficar aqui por muito tempo. Por isso que dizem que os bons vão cedo - esse mundo não é o lugar deles.

Abaixo mais fotos e algumas curiosidades sobre o River:


Entrevistador: Todos os nomes da sua família são simbólicos?
River: "Acho que sim. Meus pais me deram esse nome por causa do rio da vida no livro 'Siddhartha' de Herman Hesse. O nosso sobrenome nós adotamos quando saímos da America Latina e retornamos aos EUA quando eu tinha nove anos."
(O nome completo original do River era River Jude Bottom, depois mudaram o sobrenome para Phoenix)

River era o irmão mais velho de cinco crianças. Entre eles está o ator de Hollywood Joaquin Phoenix. As irmãs se chamam Rain, Summer e Liberty. Só Summer e River eram loiros.


"Claro que quando eu estava na primeira série, todo mundo me zoava por causa do meu nome. Eu acho que é meio que um nome grande de se ter quando você tem nove anos. Parecia meio bobo. Eu dizia às pessoas que eu queria mudar o mundo e eles pensavam 'Esse menino é muito esquisito'".



Se ele não tivesse sido ator, ele gostaria de ter sido músico. Ele na verdade teve uma banda, Aleka's Attic. 
"Eu amo música. Faz parte de mim. Eu gosto de jazz, música folk, Bob Dylan. Bowie mais antigo, e Roxy Music mais antiga para dormir. Eu gosto de Steely Dan e um pouco de Pink Floyd. Led Zeppelin antigo também. Os Beatles são a minha bíblia, nem precisa dizer. E eu gosto de música clássica."
Outras bandas e artistas que River gostava: Squeeze (as mais antigas), U2, XTC, Bob Marley, Fugazi, Cypress Hill, The Smiths, Public Enemy, Midnight Oil, The Police.


"Eu sou um amante de música. Eu acabei de comprar um violão e eu toco muito, eu gosto de escrever músicas - é meio folk-rock progressivo etéreo, eu acho [rindo]. Mas eu também tenho esse outro lado que é muito hiperativo e atlético, mas eu não gosto muito de esporte organizado. É mais, tipo, pular no pula-pula e brincar de pega-pega com os meus irmãos. Isso é muito divertido, passar tempo com as minhas crianças - eu chamo eles de minhas crianças." - River para a revista Playgirl, 1988



Entrevistador: Você disse que é mais ligado à pessoas e sentimentos do que à lugares e coisas.
River: "Sim, e lembranças também. Meu estilo de vida é estranho porque eu não tenho um lar. Nós sempre nos mudamos, então minha única referência é a minha família, não um bairro ou uma escola. Minha vida é espontânea e sempre em movimento."


Gus Van Sant, diretor de 'Garotos de Programa' sobre River: "Se você dissesse: 'Não tão alto!' ele achava que era uma reação engraçada, como se você tivesse paranóico. Ele tinha competições de gritaria com pessoas, quando ambos gritavam: 'Seu idiota de merda!', mas no final ele acabava gostando da pessoa. Ele gostava de pessoas que não deixavam ele fazer qualquer coisa."





















O tutor de River, Dirk Drake lembra de um episódio numa festa em 1988 em que Skinheads estavam provocando River. "Ele sorriu com uma inocência incrível,' disse Dirk, "e disse ' Se vocês realmente querem me bater, vão em frente, mas me expliquem porque fazer isso.' Os Skinheads ficaram de cara. Um dos caras começou a dizer: 'Ah, você nem mereceria.' e o River disse 'Nós merecemos, cara, nós merecemos milhões de planetas e estrelas e galáxias e universos."


O seu melhor amigo, o ator Keanu Reeves: "River sentia as coisas diferentemente de mim. Ele permitia que todo o sofrimento do mundo chegasse a ele e ele queria que todo mundo fosse tão livre e feliz como ele."


"É um ótimo sentimento de pensar que eu posso ser um amigo para tantas pessoas através dos meus filmes." - River Phoenix



River morreu no dia 31 de outubro, 1993 aos 23 anos, numa festa de Halloween no bar Viper Room do Johnny Depp em Los Angeles. A causa da morte foi overdose de heroína e cocaína em forma de uma bebida fatal dada à ele por um amigo. Porque o amigo dele resolveu lhe dar essa bebida nunca foi esclarecido. River tomava drogas sim, mas segundo vários relatos, na época em que morreu estava sóbrio - ele estava no meio das filmagens do seu último filme, "Dark Blood". Portanto, a overdose ocorreu sem ele ter tido a intenção de ingerir aquela quantidade fatal de drogas.
O seu irmão Joaquin e a sua irmã Rain estavam presentes na noite fatal. A namorada do River, Samantha Mathis (que ele conheceu durante o filme The Thing Called Love), também estava com ele. Aparentemente, River nem quis sair nessa noite, mas os irmãos dele o convenceram. Infelizmente, River se envolveu com coisas e pessoas erradas.

Dizem que River queria parar de atuar, mas não sei se isso realmente é verdade. River iria fazer o papel do entrevistador no filme 'Entrevista com um Vampiro', que acabou ficando com Christian Slater. Dois filmes para qual queriam o River - 'Eclipse De Uma Paixão' e 'Diário De Um Adolescente' - ficaram com o Leonardo DiCaprio. Outro papel para qual ele foi considerado era o de Jack Dawson do filme Titanic (apesar de que não consigo imaginá-lo nesse papel - muito sorridente para o River). Quer dizer, a carreira do Leonardo DiCaprio seria basicamente inexistente se o River ainda tivesse vivo! Fato é que, se River tivesse vivo, ele seria um dos principais atores de Hollywood hoje em dia.

Ah, que tristeza de você ter nos deixado tão cedo, River. Mas pelo menos sabemos que tem um anjo por aí que acha que nós temos o valor de milhões de estrelas e galáxias e universos.

***

Faça a sua parte!

  • Recomendo a todos a darem uma lida sobre o vegetarianismo e considerar diminuir o consumo de carne e produtos de origem animal - ou até mesmo parar de vez de comer carne. Esse site têm muitas informações: www.vegetarianismo.com.br  Considere pelo menos ter um ou dois dias por semana sem carne! Sou vegetariana desde março de 2012 e só não me tornei vegana ainda porque não consegui eliminar produtos como ovo ainda. Mas sempre compro de agricultores locais para pelo menos não apoiar as grandes indústrias. Futuramente quero me tornar vegana. Não tive nenhum problema para parar de comer carne e, como mencionei no texto acima, sinto que mudei muito desde que parei de comer carne.
  • Não compre produtos de couro ou pêlo - hoje em dia existem alternativas sintéticas de ótima qualidade.
  • Pense além do seu horizonte e seja aberta para se educar sobre assunto atuais que envolvem os direitos humanos e questões ambientais. Todos nós somos responsáveis por esse mundo e pelas pessoas que vivem aqui. Só porque você não é afetado por um determinado problema, não quer dizer que você não deva ajudar a desfazê-lo.
Para quem se interessar e quiser se informar mais, dêem uma olhada nas seguintes organizações:
Educafro (aqui tem um link de como ajudar também -  achei a opção de fazer um cursinho de Português para refugiados muito legal! Têm muitos refugiados agora no Brasil que precisam aprender Português)

***
E você? Tem alguma ONG ou organização que conhece e quer compartilhar? Deixe nos comentários!
O que achou do River Phoenix? Já conhecia, já viu algum filme dele? Conte-me nos comentários também!

Beijos,
Ju